No mesmo dia em que João Cravinho dava uma entrevista onde denunciava o aumento de corrupção, o actual presidente das Estradas de Portugal mandava reabrir o processo da construção da Ponte Europa, em Coimbra, onde se verificou uma derrapagem de custos calculada em 288%.
Lembremos que, Cravinho, ministro de Obras Públicas do primeiro governo Guterres, tinha abandonado o cargo depois de denunciar a promiscuidade existente no sector da construção civil em Portugal. Posteriormente, viria a ser o autor de um projecto-lei de combate à corrupção que acabaria chumbado pelo seu próprio partido, o PS de Sócrates. No seguimento desta decisão, "et pour cause", o ex-ministro e deputado seria enviado para um "exílio dourado" em Londres, onde é actualmente funcionário no Banco de Investimento Europeu. Espera-se, destes altos representantes da nação, um silêncio à altura da função.
Acontece que Cravinho, certamente por deformação profissional, não se tem calado. Um dos seus temas favoritos é mesmo a corrupção. Ora isto é muito grave, como veio lembrar o inefável Alberto Martins de Coimbra, pois a "ética é republicana" e o João - para mais vivendo em Inglaterra - não tem moral para dar lições ao PS...Como nos veio lembrar o patulante Martins, para averiguar das pretensas ilegalidades, já existe um orgão - o Conselho de Prevenção da Corrupção - que (apesar de constituido maioritariamente por elementos dependentes da tutela) não hesitará em "prevenir" quando isso fôr preciso.... Como se nós fossemos burros. Isso não se faz, oh Cravinho!...
Tudo isto é sinistro, sórdido e triste. As reacções a toda esta polémica em volta do ex-ministro Cravinho têm sido de facto inaqualificáveis. O deputado Alberto Martins acha então que o combate à corrupção se faz, como o caminho, caminhando. Pergunta-se: porque não se mexem então?
ResponderEliminarAlguém há-de acabar por fazer justiça em relação a tudo isto, contudo. Pode é não ser da forma mais correcta e civilizada, mas a bolha irá rebentar quando menos se esperar...