2021/05/30

Da subserviência portuguesa

Episódio 1

TAP: Take Another Plane 

No passado dia 27 de Maio, fui impedido de embarcar num avião da TAP, que fazia o voo Sevilha-Lisboa.  Motivo: de acordo com a opinião das funcionárias (espanholas) que faziam o "check-in" no balcão da TAP, faltava-me um teste PCR, exigido na maior parte dos aeroportos internacionais. Formalmente, devia ser assim. Expliquei-lhes que, desde 1 de Maio último, as fronteiras entre Portugal e Espanha estavam abertas, por acordo entre os dois estados. Também expliquei que era cidadão português, que regressava ao meu país e que voava num avião da TAP, uma companhia portuguesa nacionalizada, paga pelos contribuintes portugueses, entre os quais me incluo. Em rigor, elas eram pagas com dinheiro público português. Disse isto tudo sem me rir e ficaram a olhar para mim, sem perceberem patavina. "O teste PCR, por favor", repetiam mecanicamente. Mostrei-lhes o teste PCR, feito em Lisboa há quinze dias atrás, necessário para entrar em Espanha e que a TAP não me pediu à partida de Lisboa. Também lhe mostrei o meu certificado da vacina completo (duas tomas de Pfizer) e o documento, fornecido pela DGS, sem o qual a companhia de aviação não me vendia o bilhete. Ou seja, ao preencher o formulário "online", a TAP (antes de vender o bilhete), alerta para o formulário de sanidade da DGS, que é necessário preencher para entrar no país. Imprimi tudo, enviei e paguei. As "señoritas" não estavam convencidas. Pedi-lhes para chamarem uma funcionária superior ou, na falta desta, entrar em contacto com o piloto a bordo (estávamos a meia hora do embarque) e ele que decidisse. Recusaram. Ali, em Espanha, mandavam elas...Respondi, que podiam mandar em Espanha, mas não mandavam em Portugal e muito menos em mim. Acrescentei (confesso que num tom de voz mais exaltado) que competia às autoridades portuguesas em Portugal, avaliar da minha sanidade e que eu faria um teste à entrada do meu país, caso este fosse exigido. Expliquei-lhes que elas estavam a violar um direito internacional e a impedir o regresso de um cidadão português ao seu país. "Que no, que no", elas sabiam e decidiam... 

Juntou-se uma terceira funcionária, enquanto se consultavam entre elas e os respectivos telemóveis, para avaliar das minhas objecções. Disse-lhes que queria fazer uma reclamação à TAP. Não podia ser, pois a TAP tinha encerrado o seu balcão no aeroporto de Sevilha e só o podia fazer pela NET (!?). "E quem me paga o prejuízo", perguntei? Só a TAP podia responder...Ao fim de mais de meia-hora de discussão, surge uma quarta personagem que, peremptória, afirma "no vas a embarcar, no vas a embarcar!".    

Nessa mesma tarde, graças à minha namorada espanhola, que me conduziu de automóvel até ao Algarve (150 km) pude ainda apanhar o comboio regional para Faro, onde cheguei a tempo de apanhar o último Intercidades para Lisboa. 

No dia seguinte, telefonei para a TAP e contei o sucedido a um assistente. Desfez-se em desculpas (sabe nestes tempos de pandemia, etc e tal...) e aconselhou-me a preencher o formulário de reclamação, onde podia escrever até 4000 caracteres. Já seguiu e estou à espera da resposta. Aproveitei para desancar a TAP e dizer-lhe que desta forma não há salvação para uma companhia que não protege os clientes e, ainda por cima, entrega a sua delegação a uma congénere espanhola, que se está positivamente a borrifar para Portugal. Como de resto, os espanhóis sempre fizeram em relação ao nosso país. 

