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2024/04/24

25 de Abril, sempre!


 

Grândola vila morena, Terra da fraternidade  

O povo é quem mais ordena, Dentro de ti ó cidade

 

Dentro de ti ó cidade,  O povo é quem mais ordena 

Terra da fraternidade, Grândola vila morena

 

Em cada esquina um amigo, Em cada rosto igualdade

Grândola vila morena, Terra da fraternidade

 

Terra da fraternidade, Grândola vila morena

Em cada rosto igualdade, O povo é quem mais ordena

 

À sombra de uma azinheira, Que já não sabia a idade

Jurei ter por companheira, Grândola a tua vontade

 

Grândola a tua vontade, Jurei ter por companheira

A sombra de uma azinheira, Que já não sabia a idade 


Autor: José Afonso

2021/09/17

Grândola: "Que é feito dos cantautores?"

Realizou-se no passado fim-de-semana, em Grândola, mais uma edição dos "Encontros da Canção de Protesto", uma iniciativa do "Observatório da Canção de Protesto" (OCP), organismo resultante da parceria entre a Câmara Municipal local, entidade promotora, a Associação José Afonso (AJA) a Sociedade Musical Filarmónica Operária Grandolense, os Institutos de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o Centro de Estudos de Sociologia Estética e Musical (CESEM), o Instituto de Etnomusicologia (INET-md) e o Instituto de História Contemporânea (IHC). 

Trata-se de um projecto, lançado em 2007, então denominado "Observatório Mundial da Canção de Protesto" que, numa primeira fase, foi apadrinhado pela autarquia em exercício e que, posteriormente (2015) seria recuperado com o nome actual, agora mais consentâneo com os fins a que se propõe. "Os seus objectivos são o estudo, a salvaguarda e a divulgação do património musical tangível e intangível da Canção de Protesto, produzida durante os séculos XX e XXI, através da realização de iniciativas culturais diversas" (dos objectivos). 

Esta foi a terceira edição dos Encontros, pelos quais têm passado alguns dos intérpretes nacionais mais marcantes da "Canção de Protesto", a que alguns chamam "Canção de Intervenção", "Canção de Resistência" ou "Canto Livre", de acordo com a época e os intervenientes do género musical.  Depois da edição de 2020, marcada pela pandemia que obrigou ao cancelamento de vários concertos (ex. Sérgio Godinho), esta edição, que decorreu entre 10 e 12 de Setembro, cumpriu rigorosamente a programação anunciada, ainda que nem sempre dentro dos horários previstos. Uma pecha menor já que, uma vez em Grândola, era difícil sair e os "encontros" servem para isso mesmo: voltar a encontrar quem não víamos há um ano...

Do programa desta edição, destaque para a comemoração dos 150 anos do hino "A Internacional", evocado em quatro momentos distintos: uma exposição de cartazes alusivos, produzida pelo OCP, que podia ser vista no Parque Central da vila; o concerto "Se toda a gente se juntar" pelo Coro da Achada, com textos e canções da Comuna de Paris; o documentário "The Internationale" (Peter Miller) e uma sessão testemunhal, que teve a participação de António e Carlos Moreira, Paulo Guimarães, Samuel Quedas e Hugo Castro, que evocaram as suas experiências com o hino em debate. 

Das sessões testemunhais mais concorridas, as dedicadas a "Grândola" (canção) e à sua gravação nos estúdios de Hérouville, por dois cantores presentes, Godinho e Fanhais (ao tempo a residir em Paris), constituíram momentos de emoção e humor, com histórias desconhecidas do grande público. Destaque ainda, no âmbito dos colóquios, para a comunicação de Anthony Seeger (sobrinho do grande Pete Seeger) que, dos Estados Unidos, participou por skype numa das mais interessantes sessões do certame, subordinada ao tema" A função política e social da canção", que teve a colaboração de Diana Dionísio, Mário Correia e Carlos Calixto. 

Finalmente, a parte musical, sempre a mais aguardada e participada, já que pelos palcos montados para os Encontros, passaram alguns dos nomes míticos da canção: 

Destaque para as boas intervenções do duo Grace Petrie (canto e guitarra) e Ben Moss (violino), dois "folkies" de gema, que deliciaram a assistência com canções de autoria própria, a comprovar que, em Inglaterra, o revivalismo folk dos anos setenta, continua vivo e de boa saúde. Outra agradável surpresa, seria o grupo "Al Sur", de nome espanhol, mas de origem portuguesa, que interpretou em modo pop-rock, baladas e canções de diversos autores, e.o. Saramago e José Afonso. Bom projecto musical.

