2026/01/03

2026: O Inverno do nosso descontentamento

Não começou bem o ano. 

Para quem, ainda há três dias, fazia votos de paz no Mundo, Trump (who else?) encarregou-se de desfazer as poucas ilusões que restavam. 

O ataque, esta madrugada, à Venezuela, um país soberano (ainda que governado por um autocrata), deve ser objecto de condenação e repúdio por todas as forças democráticas internacionais, única forma de salvaguardar o que resta do direito internacional e das instituições que asseguram o cumprimento das suas leis. 

Acontece que o Mundo mudou e não foi para melhor. A chegada ao poder de autocratas como Trump, fortaleceu outras ditaduras que, por sua vez, vêem na eleição do presidente americano, a validação das suas próprias políticas de expansão. O caso mais notório é o de Israel, que continua impunemente a ocupar territórios e a matar indiscriminadamente civis, num dos maiores genocídios cometidos no pós-guerra. 

O Mundo unipolar acabou. As grande potências (leia-se, ditaduras) preparam-se para dividir o Mundo em zonas de influência, com vista a dominar o controlo e exploração das riquezas fundamentais para a sua dominação. Os EUA voltaram à "doutrina Monroe" e preparam-se para "libertar" a América Latina de influências estrangeiras; em troca, Trump "oferece" a Ucrânia a Putin, que continua a sua expansão imperialista para Ocidente; enquanto a China, ficará com o Pacífico e, mais cedo ou mais tarde, anexará Taiwan. 

Resta saber, como foi possível raptar Maduro da Venezuela sem cumplicidades internas e, eventualmente, do apoio implícito de outros governos, informados previamente da operação...  

Da Europa, como de costume, nada de relevante a assinalar, à excepção das declarações de Kallas, a "tonta" de serviço, que se apressou a condenar o governo de Maduro, como se o facto, de ele ser um ditador, pudesse justificar o ataque a um país soberano. Já de Rangel, certamente desaparecido em combate, nada de significativo como de costume, salvo a pífia declaração de que a comunidade portuguesa emigrada na Venezuela, está sã e a salvo. Antes assim...

Bem vindos a 2026!