Em Julho de 2006 escrevi aqui, a propósito da partida de Maria João Pires para o Brasil e do fim da sua associação ao projecto de Belgais, que com ela afastada tudo aquilo iria acabar por definhar e morrer. Escrevi na altura que era um sentimento quase de luto que experimentava. Hoje Joana Pires, filha de Maria João fez saber que Belgais "vai fechar devido a um arresto de bens e à falta de apoios." Um fim bem pior do que eu próprio antecipava em 2006. Ainda alimentei a esperança de que o património criado por Belgais fosse aproveitado de alguma forma, reconvertido ou reutilizado, apesar de tudo. Nunca pensei que os responsáveis regionais e nacionais se dessem ao luxo de deitar, simplesmente, tudo aquilo para o lixo. Infelizmente, assim aconteceu.
Joana Pires revela agora que "após o encerramento da escola do primeiro ciclo da Mata e do Coro Infantil, não deve restar nada do projecto de Belgais iniciado pela minha mãe".
Em 2003 acompanhei na escola da Mata, perto de Belgais, a assinatura de um protocolo entre o ministro de educação de então (cujo nome não ficou para a história) e os responsáveis do Centro de Estudo das Artes de Belgais. O objectivo do protocolo era a criação de uma parceria entre essas duas estruturas com vista à integração, naquela escola, do ensino artístico com o programa do primeiro ciclo. A cerimónia decorreu com a devida pompa e circunstância. Para além do ministro, o cortejo oficial integrava um sem número de figuras que não queriam naquela altura ficar fora daquele retrato.
No final, numa singela cerimónia que decorreu já em Belgais, o Coro Infantil de Belgais presenteou todas aquelas luminárias com uma comovente intervenção musical. A enorme qualidade do coro, o total empenho e alto grau de responsabilidade daquelas crianças, constituia o fecho perfeito para aquela cerimónia: o Coro era a prova viva --para quem soubesse ou quisesse ler tudo aquilo-- de que os ideólogos de Belgais estavam certos. O futuro estava certo.
Joana Pires revela agora que "após o encerramento da escola do primeiro ciclo da Mata e do Coro Infantil, não deve restar nada do projecto de Belgais iniciado pela minha mãe".
Em 2003 acompanhei na escola da Mata, perto de Belgais, a assinatura de um protocolo entre o ministro de educação de então (cujo nome não ficou para a história) e os responsáveis do Centro de Estudo das Artes de Belgais. O objectivo do protocolo era a criação de uma parceria entre essas duas estruturas com vista à integração, naquela escola, do ensino artístico com o programa do primeiro ciclo. A cerimónia decorreu com a devida pompa e circunstância. Para além do ministro, o cortejo oficial integrava um sem número de figuras que não queriam naquela altura ficar fora daquele retrato.
No final, numa singela cerimónia que decorreu já em Belgais, o Coro Infantil de Belgais presenteou todas aquelas luminárias com uma comovente intervenção musical. A enorme qualidade do coro, o total empenho e alto grau de responsabilidade daquelas crianças, constituia o fecho perfeito para aquela cerimónia: o Coro era a prova viva --para quem soubesse ou quisesse ler tudo aquilo-- de que os ideólogos de Belgais estavam certos. O futuro estava certo.
Foram pérolas deitadas a todos aqueles porcos.
Belgais acaba agora, com direito a arresto e tudo.
Fica-me a recordação da intervenção do Coro Infantil de Belgais no "Coimbra Vibra!" (cf. foto), um evento que ajudei a criar no âmbito do que foi Coimbra Capital da Cultura 2003...
Belgais acaba agora, com direito a arresto e tudo.
Fica-me a recordação da intervenção do Coro Infantil de Belgais no "Coimbra Vibra!" (cf. foto), um evento que ajudei a criar no âmbito do que foi Coimbra Capital da Cultura 2003...