Este processo do relógio de ouro de 15 000 euros, oferecido a Avelino Ferreira Torres, não choca pelo valor nem pelo destinatário da "prenda". Avelino Ferreira Torres não engana ninguém e, nesse aspecto, parece até ser o mais "inocente" em tudo isto. O que choca verdadeiramente são os avelinos que tiveram esta ideia. Tremo de pensar nesta malta que desviou dinheiro público, dinheiro nosso, pelo qual era responsável, e o empregou numa operação ilegítima, não orçamentada, sem pestanejar, como se de uma coisa perfeitamente natural, talvez mesmo inevitável, se tratasse. Tremo de pensar que depois disto, para a Justiça Portuguesa, estes avelinos não parecem dignos de mais do que um castigo light, decidido ao fim de um processo mastigado ao longo de vários anos. Uma sentença exemplar, portanto. Tremo, sobretudo, quando penso nos avelinos que votaram nestes, demonstrando com o seu voto tolerar e avalizar tudo isto.
E que dizer dos avelinos todos que por aí andam, menos exuberantes, mais discretos, inimputáveis, apoiantes ou praticantes activos do princípio "em cada relógio de ouro, um amigo?"