A acreditar na imprensa em geral - mais rápida a inglesa, mais sensacionalista a portuguesa - a "saga da pequena Maddie" parece ter atingido um "turning point" na investigação em curso. De "rapto" a "morte", passando por "negligência por homícidio", temos ouvido de tudo nestes últimos quatro meses.
As imagens desta manhã, em directo de Portimão, mostraram - pela primeira vez - uma multidão hostil e ululante manifestando-se contra a mãe da desaparecida menina. Bastou um interrogatório de 11 horas para que a opinião da opinião pública (que a publicada já tinha avançado com o julgamento) tenha mudado de posição e Kate McCann tenha passado de heroína a homicida.
Independentemente do veredicto final, ninguém poderá julgar Kate antes desta ser julgada. Este é o princípio de inocência que um estado de direito deve começar por respeitar.
Sabemos que a polícia sabe mais do que nós e não deixará impressionar-se por meia centena de "cidadãos indignados" que gostariam de crucificar, desde já, todos os suspeitos. O habitual. Provavelmente, só essa condenação os expiará da mórbida condição de "voyeurs", da qual nunca conseguiram libertar-se. Uma tradição inquisitorial, perpetuada pelo obscurantismo de séculos, em que continuamos a viver. Portugal medieval no seu estado mais bruto. Lamentável.
2007/09/07
2007/09/06
Do Portugal profundo (2)
Ode ao "Óscar" (*)
Lá p'rós lados de Lanhelas
Vive o "Óscar do funil"
Toma conta dos carneiros
leva vida de baril...
Sentado no seu castelo
No meio da mata plantado
Dizem que é eremita
Mas é homem avisado...
Foi criado p'la Maria
Pintora de Amsterdão
Que ajudada pelo Meira
Concebeu a instalação
Agora no Alto-Minho
Volta a reza com fervor
Nasceu um novo "santinho"
Que não precisa de andor
Cuidem-se os santos zelotes
Que o "Óscar" está para durar!
Ainda vai passar à história
Com o IPPAR a ajudar...
Agosto de 2007
(*) Quadras soltas, escritas por ocasião da inauguração de uma instalação de
Maria Mendes, na aldeia de Lanhelas, em Caminha.
Lá p'rós lados de Lanhelas
Vive o "Óscar do funil"
Toma conta dos carneiros
leva vida de baril...
Sentado no seu castelo
No meio da mata plantado
Dizem que é eremita
Mas é homem avisado...
Foi criado p'la Maria
Pintora de Amsterdão
Que ajudada pelo Meira
Concebeu a instalação
Agora no Alto-Minho
Volta a reza com fervor
Nasceu um novo "santinho"
Que não precisa de andor
Cuidem-se os santos zelotes
Que o "Óscar" está para durar!
Ainda vai passar à história
Com o IPPAR a ajudar...
Agosto de 2007
(*) Quadras soltas, escritas por ocasião da inauguração de uma instalação de
Maria Mendes, na aldeia de Lanhelas, em Caminha.
2007/09/02
Do Portugal profundo
Sem computador para trabalhar (ver "post" anterior) resolvi passar uma semana a "banhos". A convite de uma amiga, com casa em Caminha, optei pelo Alto-Minho. Adoro Caminha, por variadas razões: a localização privilegiada, a harmonia do centro histórico da vila, os amigos que fiz ao longo dos anos, as praias, a mata do Camarido, alguns restaurantes e a sensação de estar ao lado da Galiza, ali mesmo à mão de semear...
Por me parecer mais prático e rápido, viajei de autocarro: Não teria de fazer transbordos e havia uma paragem, em Pombal, para estender as pernas. Um total de seis horas, de acordo com o horário. Pelo sim, pelo não, tentei confirmar com a funcionária da empresa de camionagem a que horas chegava. Disse-me que, em princípio, devia ser à meia-noite e meia. Em princípio, porque na vida não há certezas. Elucidativo.
Acontece que a A1 está em obras (construção da terceira faixa) e estivemos parados uma hora e meia, algures na região de Santarém, enquanto as máquinas trabalhavam cinco quilómetros à frente da fila que, entretanto, se formou. A planeada paragem de 20 minutos transformou-se em meia-hora (para os condutores poderem jantar) e, em vez da meia noite, chegámos cerca das duas da madrugada. Jurei a mim mesmo não voltar a usar o autocarro na viagem de volta.
No regresso, optei pelo combóio. Tentei comprar bilhete de véspera, mas a bilheteira estava fechada. No dia da viagem, continuava fechada. O "chefe" de estação, de bandeira vermelha enrolada debaixo do braço, informou-me que podia adquirir o bilhete no combóio, mas foi avisando que teria de mudar em Viana. Em Viana? Sim, a ponte estava em obras, pelo que teria de passar para uma camioneta que me levaria à outra margem do Lima. Aí, retomávamos o combóio...
