Os resultados das eleições presidenciais, não constituem propriamente uma surpresa. Passaram à 2ª volta, os candidatos que, ao longo da campanha, foram apontados como os finalistas mais prováveis.
Se houve surpresa, foi nas percentagens finais, já que a maioria das sondagens sempre colocou Ventura à frente de Seguro, o que se revelou ser um erro de "percepção". Resta saber, se dos entrevistados, se das empresas de sondagens, ou de ambos...
Para esta, aparente, discrepância, poderá haver várias explicações: o número de candidatos, que tornou esta eleição a mais disputada de sempre; a alta percentagem de indecisos, ate às vésperas da eleição; e a consciência do perigo de uma vitória do candidato fascista.
Pesem todos os prós e contras, o resultado de ontem não pode deixar de agradar aos democratas que, não se revendo na personalidade e nas ideias de Seguro (contra mim, falo), não deixaram de congratular-se por esta primeira vitória da democracia. Apesar disso, este resultado, sendo importante, poderá não ser suficiente. Nada está garantido, ainda que a dinâmica de vitória e os apoios, possam crescer a partir de agora.
Contas feitas, Seguro tem agora, para além dos 31% da sua campanha. mais 5% dos pequenos partidos de esquerda e grande parte dos votos de Marques Mendes, de Gouveia e Melo e, quem sabe (?), de muito boa gente da Iniciativa Liberal, que não se revê necessariamente no fascismo de Ventura e das franjas mais liberais da AD e da IL. Tudo somado, certamente suficiente para obter 50% dos votos na 2ª volta.
Já Ventura, apesar de ter mantido os votos do seu grupo-alvo (23,5%, a votação máxima do partido), poderá crescer à direita, agora mais dividida que nunca e pressionada perante o perigo de deixar crescer demasiado o Chega. Será realista pensar que (o Chega) pode crescer até aos 30% a 35%...
Estranho, ou talvez não, foi o "silêncio ensurdecedor" do primeiro-ministro e das candidaturas de Marques Mendes e de Gouveia e Melo, relativamente ao endosso de votos na 2ª volta. Era de esperar mais clarificação nas suas opiniões. Afinal, o que está em causa, é defender a eleição de um candidato democrata versus um candidato autoritário. Será que têm dúvidas?...
Faltam três semanas para a próxima ronda e nada está garantido. Para Montenegro, a ideia de ter um presidente da área "socialista", não deve "assustar" mais do que ter um presidente fascista. Ventura já disse ao que vem e tudo fará para canibalizar o PSD e tornar-se o líder da direita portuguesa. Já de Seguro, um representante da "3ª Via", pouco há a temer. Com ele, o governo, poderá "dormir" tranquilo...
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