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Sábado, Maio 11, 2013

"Ceci n'est pas une pipe"



Ouvimos Manuela Ferreira Leite insurgir-se esta semana, em vocalizos muito amplificados, contra a insensibilidade e crueldade com que o executivo trata os reformados. Já tínhamos ouvido Pacheco Pereira falar em "desobediência civil" e alertar para o sofrimento que as políticas de Coelho & Cia. causa ao povo e para o perigo que isso representa para a democracia e para as instituições democráticas. Ouvimos Bagão Félix acusar o governo de promover uma OPA hostil sobre as pensões dos reformados. Nem mais! Ouvimos Adriano Moreira defender a Constituição de Abril. Ouvimos, ainda hoje, Carlos Abreu Amorim dizer que o ciclo Gaspar acabou e que o ministro tem de abandonar, não a política que conduz, mas o próprio cargo. Acabou o seu ciclo, afirma grave.
O Povo, a Constituição, a Democracia. De Abril.
Ouvimos tudo isto e pasmamos. É gente de direita! Soa a esquerda, mas, não! Não há ilusão: é gente de direita, proveniente de uma matriz ideológica de direita.
Ouvimos, no passado, a esquerda a queixar-se vezes sem conta do mesmo de que esta direita agora se queixa em tom inflamado. Ouvimo-la usar até, sem qualquer efeito que se perceba, o mesmo discurso, por vezes, até a mesma linguagem que esta direita agora usa. Ouvimo-la reclamar a demissão do governo. Ouvimos tudo isto, mas não podemos nunca confundir as razões da queixa. Só poderemos lamentar a falta de eficiência do protesto de esquerda.
Neste momento estamos a assistir a um fenómeno absolutamente inaudito: ouvimos o discurso indignado da direita, cínica e despudorada, contra a política que andou a promover, por acção ou omissão, durante quase 40 anos!
Há, no que à esquerda diz respeito, qualquer coisa que me deixa perplexo. Anos a reclamar contra a política de desastre conduziram... à vitória da política do desastre! De anos a reclamar contra a política do desastre resulta que os responsáveis por essa política venham agora criticá-la. E receio mesmo, com fundadas razões, que será a "narrativa" da direita que ficará retida na mente dos portugueses. É o grito de Manuela Ferreira Leite contra o governo que vai ficar no ouvido. É a sua indignação que vai merecer a atenção das vítimas do desastre, não o grito do PCP ou do BE. Se Gaspar sair do governo não será em consequência da política desastrosa que os partidos de esquerda o acusam de estar a levar a cabo. Neste momento será sempre porque Amorim o exigiu.
Quem vai beneficiar politicamente do profundo descontentamento que a política do desastre está a gerar não será a esquerda, mas a própria direita que a provocou. Depois de se livrar das abencerragens que aterraram no poder dos respectivos partidos, a direita estará back in business.
A direita tem um património de credibilidade política que a esquerda não tem ou não quer ter, ocupada que tem andado certamente com problemas muito mais prementes...
Seria normal que as vítimas geradas pela política de direita seguida ao longo de todos estes anos, se virassem  para os adversários naturais dessa política e com eles congregassem esforços para a combater. Mas, não! A esquerda não conseguiu senão ganhos marginais entre as vítimas da política de direita, seus companheiros de jornada naturais. É a direita e a sua política, esta mesma ou travestida, que vai acabar por sair vitoriosa deste momento de provação.
Não admira que a direita não tenha aquele tombo nas sondagens que o desastre, o sofrimento, a crueldade e a insensibilidade social de que é acusada fariam prever. É a própria direita que se mostra mais eficaz a combate-la!
Quando fala em tom indignado contra a política de direita, é, paradoxalmente, a direita que tem a credibilidade para aparecer como paladina do combate à política que ela própria ajudou a implementar. Esperar mudanças políticas profundas e fiáveis desta direita que nos calhou em rifa é um exercício inútil quod erat demonstrandum, mas ela mantém intactas a sua credibilidade política e a reserva junto do eleitorado de que é capaz de o fazer. É no jogo democrático —que a esquerda recusa jogar em pleno— e na tibieza da esquerda que a direita ganha credibilidade política. Tudo o resto é folclore.
A ignorância, a ausência de cultura cívica e democrática, a iliteracia, a falta de sustentação profunda de que o inegável desenvolvimento gerado pela Democracia de Abril obviamente padece, apenas explicam uma parte de todo este problema. Um outro contributo não despiciendo é o que resulta do papel absolutamente de embrulho que a esquerda portuguesa vem cumprindo desde há anos. Uma esquerda frouxa que demonstrou até agora ser parte indevisível do problema, que joga o jogo da democracia da bancada e a feijões. Uma esquerda que representa bem o carácter merdoso das elites portuguesas.
Um traço que a direita —que consegue ser bem mais merdosa, mas que evidencia uma habilidade e uma aderência ao terreno de que a esquerda carece escandalosamente— parece ser tão bem capaz de parasitar.

