2008/02/13

"Turning Point?"

A tripla vitória de Barack Obama nas primárias de ontem, onde conquistou os estados da Columbia, Maryland e Vírginia, está longe de garantir-lhe a vitória final nas eleições do campo democrático, mas são um sinal inequívoco da "onda" que, neste momento, parece varrer os EUA. Com 8 vitórias consecutivas e 1.223 delegados conquistados (em 2.025 possíveis), Obama ultrapassou pela primeira vez a sua rival directa e tornou-se o fenómeno maior destas eleições norte-americanas. Para Hillary Clinton, que à partida parecia ter os melhores argumentos, os tempos não parecem fáceis. A candidata natural dos democratas tem agora 1.198 delegados, o que não sendo uma diferença significativa em relação ao seu oponente, poderá ser um factor psicológico determinante no comportamento dos votantes futuros. Provavelmente, estamos a assistir a um "ponto de não-retorno" nestas primárias e, a avaliar pelas mudanças operadas no "staff" de Hillary, a candidata percebeu bem os sinais.
Por outro lado, no campo dos Republicanos, as contas começam a tornar-se fáceis. Com um total de 821 delegados (em 1.191 possíveis), a candidatura de John Mccain está a um passo de tornar-se oficial. Os 241 delegados de Mike Huckabee não devem constituir grande ameaça para o veterano do Vietnam. À falta de melhor, esta deve ser a dupla que o campo conservador vai eleger.
Pese a distância e a impossibilidade real de votarmos nas eleições norte-americanas, não podemos ficar-lhes indiferentes. Para o bem e para o mal, os seus resultados vão sentir-se do lado de cá do Atlântico. Como sempre, aliás. Daí o interesse em segui-las. Porque também somos parte interessada.

4 comentários:

Carlos A. Augusto disse...

Obama parece de facto ir num percurso de ascensão que dificilmente será travado. É a tal dinâmica de vitória. Sabendo-se como os americanos são dados a estas coisa das ondas que vão do hula-hoop aos presidentes, adivinha-se o vencedor... E Obama parece, em todo o caso, melhor colocado para defrontar o candidato republicano o que vai certamente ter peso.
As séries televisivas já antecipavam um futuro assim. Em duas séries que passaram por cá tínhamos, num caso uma mulher presidente, noutro caso um afro-americano, como eles gostam de dizer. Nunca percebi aquelas séries como séries de ficção mas sim com manobras de propaganda.
Será por isso que os argumentistas entraram em greve...?

Rui Mota disse...

Boa. Nem sempre vejo essas séries de que falas, mas os guionistas americanos têm uma longa tradição de ficção. Ou será de realidade?
A seguir, como uma verdadeira série, portanto...

Carlos A. Augusto disse...

A ficção pode acabar por ser tanto parte da "realidade" como... a realidade! E, se calhar, é por isso que os argumentistas hollywoodescos querem mais qualquer coisita...

xistosa, josé torres disse...

Se Obama vence ... começa-me a cheirar a sangue.

Al Gore, também já estava eleito e foi o que se viu ...