Mostrar mensagens com a etiqueta António José Seguro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António José Seguro. Mostrar todas as mensagens

2026/02/16

Um presidente de galochas

Terminadas as votações, nas freguesias inundadas pelo mau tempo, confirmou-se a vitória do candidato social-democrata, António José Seguro, vencedor incontestável a 8 de Fevereiro. 

Nada que surpreenda, a não ser a esmagadora vitória, a maior de sempre da história da democracia, com mais de 3,5 milhões votos, mais do dobro do candidato fascista.

Esta é uma vitória, conseguida a pulso, de alguém em quem poucos acreditavam à partida (a começar pelo próprio partido do vencedor) que, na fase final, conseguiu galvanizar as forças democráticas contra o candidato populista de extrema-direita.

Se alguma conclusão há a extrair, é a existência de uma maioria sociológica democrática que, de resto, já era evidente na desproporcionalidade de votantes nos candidatos em disputa: 75% versus 25%. 

Uma boa notícia, que deve ser saudada por todos os democratas, em tempos de ascensão do populismo/fascismo que assola grande parte do Mundo Ocidental. 

Se a vitória de Seguro (em tempos de escuridão) pode significar uma "luz ao fundo do túnel", só o futuro dirá. Conhecido como um representante da ala "moderada" do PS, herdeira da famigerada 3ª via de Blair e Clinton, o novo presidente não terá uma tarefa fácil. Desde logo, na dificuldade pessoal em (auto) definir-se como de esquerda, num ciclo político em que a direita governa e tem maioria parlamentar. 

Depois, os seus problemas, não serão apenas de foro pessoal. À esquerda, o PS (do qual foi secretário-geral) está longe de recuperar da "travessia do deserto" que iniciou com a dupla derrota de Pedro Nuno Santos; enquanto, à direita, para além dos partidos da governação, existe agora uma terceira-força, que já é segunda em número de deputados.

Ou seja, Seguro terá de exercer a sua magistratura de influência, entre três forças teoricamente antagónicas, que continuarão a esgrimir argumentos na arena política nacional: um governo tentando chegar ao fim da legislatura e os partidos da oposição tentando evitá-lo, para poderem tirar dividendos da situação.

Para piorar este quadro, adivinha-se um período de recessão económica, em consequência dos custos (estimados em mais de €5000 milhões) com as reparações da tempestade e das cheias, que não deixarão de reflectir-se nas contas finais do défice.  

Para já, e citando o  célebre marquês, "há que tratar dos vivos e enterrar os mortos". Esta é a prioridade nacional. Perante a catástrofe, que assolou o país nas últimas semanas, qualquer aproveitamento seria voltar ao grau zero da popularidade dos políticos, que continua a andar pelas ruas da amargura.  

Esta situação, parece ter sido compreendida pelo futuro presidente que, mesmo antes de tomar posse, preocupou-se em avaliar os estragos. Portugal necessita de políticos que saiam dos gabinetes. Agora, necessitamos de um presidente que dê o exemplo e calce as galochas. 

 

2014/09/29

A derrota dos néscios

Seguro conseguiu dar um tiro no pé e, ao mesmo tempo, o tiro... fez ricochete e saiu pela culatra. Não era tarefa fácil, mas, Tó Zé, por uma vez acertaste na mouche!
Outra forma de ver o que se passou seria afirmar que as eleições de ontem permitiram-nos assistir a este fenómeno, verdadeiramente prodigioso, totalmente improvável e seguramente invulgar: ao contrário do que seria normal, é o Seguro que é desta feita obrigado a pagar uma enorme franquia por um acidente em que, ainda por cima, ele é dado como culpado.
Dito ainda de outro modo: Seguro contava com um Portugal que, como ele, não pensa, terá feito fé nos que pensam que pensam por ele e enganou-se.
Ou, finalmente, para citar Augusto Santos Silva, naquele seu jeito Terminator III, "O povo não é tão néscio como os néscios o pintam..."