Quinta-feira, Maio 02, 2013

De morrer a rir


Há dias, alguém (certamente com sensibilidade delicada e digestões difíceis) me chamava a atenção para o tom "sério" deste blog. É tudo muito reactivo, muito "militante", muito grave, muito solene. A solução, segundo este sujeito, seria o humor. Temos de rir, rematava assertivo.
Pois bem, queres (querem) rir? Aqui vão então umas piadolas e outros tantos motivos para umas gargalhadas fartas.
O actual primeiro ministro submeteu-se ao veredicto popular com um programa que preconizava o contrário do que depois veio a ser executado? Ahahahahahah, é de partir o coco! O primeiro ministro comprometeu-se a nunca invocar as escorregadelas do governo anterior para justificar as suas incapacidades e não fez outra coisa desde que tomou posse? Ahahahahahah, estás a gozar! As metas que o primeiro ministro traçou —mesmo indo contra o seu próprio programa eleitoral— não foram cumpridas? Ahahahahahah, é demais, pára, pára! Passaram mesmo a metas volantes?! Ahahahahahah, assim não! Todos os índices que permitem avaliar a acção governativa demonstram o agravamento da situação que o próprio primeiro ministro considerava grave quando tomou posse? Ahahahahahah, eh pá estou quase a mijar-me a rir! Aqui há anos, uma taxa de desemprego de cerca de um terço da actual provocava a ira dos partidos, o cataclismo social e era motivo para queda imediata do governo? Ahahahahahah, por favor, mais não! E o governo prevê que essa taxa aumente para o ano, com mais 200 000 desempregados a invadir os centros de desemprego? Ahahahahahah, caraças, pára!! E a forma de combater este flagelo, mais os problemas "estruturais" da economia portuguesa, é aquilo que o Álvaro apresentou?! Ahahahahahah, nem me consigo conter! Ou "reestruturar a economia" é diminuir os encargos com a segurança social, despedir à vontade e diminuir o tempo de atribuição do subsídio de desemprego, ou mesmo acabar com ele? Ahahahahahah, ai que não aguento!! E, já agora, deixa-se morrer os velhos, termina-se mais cedo o fim dos doentes terminais, tira-se os remédios aos doentes sem remédio, não vão eles viver demais e locupletar-se com o xanax uma eternidade, e deixa-se os miúdos a cair de fome nas escolas, ou, melhor ainda, fecham-se as escolas, porque assim eles têm fome em casa e fica-lhes (e fica-nos!) mais barato?! Ahahahahahah, essa não!, é de partir o caroço!
Entretanto, a criatura de Belém limpa os cantos da boca, cospe um resto de bolo rei ainda escondido na dentadura, faz um ar de mestre escola e apela ao consenso para que se concebam mais medidas que prolonguem a enrabadela geral e funda de que os portugueses estão a ser vítimas? Ahahahahahah, não, não, não, pronto, já rebentei uma veia a rir!!
É oficial: doravante, aqui, por mim, é só rir!

