Agora que a guerra parece estar "na moda", não há bicho careto que não venha aos estúdios televisivos mostrar a sua sapiência em geoestratégia e armamento sofisticado, coisas só ao alcance de mentes esclarecidas, que não se cansam de afirmar que a guerra está por um fio e que os vencedores serão (quem duvida?) os combatentes do "bem".
Chamam-lhe "comentadores" e há-os de todas as matizes e plumagens. Uma coisa, parecem ter em comum: os combatentes do "mal" são, invariavelmente, russos, muçulmanos ou chineses, que também não são de fiar. Bons mesmo, são os americanos, mesmo quando sabemos que já provocaram centenas de guerras desde que existem como nação e que têm mais de 800 bases militares espalhadas pelo Mundo. Tudo para defender a democracia e a paz, claro.
Já os portugueses sempre foram anti-russos (48 anos de fascismo deixaram marcas). Acresce que os portugueses saíram dos fascismo, mas o fascismo não saiu da cabeça dos portugueses.Faz sentido: não basta mudar a Constituição para passarmos a ser democratas. Estas coisas são culturais e levam gerações a mudar.
Com as recentes crises (subprime, covid, guerras...) a situação agravou-se e os velhos "fantasmas" voltaram, agora apelidados de "populistas" (um eufemismo para neo-fascistas mascarados de revoltados contra o sistema). Nada de muito novo aqui, já que o fascismo volta sempre, ainda que nem sempre seguindo os mesmos métodos.
De todos os "combatentes pela liberdade", os militares são um grupo à parte. Destacam-se os generais, uma "casta" privilegiada, que raramente dá o corpo às balas, mas que manda os jovens para a frente da batalha, morrer em nome da pátria (!?).
De há quatro anos a esta parte (Ucrânia) que os canais televisivos, estão enxameados de "experts" militares, para nos explicar a arte da guerra. Uns, porque dela nunca saíram e sofrem de stress pós-traumático (o Lobo Antunes explica); outros, porque têm pouca utilidade na vida civil e, já que não podem ganhar as estrelas de generalato nos campos de batalha, tentam compensar a inactividade com comentários no sofá.
É fazer as contas: 4 anos de guerra (já são 3 guerras, entretanto...) a comentar diariamente os avanços das "tropas russas", pagos em avenças chorudas, sempre dá um bom pecúlio.
E ainda dizem que a guerra não compensa...