Com a mala às costas e no meio de um grupo de suecas (de mal a menos) que não percebiam nada do que se passava, lá atravessei a ponte de autocarro e apanhei o combóio seguinte, com meia-hora de atraso...
Obviamente, perdi a ligação com o Intercidades e tive de esperar, em Campanhã, pelo Alfa, que era mais caro e partia uma hora mais tarde. Em Santa Apolónia, ao apanhar um táxi, o taxista informa-me que não pode ir pela "baixa" porque a Praça do Comércio estava fechada ao trânsito. A primeira "grande medida" de António Costa...
Tempo total da viagem, após três combóios, um autocarro e um táxi: 7 horas, uma hora menos do que a viagem de ida em autocarro, para um percurso de cerca de 400km...
Recordei a primeira vez que estive em Caminha, em meados da década de oitenta, já lá vão 22 anos. Fui de autocarro e vim de combóio. Como agora. Demorei exactamente o mesmo tempo. A tradição ainda é o que era...
Por me parecer mais prático e rápido, viajei de autocarro: Não teria de fazer transbordos e havia uma paragem, em Pombal, para estender as pernas. Um total de seis horas, de acordo com o horário. Pelo sim, pelo não, tentei confirmar com a funcionária da empresa de camionagem a que horas chegava. Disse-me que, em princípio, devia ser à meia-noite e meia. Em princípio, porque na vida não há certezas. Elucidativo.
Acontece que a A1 está em obras (construção da terceira faixa) e estivemos parados uma hora e meia, algures na região de Santarém, enquanto as máquinas trabalhavam cinco quilómetros à frente da fila que, entretanto, se formou. A planeada paragem de 20 minutos transformou-se em meia-hora (para os condutores poderem jantar) e, em vez da meia noite, chegámos cerca das duas da madrugada. Jurei a mim mesmo não voltar a usar o autocarro na viagem de volta.
No regresso, optei pelo combóio. Tentei comprar bilhete de véspera, mas a bilheteira estava fechada. No dia da viagem, continuava fechada. O "chefe" de estação, de bandeira vermelha enrolada debaixo do braço, informou-me que podia adquirir o bilhete no combóio, mas foi avisando que teria de mudar em Viana. Em Viana? Sim, a ponte estava em obras, pelo que teria de passar para uma camioneta que me levaria à outra margem do Lima. Aí, retomávamos o combóio...
Com a mala às costas e no meio de um grupo de suecas (de mal a menos) que não percebiam nada do que se passava, lá atravessei a ponte de autocarro e apanhei o combóio seguinte, com meia-hora de atraso...
Obviamente, perdi a ligação com o Intercidades e tive de esperar, em Campanhã, pelo Alfa, que era mais caro e partia uma hora mais tarde. Em Santa Apolónia, ao apanhar um táxi, o taxista informa-me que não pode ir pela "baixa" porque a Praça do Comércio estava fechada ao trânsito. A primeira "grande medida" de António Costa...
Tempo total da viagem, após três combóios, um autocarro e um táxi: 7 horas, uma hora menos do que a viagem de ida em autocarro, para um percurso de cerca de 400km...
Recordei a primeira vez que estive em Caminha, em meados da década de oitenta, já lá vão 22 anos. Fui de autocarro e vim de combóio. Como agora. Demorei exactamente o mesmo tempo. A tradição ainda é o que era...
2007/09/01
Aquela MACuina!
Durante quinze anos fui um utilizador de PC's. Lembro-me do primeiro "desktop", de marca "Tandon", que custou uma fortuna em 1990 e que permanece arrumado, mas operacional, na minha casa de Amsterdão. Também recordo o primeiro "laptop" (um genérico de nome "Magicbook") comprado em 1993, que ainda hoje funciona. Finalmente, o "Toshiba" (satellit) que me foi oferecido em 2003 e que, como os restantes, é regularmente utilizado.
Todos eles me deram horas de alegria, mas o tempo não perdoa. A pouca capacidade dos discos rígidos e a reduzida velocidade dos processadores, exigiam uma resposta mais adequada. Decidi-me a comprar um computador novo e fiz uma prospecção de mercado. Os vendedores mais conscienciosos e os testes da DECO indicavam o MAC como a melhor opção preço/qualidade (mais fáceis de utilizar, melhores "perfomances" técnicas, melhores placas gráficas, praticamente imunes a "virus" e um "design" imbatível). Para além disso, a incompatibilidade de programas tinha praticamente deixado de existir. Falei com amigos informáticos e todos aconselhavam a não comprar um MAC: era mais caro, maior dificuldade na reparação e, porque existem menos utilizadores, mais difícil de conseguir programas...
Uma escolha difícil, com argumentos pertinentes de ambos os lados. Porque sou um utilizador básico (tipo "nabo") optei por arriscar. A utilização "intuitiva" (friendly use), a compatibilidade de programas, agora mais imunes a vírus, tudo embrulhado num imaculado branco, convenceram-me: optei por um Macintosh.
Durante dois anos, a MACuina correspondeu às melhores expectativas. Até há dois meses.