Quinta-feira, Abril 25, 2013

Sábado, Abril 13, 2013

Domingo, Abril 07, 2013

Um fim triste

Ficou hoje definitivamente claro que os portugueses são uma chatice para o Primeiro Ministro de Portugal. Ao dizer o que disse e ao usar o tom que todos pudemos testemunhar, Passos Coelho declarou-nos guerra e esta só pode ter um desfecho. É que nós somos mais do que ele.
Esta intervenção de hoje é, para além do mais, feita no registo da oração fúnebre de Relvas. O tom auto laudatório e, sobretudo, o alijar responsabilidades (a culpa para o Primeiro Ministro é sempre dos outros) têm a marca do amigo e sócio. E vejam o que acabou por lhe acontecer...

Quinta-feira, Abril 04, 2013

Circo do PSD

O falso barítono, o auto-ventríloquo, o equivalente a trapezista e o domador de sardinhas em escabeche. Últimos espectáculos...!


Há dias assim...(2)


Custou, mas foi. O inenarrável Relvas demitiu-se. Resta saber se o fez de vontade própria antecipando uma remodelação governamental que se adivinha, ou se a isso foi obrigado, devido as revelações sobre a licenciatura turbo, na posse do ministro Nuno Crato. 
Seja como for (e ainda falta o parecer do tribunal constitucional sobre as novas medidas do OE) esta semana não tem corrido bem ao governo, ainda que este tenha sobrevivido à moção de confiança no parlamento. Há dias assim...

Relvas demite-se, governo rua!!!!


Domingo, Março 31, 2013

Que os banqueiros nunca descubram o negócio dos colchões!


