Terminadas as votações, nas freguesias inundadas pelo mau tempo, confirmou-se a vitória do candidato social-democrata, António José Seguro, vencedor incontestável a 8 de Fevereiro.
Nada que surpreenda, a não ser a esmagadora vitória, a maior de sempre da história da democracia, com mais de 3,5 milhões votos, mais do dobro do candidato fascista.
Esta é uma vitória, conseguida a pulso, de alguém em quem poucos acreditavam à partida (a começar pelo próprio partido do vencedor) que, na fase final, conseguiu galvanizar as forças democráticas contra o candidato populista de extrema-direita.
Se alguma conclusão há a extrair, é a existência de uma maioria sociológica democrática que, de resto, já era evidente na desproporcionalidade de votantes, nos candidatos finais: 75% versus 25%.
Esta é uma boa notícia, que deve ser saudada por todos os democratas, em tempos de ascensão do populismo/fascismo que assola grande parte do Mundo Ocidental.
Se a vitória de Seguro (em tempos de escuridão) pode significar uma "luz ao fundo do túnel", só o futuro dirá. Conhecido como um representante da ala "moderada" do PS, herdeira da famigerada 3ª via de Blair e Clinton, o novo presidente não terá uma tarefa fácil. Desde logo, na dificuldade pessoal em (auto) definir-se como de esquerda, num ciclo político em que a direita governa e tem maioria parlamentar.
Mas, os seus problemas, não serão apenas de foro pessoal. À esquerda, o PS (do qual foi secretário-geral) está longe de recuperar da travessia do deserto, desde a dupla derrota de Pedro Nuno Santos; enquanto, à direita, para além dos partidos da governação, existe agora uma terceira-força, que já é segunda em número de deputados.
Ou seja, Seguro terá de exercer a sua magistratura de influência, entre três forças teoricamente antagónicas, que continuarão a esgrimir argumentos na arena política nacional: o governo tentando chegar ao fim da legislatura e os partidos da oposição tentando evitá-lo, para melhor tirarem dividendos da situação.
Para piorar este quadro, adivinha-se um período de recessão económica, em consequência dos custos (estimados em mais de €5000 milhões) com as reparações da tempestade, que não deixarão de reflectir-se nas contas finais do défice.
Para já, e citando o célebre marquês, "há que tratar dos vivos e enterrar os mortos". Esta é a prioridade nacional. Perante a catástrofe, que assolou o país nas últimas semanas, qualquer aproveitamento seria voltar ao grau zero da popularidade dos políticos, que continua a andar pelas ruas da amargura.
Esta situação, parece ter sido compreendida pelo futuro presidente que, mesmo antes de tomar posse, preocupou-se em avaliar os estragos. Portugal necessita de políticos que saiam dos gabinetes. Necessitamos de um presidente que dê o exemplo e calce as galochas.
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