Os primeiros problemas começaram com um estranho "arrastar" de programas, agora cada vez mais lentos. Quando "abria" mais do que um aplicativo em simultâneo, o sistema "bloqueava". O primeiro aviso "sério" chegou com um ponto de exclamação amarelo e a frase: "o volume do seu disco rígido está cheio! Apague alguns aplicativos para libertar a memória!". Fui verificar o disco e verifiquei que tinha dois terços da "memória" livre (!?). A determinado momento, já nem conseguia fazer o "login". Desesperado, consultei o representante da marca, que me aconselhou a comprar um "disco externo", "passar" para este toda a informação e tentar uma nova instalação do programa. Podia ser que resultasse...
Assim fiz, mas não resultou, pela simples razão de que não conseguia sequer aceder aos programas. Voltei à loja e fizeram-me o diagnóstico: o disco rígido estava irrecuperável. Necessitava de um novo. Não garantiam poder recuperar toda a informação. Deixei lá o computador e parti de férias. Paguei duas intervenções técnicas (diagnóstico e instalação) e um disco novo: Total €433,-
Esta semana fui buscá-lo. Metade da informação não foi recuperada (dezenas de documentos e mais de 9000 "mails", entre recebidos e enviados). Vai ser difícil reencontrar alguns documentos importantes. Aos "mails" não responderei. De mal, a menos...
Ontem, durante a reinstalação dos aplicativos, caíu-me o disco externo em cima do computador aberto...o écran parece, agora, um espelho rachado em quatro. Temo o pior. Provavelmente, vou ter de mandar instalar um novo. Mais duas intervenções técnicas e um novo écran.
Tento convencer-me que a maldição dos MAC é uma lenda. Toda a gente sabe que os discos rígidos dos PC's têm problemas e qualquer pessoa pode danificar o écran do seu computador. Adormeço com este pensamento positivo.
Todos eles me deram horas de alegria, mas o tempo não perdoa. A pouca capacidade dos discos rígidos e a reduzida velocidade dos processadores, exigiam uma resposta mais adequada. Decidi-me a comprar um computador novo e fiz uma prospecção de mercado. Os vendedores mais conscienciosos e os testes da DECO indicavam o MAC como a melhor opção preço/qualidade (mais fáceis de utilizar, melhores "perfomances" técnicas, melhores placas gráficas, praticamente imunes a "virus" e um "design" imbatível). Para além disso, a incompatibilidade de programas tinha praticamente deixado de existir. Falei com amigos informáticos e todos aconselhavam a não comprar um MAC: era mais caro, maior dificuldade na reparação e, porque existem menos utilizadores, mais difícil de conseguir programas...
Uma escolha difícil, com argumentos pertinentes de ambos os lados. Porque sou um utilizador básico (tipo "nabo") optei por arriscar. A utilização "intuitiva" (friendly use), a compatibilidade de programas, agora mais imunes a vírus, tudo embrulhado num imaculado branco, convenceram-me: optei por um Macintosh.
Durante dois anos, a MACuina correspondeu às melhores expectativas. Até há dois meses.
Os primeiros problemas começaram com um estranho "arrastar" de programas, agora cada vez mais lentos. Quando "abria" mais do que um aplicativo em simultâneo, o sistema "bloqueava". O primeiro aviso "sério" chegou com um ponto de exclamação amarelo e a frase: "o volume do seu disco rígido está cheio! Apague alguns aplicativos para libertar a memória!". Fui verificar o disco e verifiquei que tinha dois terços da "memória" livre (!?). A determinado momento, já nem conseguia fazer o "login". Desesperado, consultei o representante da marca, que me aconselhou a comprar um "disco externo", "passar" para este toda a informação e tentar uma nova instalação do programa. Podia ser que resultasse...
Assim fiz, mas não resultou, pela simples razão de que não conseguia sequer aceder aos programas. Voltei à loja e fizeram-me o diagnóstico: o disco rígido estava irrecuperável. Necessitava de um novo. Não garantiam poder recuperar toda a informação. Deixei lá o computador e parti de férias. Paguei duas intervenções técnicas (diagnóstico e instalação) e um disco novo: Total €433,-
Esta semana fui buscá-lo. Metade da informação não foi recuperada (dezenas de documentos e mais de 9000 "mails", entre recebidos e enviados). Vai ser difícil reencontrar alguns documentos importantes. Aos "mails" não responderei. De mal, a menos...
Ontem, durante a reinstalação dos aplicativos, caíu-me o disco externo em cima do computador aberto...o écran parece, agora, um espelho rachado em quatro. Temo o pior. Provavelmente, vou ter de mandar instalar um novo. Mais duas intervenções técnicas e um novo écran.
Tento convencer-me que a maldição dos MAC é uma lenda. Toda a gente sabe que os discos rígidos dos PC's têm problemas e qualquer pessoa pode danificar o écran do seu computador. Adormeço com este pensamento positivo.
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