Há já algum tempo, estarão recordados, houve uma polémica em Portugal por causa do pagamento de pensões através de crédito em conta bancária. O governo de então instituiu essa obrigatoriedade para obviar o problema dos títulos de pagamento roubados e das pensões indevidamente levantadas.
Os bancos responderam de imediato cobrando custos de manutenção aos clientes que tendo sido obrigados a abrir conta para poderem receber a sua pensão, se viram, de repente, despojados de uma parte, para eles, muito significativa da sua magra remuneração em virtude do saldo não atingir o mínimo que os isentaria do pagamento desses custos. O abuso (que ilustra na perfeição o que é a banca comercial, qual a sua verdadeira natureza...) foi imediatamente corrigido, com o governo (por acaso, o de José Sócrates...) a instituir a isenção de custos de manutenção para estas contas e a obrigar os bancos a devolver as verbas que tivessem sido, entretanto, cobradas.
Vem isto a propósito das declarações do senhor Jeroen Dijsselbloem, ministro holandês das finanças, que, pelo que percebi, não mereceram a atenção que suscitou a entrevista de José Sócrates.
Disse ele, em tom indisfarçavelmente ansioso, que no futuro terão de ser os bancos, os seus accionistas e depositantes sem seguro de depósito, a assumir os riscos de financiarem os bancos com o seu dinheiro. O alerta foi dirigido a quem, na generalidade, confia o seu dinheiro aos bancos. Compreender o risco e agir de forma adequada seria assim o caminho para termos uma banca saudável, disse ele, mais palavra menos palavra. Os Estados, rematou, não poderão continuar a proteger a banca cada vez que esta se estampa em operações ruinosas. Disse isto e desdisse-o logo de seguida, tal terá sido o efeito que esta deflagração ocasionou no território do euro, embora sem, na verdade, se desdizer...
Dificilmente veremos os milhares e milhares de trabalhadores, reformados e pensionistas que recebem, se calhar contra vontade, as remunerações a que têm direito através do sistema bancário como “investidores” na banca. Mas, já se percebeu quem são sempre as primeiras vítimas das crises dos bancos. Dir-me-ão: mas, não, não é a estes que o senhor Dijsselbloem se dirige. Pois não, mas não estão livres deste problema e serão, seguramente, as suas primeiras vítimas.
É que, reparem, desta triste criatura não ouvimos nem uma palavra contra os banqueiros, financeiros e accionistas que cometem crimes contra a sociedade sem que alguém os detenha; nem um sinal de que os responsáveis pela catástrofe colectiva para que os povos europeus estão a ser empurrados serão duramente castigados; nem uma palavra sobre a obrigação de apertar o controlo da actividade bancária. Não! Pelo contrário: este palhaço prevê ipso facto e aceita como normal que esta situação volte a ocorrer. Quem pagará então as novas crises? Enquanto houver depósitos nos bancos e ordenados para penhorar, taxar e roubar, pelo que diz a Lei de Dijsselbloem, não serão os banqueiros.
Imaginem um exemplo com os serviços de águas. Imaginem que o fornecimento da água era interrompido porque os dirigentes destes serviços se abotoavam com a água toda, desviando-a para os seus depósitos particulares. Imaginem que, na falta generalizada da água, os consumidores eram obrigados a ir de baldinho na mão buscar água às nascentes para encher os depósitos públicos. Imaginem agora obrigá-los a pagar essa água, como se um serviço normal a tivesse fornecido e imaginem que por cada balde carregado iriam mais tarde obrigá-los ainda a deixar parte dessa água no depósito dos directores. É o que se está a passar com a banca. Andamos todos a deitar baldinhos de água nos depósitos dos banqueiros.
A “chiprelhada” irá seguramente espalhar-se a outros países e a solução que parece desenhar-se para a remediar irá ser sempre a que começou por ser tentada em Chipre, se a seita louca que tomou conta dos assuntos de estado na Europa não for corrida e se os seus povos não abrirem os olhos. A insegurança que os cidadãos europeus sentem e sua a falta de confiança nos políticos e instituições europeias nunca foram tão grandes. Aquele cavalheiro Schäuble (que parece estranhamente saído do filme Dr. Strangelove), aquele mesmo de quem Silva Peneda diz que “quer despertar fantasmas de guerra,” já veio, com o beneplácito do BCE, apoiar Dijsselbloem, pois então. Para que não restem dúvidas sobre quem anda a defender os interesses de quem e para que todos nós saiamos desta situação menos apreensivos e mais confiantes...
Enquanto assistimos, frustrados, a episódios como este da dupla Schäuble-Dijsselbloem, enquanto vamos vendo os indicadores europeus cairem para níveis inimagináveis, que trazem ecos da Europa pós-guerra a este século XXI, cresce a certeza de que nos espera o dilúvio se não pararmos estes dementes. Já se viu que nenhum ideal de democracia e justiça fará parar esta gente.
Entretanto, o colchão, esse eterno e sempre fiável conceito primordial da ciência económica, é, de momento, o único "produto financeiro" em que podemos verdadeiramente confiar.

Nota:
Alguns links interessantes:
Disciplina bancária, mera ilusão de ótica! 
O dinheiro como dívida

Quinta-feira, Março 28, 2013

Memórias do Subdesenvolvimento

Alguém imagina um país europeu, onde todos os canais de televisão têm, em permanência, políticos (comentadores) nos seus programas a comentar a actualidade política na qual eles próprios são parte interessada? Eu não conheço nenhum. A excepção é Portugal.
Reparem só: Marques Mendes (ex-ministro), Bagão Félix (ex-ministro), Jorge Coelho (ex-ministro), Francisco Louçã (ex-deputado), todos na SIC; Marcelo Rebelo de Sousa (ex-deputado),  Pedro Santana Lopes (ex-primeiro-ministro), Francisco Assis (ex-deputado), Fernando Rosas (ex-deputado), todos na TVI; Morais Sarmento (ex-ministro), José Sócrates (ex-primeiro-ministro), todos na RTP. Esqueci-me de algum? 
E os comentadores, propriamente ditos? Bem, esses também lá estão e são, claro, em maior número.  Mas, nesse caso, que estão eles lá a fazer, se os políticos controlam o espaço público e privado das estações que os contrataram como profissionais de opinião?  A única explicação é o clientelismo endémico de que padecem as sociedades subdesenvolvidas, onde as relações de patrocinato são um traço característico do atraso cultural em que estas sociedades ainda se encontram. 
As coisas são o que são e, enquanto não mudarmos esta mentalidade, não há estratégias de desenvolvimento que nos valham.