Os momentos altos da festa estariam, no entanto, guardados para o palco principal, com as actuações (na primeira noite) de Sérgio Godinho e os Assessores que, em versão electrificada, recordaram canções dos primeiros álbuns do cantor, provando que a inovação não é inimiga da tradição; depois, o grande concerto de sábado à noite, com a presença dos míticos cantores espanhóis Paco Ibañez, Luís Pastor, Quico Pi de La Serra, Bernardo Fuster e dos portugueses Carlos Alberto Moniz e Samuel Quedas que, conduzidos pelo mestre de cerimónias José Fanha, alternaram em palco, nalgumas das suas mais conhecidas canções. Finalmente, o concerto de encerramento, evocativo do cinquentenário do LP "Cantigas do Maio", que foi integralmente cantado por Francisco Fanhais e João Afonso, acompanhados musicalmente por Rui Pato e pela Sociedade Musical Filarmónica Grandolense. Melhor final, era impossível. 

"Que fue de los cantautores?" (Que é feito dos cantautores?), perguntava-se Luís Pastor no seu poema-manifesto, que vem declamando há décadas e voltou a cantar em Grândola. Bom, eles continuam por aí e não desistiram, como os Encontros de Grândola comprovaram. Resta saber por quanto mais tempo. Para o ano, há mais. 

2014/03/26

Cantar Grândola 40 anos depois


O concerto "Cantar Grândola, 40 anos depois",  realiza-se no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 28 de Março de 2014 e é organizado pela Associação José Afonso com a colaboração da Casa da Imprensa. Pretende-se evocar o espectáculo que há 40 anos se realizou na mesma sala e no qual a canção GRÂNDOLA VILA MORENA, de José Afonso, seria escolhida pelos militares como uma das senhas para o desencadear das operações do 25 de Abril. 
O espectáculo de 29 de Março de 1974, organizado pela Casa da Imprensa para entregar os prémios com que anualmente distinguia personalidades da área cultural, adquiriu o significado de um acto de resistência à ditadura, com a sala do Coliseu lotada com cerca de cinco mil pessoas vigiadas por um forte dispositivo policial. As autoridades tentaram impedir a sua realização que, só na própria noite, foi autorizado, mas com a proibição de diversas canções como "Venham mais cinco", "O que faz falta", "Menina dos olhos tristes e "A morte saiu à rua".
Estranhamente, os censores autorizaram "Grândola Vila Morena", o que seria aproveitado por José Afonso e todos os participantes no palco, para a entoarem em uníssono, no que foram acompanhados pelo público presente. Na assistência, alguns dos militares que preparavam o 25 de Abril, aperceberam-se da força mobilizadora da canção, tendo-a escolhido como segunda senha da operação militar que poria fim ao regime dictatorial. O resto, é história.
Para comemorar a data, foram convidados cantores, nacionais e estrangeiros, de várias áreas musicais, entre participantes no concerto de há 40 anos, "companheiros de estrada" do Zeca e intérpretes da sua obra que, numa sessão que se prevê histórica, irão evocar a efeméride. 
O concerto está esgotado, mas o evento merece ser assinalado. Que a voz não nos esmoreça!  

2009/08/03

Como se fora seu filho

Se fosse vivo, José Afonso teria feito ontem oitenta anos.
Uma afeméride, que a Câmara de Grândola vem assinalando de há dois anos a esta parte através de um programa subordinado ao título "Como se fora seu filho".
Do programa deste ano, composto por um colóquio, uma exposição e um concerto, destaque para este último que ontem se realizou no auditório Cine Granadeiro, recentemente reaberto, após renovação.
Lá estivemos, para escutar Cristina Branco e um quarteto de jazz, que apresentou o projecto "Abril" dedicado à obra do Zeca.
Canções e refrões de sempre que os "grandolenses" conhecem de cor e que um dia o poeta, sem imaginar o futuro, lhes dedicou com gratidão. Chegou a vez da "vila morena" retribuir. Como se fora a um filho seu.