Algumas coisas são, no entanto, previsíveis. Assim, e ao contrário de todas as presidenciais, haverá uma segunda volta. A excepção, foi em 1986, quando houve necessidade uma volta-extra, para apurar o vencedor, entre Mário Soares e Freitas do Amaral.
Outra coisa previsível, é o número de candidatos com possibilidade de passar à 2a volta. São cinco neste momento. Os restantes, independentemente da votação final, não ultrapassarão a fasquia dos 5%, considerada insuficiente para almejar voos mais largos.
Destes cinco, três ficarão pelo caminho, no próximo domingo. Porque todos têm, teoricamente, possibilidade de passar (a margem de erro entre o primeiro e quinto candidato não ultrapassa, neste momento, 4%) não são de prever desistências ou apelos ao "voto útil". Todos os candidatos afirmam a sua independência e desejo de passarem, sabendo que, no dia 8 de Fevereiro, haverá a decisiva "contagem de espingardas". Será então, que os "campos", vão definir-se.
A acreditar nas últimas sondagens (saídas antes do início da Campanha), o candidato da extrema-direita (André Ventura) parecia ser o único com lugar "garantido" na 2a volta. Sendo assim, restam quatro candidatos, respectivamente Gouveia e Melo, Marques Mendes, António Seguro e Cotrim de Figueiredo, com possibilidades reais de disputar a "finalíssima".
Com o início da Campanha, um factor importante parece estar a alterar o comportamento dos eleitores: o surgimento dos "tracking polls" que, diariamente, publicam uma sondagem feita numa população aleatória, de 200 pessoas. Todos os dias são interrogadas 200 pessoas diferentes, que substituem os 200 inquiridos mais antigos. Esta flutuação, nas intenções de voto, está a alterar o comportamento dos eleitores que, começam a admitir a passagem à 2a volta de António Seguro e Cotrim de Figueiredo, os candidatos menos votados após os debates. Contrariamente, figuras como Gouveia e Melo (durante muitos meses visto como vencedor incontestado) e Marques Mendes (candidato apoiado pelos partidos do governo) parecem estar a perder gás e correm o risco de nem sequer passar à volta seguinte.
Tudo em aberto, pois, já que as diferenças percentuais entre estes candidatos se mantêm dentro da margem de erro.
Esta semana, sairão as últimas e mais importantes sondagens (TSF, JN, Público, Católica) que, para além da sua maior fiabilidade, são publicadas a menos de 4 dias do escrutínio e podem decidir o voto da "última hora", a melhor sondagem de todas.
Uma coisa é certa: de todas as campanhas realizadas, esta é a que tem maior número de candidatos e, provavelmente, os menos qualificados. Nenhum convence e nunca foi tão difícil escolher. Também, neste capítulo, Portugal não é diferente da maioria dos países europeus, onde a mediocridade é regra. Como diriam os franceses, "l'air du temps"...
1 comentário:
Chafurdando nas "tracking polls"...
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