Sábado, Março 23, 2013

Ao chão!

A deputada Teresa Leal Coelho acha que "não vamos deitar ao chão o percurso que já fizemos com sangue suor e lágrimas."
Está a senhora deputada redondamente enganada. Vamos deitá-la mesmo ao chão, com suor certamente, esperemos que com poucas lágrimas, e, sobretudo, sem sangue. Mas com grande aparato!

Quarta-feira, Março 20, 2013

Há dias assim...


De acordo com as notícias, hoje é “Dia Internacional da Felicidade”. 
Quer dizer, a ONU (who else?) declarou o dia de hoje como o Dia da Felicidade. Se a ONU achou por bem proclamar tal coisa, quem sou eu para contradizer uma instituição tão prestigiada?  
Porque está sol (afinal, começa hoje a Primavera...) e estou bem disposto, nada como ler as notícias, mesmo aquelas mais improváveis, pois desde há uns anos a esta parte que o Mundo passou a ser um lugar imprevisível e nunca estamos a salvo de surpresas, mesmo as mais improváveis. Até agora, e ainda o dia vai a meio, já foram três... 
Primeira surpresa: O parlamento cipriota rejeitou, por maioria absoluta e inequívoca, o plano de ajuda europeu a Chipre, que implicava a taxação dos depósitos bancários abaixo de 100.000 euros. Depois da Islândia (que não pertence sequer ao grupo do Euro) não me lembro de uma resposta tão clara de um país à chantagem das actuais instituições europeias.
Segunda surpresa: O Tribunal Cível de Lisboa pronunciou-se negativamente sobre a candidatura de Fernando Seara à Câmara de Lisboa, no seguimento de uma providência cautelar interposta pelo grupo de cidadãos “revolução branca”, contra a candidatura do presidente da Câmara de Sintra, após três mandatos consecutivos à frente de uma autarquia.
Terceira surpresa: O apartamento da Sra. Christine (FMI) Lagarde  em Paris, foi hoje objecto de busca por parte da policia francesa, devido a alegado envolvimento no branqueamento de capitais do Sr. Tapie, quando ela era ministra de finanças de Sarkozy. 
Dirão os leitores deste “post”: nenhuma destas notícias é algo com que nos possamos regozijar. É verdade.  Mas, como dizia o poeta: “algo és algo”. Ou já não se pode ser feliz?

Sábado, Março 16, 2013

Um programa mal concebido


Soubemos hoje, após mais uma avaliação da Troika e da extraordinária comunicação do  ministro Gaspar ao pais, que nenhuma das previsões tinha sido atingida e que todos os indicadores determinantes (valor do défice, produto interno bruto, recessão e taxa de desemprego) tinham piorado. Isto, depois da última visita da troika, em finais do ano passado e das recentes previsões (em alta) do ministro colossal, em Janeiro deste ano. 
Como o disparate há muito deixou de ser quantificável, o “crânio” especializado em economia e finanças que dá pelo nome de Miguel Frasquilho, veio esta tarde ler um comunicado de imprensa onde dizia que “estas revisões deixam à vista de todos que o programa original apresentado em Maio de 2011 tinha sido mal desenhado, mal concebido, com projecções e efeitos que, sabemos agora, tinham pouca ou nenhuma adesão à realidade”.  Como? 
Esta gente ensandeceu, é apenas incompetente, ou pensa que as pessoas andam a dormir? 
Então não foram os partidos desta coligação que, juntamente com o PS, é bom lembrá-lo, assinaram o Memorando em 2011 e que tudo fizeram nestes últimos dois anos, para “ir além da troika” como, muito ufanos no seu papel de bom aluno da Alemanha, sempre afirmaram?
Não fosse a trágica dimensão desta crise, que nos vai conduzir, no curto prazo, a um ponto de não retorno e a uma situação sem paralelo nas últimas décadas, quase dava vontade de rir tanta idiotice junta.  Infelizmente, é verdade. 
Pior ainda, porque mais trágica, foi a completa subserviência da comunicação social portuguesa nesta encenação lúgubre, em que não ouvimos uma pergunta critica sobre a “má concepção” deste programa que nos andam a impingir. Perante esta complacência acrítica, é de recear o pior. Toda esta gente mete nojo.
   