Episódio 2

Futebol: A Final Europeia do Porto

Portugal, assistiu ontem, a mais um triste episódio de subserviência do nosso governo em relação ao turismo e à industria do futebol. O que se passou no Porto, é uma vergonha para todos: para o Governo, para o Presidente da República, para a Câmara Municipal do Porto e para a Federação Portuguesa de Futebol. 

Portugal não era obrigado a organizar a final da "Champions". Foi a FPF que se ofereceu à UEFA para organizar o jogo. Foi uma iniciativa do presidente da federação, com o aval do governo, claro. Acontece que, Portugal, não só organizou o jogo, como permitiu a entrada directa de 16500 "hooligans" ingleses no "Dragão", para além dos milhares que, sem bilhete, voaram para o Algarve e de lá assistiram ao jogo. Chegaram em mais de 50 voos "charter", a maior parte deles sem testes ou máscaras e passaram o dia todo a embebedar-se, como é habitual. No fim, bêbados que nem cascos, houve pancada da grossa entre as claques e ferimentos entre os polícias, que só hoje, de madrugada, puderam descansar. 

Perante a indignação geral e a polémica suscitada, Marcelo já veio comentar, naquele tom beatífico e hipócrita que o caracteriza, lamentando o sucedido e dizendo que temos de aprender com os erros (!?). Costa, o "habilidoso", não quis comentar e tentou passar entre os "pingos da chuva". A sonsa da Marianita (secretária de estado), veio hoje dizer que não podiam manter todos os adeptos dentro de uma "bolha" (do aeroporto para o estádio e regresso ao aeroporto) pois a maioria já estava espalhada pela cidade. O Cabrita, desta vez, não foi acusado de nada (estará perdido em combate?), enquanto Moreira, o presidente da CMP, veio dizer, que quem criticava o evento, não era amigo do Porto (!?). Sensivelmente, ao mesmo tempo, a policia de costumes, andava no parque do Casino Estoril, a controlar grupos de jovens que ali se juntam, para que estes não formassem grupos de mais de 6 pessoas e usassem máscaras sanitárias (!?). Extraordinário!

Perguntas óbvias: porque é que o jogo não se disputou no Reino Unido, já que a partida era entre dois clubes ingleses? Porque é que os jogos em Portugal não podem ter público e um jogo da UEFA, pode? Porque é que os portugueses são obrigados a manter o distanciamento social, a usar máscara e gel e os ingleses, não? Porquê? 

Bom, a única explicação, que nos ocorre, é que o turismo e a industria de futebol, são mais importantes que a pandemia. Venham os turistas, espanhóis ou ingleses, pouco importa, desde que gastem e deixem cá o dinheiro, naquilo que sabemos fazer melhor: servir à mesa. 

Que os espanhóis, ou os ingleses, não nos deixem entrar no nosso país e no deles (e continuem a "cagar" em nós), não importa nada, desde que a restauração e a hotelaria, possam pagar as contas e as moratórias que aí vêm...

Uns tristes, estes gestores da coisa pública portuguesa, sem quaisquer princípios ou dignidade, sempre de mão estendida. Fracos perante os fortes (estrangeiros com dinheiro) e fortes perante os fracos (imigrantes ilegais a viverem em condições sub-humanas, por exemplo). 

Um nojo, tudo isto. Vão-se todos foder!     

      

3 comentários:

júlio disse...

Portugal no seu melhor ...

Carmo da Rosa disse...

Excelente relato de dois episódios.

No primeiro, UM português é vítima da subserviência portuguesa em relação ao país vizinho - Espanha. Que nos trata realmente como 'nuestros hermanos', mas então como irmãos mais novos na ausência de encarregados de educação!!!

No segundo, é o país inteiro que é vítima, como de costume, do nosso 'velho aliado', como se a gente ainda lhe deve historicamente alguma coisa!!!

Isto é caso para citar UM opositor do actual governo, diga-se de passagem: o único. "QUE VERGONHA..."

Sara Monteiro disse...

Já conhecia a história de viva voz, mas gostei de ler. É sempre inacreditável! :(