A disciplina de voto - imposta por Sócrates à bancada do PS, na aprovação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo - será obrigatória para todos os deputados, menos cinco. As excepções são os três "independentes" (Miguel Vale de Almeida, João Galamba e Inês Medeiros) e os dois "fracturantes" (Sérgio Sousa Pinto e Duarte Cordeiro). Não se compreende porque não é dada liberdade de voto aos deputados, a menos que as divisões internas sejam tão grandes que os votos a favor desta lei não garantam a maioria desejada para aprová-la. Se é essa a razão, compreende-se a preocupação do primeiro-ministro. Aceitar cinco votos contra, ainda vá que não vá, mas se houver muitos mais, o que será da lei e, pior, do "unanimismo" partidário?
É por isso que a lei proposta pelo PS é coxa e discriminatória na sua essência: aprova a igualdade no casamento, mas desaprova a igualdade na adopção, que é a sua implicação lógica. Pior: exige dos seus deputados um voto único, numa questão de escolha individual e onde o estado não tem de meter o bedelho.
Nas ditaduras estalinistas de má memória, chamava-se a esta disciplina, "disciplina de cadáver" (só os mortos não podem opinar). Neste PS sem ideologia, como apelidar esta bancada partidária? "Casa de putas"?