Sexta-feira, Março 01, 2013

The cook, the thief, his wife and her lover


De acordo com o “Público” de hoje, Isaltino Morais acaba de criar duas empresas em Maputo.  O autarca tem como sócios, um adjunto da Câmara de Oeiras, um grande construtor civil que tem parcerias com o município, dois criadores de cavalos e três moçambicanos. Desconhece-se a nacionalidade dos cavalos.

Quinta-feira, Fevereiro 21, 2013

Esta gente não se enxerga

Portugal está numa encruzilhada e, tão cedo, não sairá dela.
É uma verdade de “La Palisse”, mas é necessário pensar depressa, porque a realidade não se compadece com análises macro económicas e, muito menos, com as projecções de Victor Gaspar que, ontem mesmo no parlamento, admitiu o erro crasso que cometeu. Resta saber se por incúria, incompetência, estratégia, ou todas estas coisas ao mesmo tempo...
Já não são necessárias estatísticas do INE, da OCDE ou do EUROSTAT, para os portugueses perceberem o que lhes está a acontecer. A simples observação empírica da realidade que nos rodeia, é um bom barómetro da situação. Basta andar pelas ruas, ver o número de pedintes a cada esquina, ou os sem-abrigo que se amontoam nas arcadas das lojas de luxo da Avenida da Liberdade, dos ministérios no Terreiro de Paço e nas estações do Cais do Sodré e de Santa Apolónia, para confirmá-lo. O número de lojas com promoções acima dos 60%, ou anunciando saldos por encerramento, aumenta de forma exponencial. A restauração (depois do aumento do IVA de 13% para 23%) enfrenta a sua pior crise dos últimos 40 anos e, com o fecho do comércio de retalho, os fornecedores a montante têm cada vez mais dificuldade em sobreviver. A economia há muito que deixou de crescer a níveis mínimos de sustentabilidade (2%) que permitam criar emprego duradouro e impulsionador do consumo para dinamizar a dita. Um círculo vicioso. Chama-se recessão e, como dura há mais de 18 meses, tornou-se estrutural, de tal forma que até o insuspeito economista Cavaco Silva já lhe chamou “espiral recessiva”.
Perante tal calamidade, que está a levar à indigência social e económica milhares de portugueses, que faz o governo? Refugia-se em discursos hiperbólicos, argumentando que a culpa foi de quem deixou o pais neste estado, como se o PSD (em alternância com o PS)  não tivesse governado o país nos últimos 37 anos! Pior: os seus governantes mais odiosos e odiados, mantêm-se em exercício de funções, mesmo quando contra eles pendem acusações tão graves como o das “viagens fantasma” no parlamento, as pressões censórias sobre jornalistas como Pedro Rosa Mendes na TSF ou uma jornalista do “Público”, de recente memória. Isto, para já não falar do escândalo da Ongoing e do papel da loja maçónica da Mozart à qual pertencerá o referido ministro, ou da licenciatura “turbo” feita em 20 meses, uma afronta para todos aqueles que estudam e pagam do seu bolso uma formação de 5 anos!
Não é, pois, de admirar, que nos últimos dias, as manifestações de desagrado e indignação tenham subido de tom, normalmente ao som da “Grândola” de boa memória. Foi no parlamento com Passos Coelho, no Porto e posteriormente em Lisboa com Miguel Relvas e, ontem, com Paulo Macedo, no Porto. Não nos devemos admirar que mais manifestações se repitam por estes dias. A democracia não se esgota na representatividade parlamentar: há muitas formas de protesto e a indignação, como, de resto, a desobediência civil, são apenas duas delas. Ainda não estamos na Grécia, onde a violência campeia nas ruas, mas estamos muito perto e não se podem culpar as pessoas por isso. São as actuais medidas de austeridade que sufocam a maioria da população  e que não lhes deixam alternativas. Até porque, este governo foi eleito com promessas que nunca cumpriu e por isso quebrou o contrato social pelo qual foi eleito. Perdeu, por isso, qualquer legitimidade democrática.

Sexta-feira, Fevereiro 15, 2013

Esta gente não se aguenta!

É oficial: a politica seguida pelo governo falhou.
 Os números não mentem e, contra números, falham todos os argumentos. O número de desempregados atingiu a fasquia “record” de 920.000 cidadãos inscritos nos centros de desemprego, o que corresponde a 16,9% da população produtiva do pais (ou seja, 1 em cada 5 portugueses está, neste momento, desempregado). Destes, 43% já não recebem qualquer tipo de subsídio ou apoio. Entre os desempregados, 40% são jovens, abaixo dos 34 anos. Se contabilizarmos os desempregados não-inscritos, o total rondará 1,4 milhões, uma cifra nunca atingida em Portugal desde que há memória estatística.
A montante (et pour cause) a queda do crescimento económico é agora de 3,2% do produto, em comparação com o período homólogo, enquanto o crescimento, propriamente dito, não sobe acima dos 0,2% do PIB. Porque uma má notícia nunca vem só, as exportações (essa ilusão macro-económica dos economistas que nos governam) perdeu o balanço que sustentava algum optimismo e, como as economias do Euro começaram a abrandar, compram agora menos às periferias e afectam directamente a nossa balança de pagamentos. “Mutatis-mutandis”, dado que a economia não cresce, não são criados empregos e, sem empregos, não há poder de compra para sustentar a economia, nem dinheiro para pagar os subsídios e apoios sociais de todo o tipo, enquanto a dívida soberana continua a aumentar e a ser paga aos credores.
A jusante, as sequelas começam a ser visíveis a olho nu e já não são necessárias estatísticas para nos convencerem do fosso em que caímos:
As prestações das casas deixaram de ser pagas aos milhares (7.800 no último ano) e, com a nova lei de arrendamentos, este número vai certamente aumentar. No seu relatório anual, publicado no “Público” de hoje, a Caritas revela que 28,6% das crianças portuguesas (mais de 1/4 da população infantil!) estava em risco de pobreza ou exclusão social, número que, provavelmente já aumentou desde então.
As filas, nos centros sociais e nos bancos alimentares, aumentam diariamente e as corridas às reformas dispararam em todos os sectores. Os mais aptos e qualificados procuram saída através da emigração e o desespero instala-se nas famílias sem qualquer perspectiva de futuro. Começa a ser preocupante o número de homicídios e suicídios na sociedade portuguesa, que não podem nem devem ser desvalorizados ou desligados da realidade social actual.
Perante esta verdadeira calamidade social, que faz o governo? Defende a sua politica prometendo-nos um dia melhor (quando?) talvez lá para 2014 ou 2015, se as condições se inverterem, com o argumento que temos primeiro de pagar aos credores (a juros que estes determinam) para dessa forma provarmos ser bem comportados e merecermos a sua condescendência.
Obviamente que ninguém acredita neste “promissor futuro” e, mesmo admitindo que daqui a um ano ou dois as perspectivas mudavam, só um desmiolado acredita que depois de três anos de uma politica de terra queimada, alguma coisa vai subsistir na actual economia. A verdade é que nada vai ser como dantes e todas as conquistas (ordenados, meses-extra, apoios sociais, educação, serviço nacional de saúde, etc.) vão acabar.
E porque a economia vai ser destruída, o governo que se seguir (seja ele do PS, ou outro), não terá outra alternativa a não ser manter a situação neste nível de indigência a que os actuais governantes nos conduziram. É este o dilema. Quanto mais tempo aguentarmos Passos Coelho e a Troika, pior será o nosso futuro.

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2013

Paganismos

Jano é o deus romano das duas caras. Convém alertar os mais crédulos para o facto de que se trata de uma metáfora. Só mesmo um deus, e pagão, poderia ter tais dotes. Jano, na realidade, não existe...
Mas esta ideia das duas faces de Jano leva-me a trazê-lo aqui ao Face a propósito de notícias que hoje  dão conta do caso dos técnicos da Segurança Social que aconselham jovens grávidas, sem recursos, a abortar. Há diversos testemunhos a confirmar esta actuação e o assunto parece estar longe de poder ser considerado resultado de uma acto de algum anormal, demente e em autogestão.
O ministro Mota Soares tem de dar explicações urgentes sobre esta questão. Tem de clarificar tudo isto. O silêncio tem, como Jano, duas caras. E ao CDS/PP, partido a que pertence o ministro e membro da coligação que governa o país, exige-se que venha também a público comentar este assunto.
Olhando para Mota Soares, numa primeira leitura, fico com a fortíssima suspeita de que o ministro não é sequer capaz de olhar para trás, quanto mais para a frente e, pior ainda, ao mesmo tempo...

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2013

Governo B

O que quererá dizer exactamente esta afirmação do PM de que as substituições no governo "não têm dignidade de primeiro plano político?" Significará que estes cargos são menores? Que os novos responsáveis são chumaços que substituem chumaços? Que ser secretário de estado é trivial?
Se não têm dignidade de primeiro plano político para que serve o cargo? Porquê aumentar até o  número destes, confessadamente, quase inúteis? O que pensarão os outros "secretários de estado" de tudo isto?
Qual é então a justificação para que seja o PR a dar-les lhes posse e não o seu chefe de gabinete? E que dizer de um PM que escolhe e chefia um governo de inúteis segundos planos políticos, sem dignidade?

Segunda-feira, Janeiro 21, 2013

Conhecer a Dívida para Sair da Armadilha

Realizou-se este fim-de-semana, nas instalações do Instituto Franco-Português em Lisboa,  o “1º Encontro Nacional da Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública”, subordinado ao mote “Crises não pagam dívidas”. 
O Encontro, que fechou o  primeiro ano de actividades da Comissão de Auditoria, eleita em 17 de Dezembro de 2011 no Cinema S. Jorge, tinha como objectivos principais apresentar o “Relatório Preliminar do Grupo Técnico”, avaliar as actividades desenvolvidas em 2012, discutir novos planos de acção e eleger uma nova comissão para 2013. A sessão, para a qual se inscreveram cerca de 400 participantes, entre activistas e apoiantes, encheu literalmente o auditório do IFP, que se revelou pequeno para todos aqueles que se interessam por esta causa pública.
Na sessão da manhã, destaque para o balanço das actividades do IAC neste primeiro ano, e a apresentação do “Relatório Preliminar”, a cargo do relator José Castro Caldas, onde seriam abordados alguns “casos de estudo” investigados.
A parte da tarde seria dedicada às comunicações dos convidados estrangeiros, Éric Toussaint (que já estivera presente no S. Jorge) e António Sanabra Martin, da ATTAC espanhola, para além da aprovação da Resolução deste 1º Encontro Nacional e a escolha da Comissão Coordenadora para 2013, composta de 56 nomes da sociedade civil, 48 dos quais transitam da Comissão anterior.
O IAC continua aberto à participação activa de todos aqueles que, a nível nacional, queiram participar e apoiar este movimento de Auditoria Cidadã à Dívida Pública, o qual entra, agora, no seu segundo ano de actividade.
Para mais informações os interessados podem consultar o “site” do IAC. O “Relatório Preliminar do Grupo Técnico” pode ser descarregado aqui.

Sexta-feira, Janeiro 18, 2013

Toma lá o tempero!


Para dar um bocadinho mais de sal à educação, a PSP usa gás pimenta. O Ministério cumpre assim o seu desígnio e "educa".
A polícia diz que evitou uma "acção mais musculada". O Ministério da Educação vai revelar em conferência de imprensa a possibilidade de convidar Rambo para Director Geral do Ensino Secundário, acumulando com funções directivas também nos jardins de infância.
E o país vai preparando desta forma os seus futuros contribuintes...