Muito se tem falado nos últimos dias sobre as mais recentes declarações de Isabel Jonet. "BANCO ALIMENTAR: A ENGORDA DA IGREJA CATÓLICA" é o título deste artigo (só agora chegado ao conhecimento, através de mão amiga) que embora tenha já um par de anos, devendo portanto ser lido com essa cautela, ajudará certamente a colocar as coisas na sua verdadeira perspectiva.
Se fosse católico diria: Deus ajude o Papa Francisco...
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2014/04/05
2012/11/11
Alguém paga!
Quando a minha prima Ermelinda ouviu aquela senhora do Banco Alimentar afirmar, contava-me ela, que vivemos acima das possibilidades, estremeceu um pouco. Quando a ouviu dizer, com um tom de censura e aroma a incenso e a estearina a arder na voz, que vivemos acima das possibilidades porque "alguém pagava," voltou a estremecer. Quando a ouviu dizer que temos de deixar de comer bifes todos os dias, ficou incrédula. A ela, que já há tanto tempo que não come bifes todas as semanas sequer, pareceu-lhe, dizia-me ela, que a senhora a estava a ameaçar que teríamos provavelmente de deixar de comer de todo.
Aquilo não lhe parecia tontaria ou brincadeira. A senhora falava a sério. O pensamento fê-la estremecer mais uma vez. Quando, depois da surpresa inicial, começou a pensar na hipótese de toda a gente deixar de comer bifes, ou de os comer apenas uma raríssima vez por outra, concluiu que o matadouro, o talho e o supermercado iam à falência com a quebra do negócio. O pensamento, fê-la estremecer ainda uma vez mais.
Não se surpreendeu, revelou-me, quando ouviu dizer que a venda do Nestum estava em alta e imaginou que a Nestlé se aguenta certamente bem no meio desta crise. Coitados dos pequenos negócios, contudo. Mesmo, os grandes negócios nacionais, pequenos à escala internacional, não têm hipótese. Deve ser impossível gerir uma cadeia de supermercados com base na venda de Nestum.
E estremeceu uma vez mais.
Depois pensou que, quando preconizava o fim do bife, a senhora do Banco Alimentar estava também implicitamente a dizer "alguém paga!" —o mesmo que ela nos acusava de "termos feito" todo este tempo. Isto porque alguém vai então ter de pagar os subsídios que os trabalhadores. aqueles que vão ser despedidos em virtude da quebra de vendas do matadouro, do talho e do supermercado e o consequente e inevitável encerramento do negócio— terão, por lei, de receber.
Se o matadouro, o talho e o supermercado forem à falência, vão à falência os fornecedores das facas com que se cortam as carnes, dos sacos de plástico em que elas são embaladas, dos frigoríficos em que são guardadas, vão à falência os fornecedores das caixas registadoras, dos programas de facturação, os contabilistas que lhes fazem a escrita e por aí fora. E os fornecedores deles! Vai tudo ao ar! Mas alguém paga.
A vida é assim: neste modelo de sociedade, para irmos vivendo, alguém paga. Sempre. Esta sociedade vive do "alguém paga!" Porque alguém vende. E alguém compra.
É assim que está estruturada. Uns produzem o que os outros consomem. Uns procuram e outros oferecem. E, continuava a prima Ermelinda naquele seu solilóquio que nem me atrevia a interromper, se a senhora conhece uma sociedade alternativa, sem produção nem consumo, devia-nos então ter explicado as suas ideias sobre ela. A sua posição exige-o.
Mas, disparava ainda a prima Ermelinda, ao pagarmos todos (nesse caso o alguém somos nós) estes subsídios ao pessoal despedido dos talhos, matadouros, operários das cutelarias, contabilistas, etc., o dinheiro para o bife e para o resto torna-se ainda mais escasso. Se calhar, não vai sobrar dinheiro sequer para pagar os impostos que cobrem as despesas do pequeno almoço das 10 000 crianças famintas (que o próprio governo reconhece existirem) e das cantinas colectivas abertas de emergência para acolher velhos e novos pobres. Tudo isto estará inevitavelmente em risco. O próprio Banco Alimentar acabará por deixar de ter donativos e os voluntários que nele trabalham estarão sem força para prestar a sua colaboração, definitivamente esgotados.
Ou não... interrogava-se subitamente a Ermelinda. Ou será que haverá sempre uma verba do "fundo de resgate", proporcionado por uma entidade qualquer (alguém paga!), que garantirá o funcionamento mínimo do metabolismo basal de toda esta gente, para evitar o colapso dos Bancos Alimentares e das cantinas colectivas, resultante da exaustão dos seus dirigentes e dos proponentes da solução caritativa?
A prima Ermelinda, sem me deixar sequer comentar as suas perguntas, questionou então se a senhora do Banco Alimentar sabia mesmo do que está a falar e perguntava-me (a prima Ermelinda não é parva...) se ela teria competência para ocupar o cargo de que é titular. É que até a tia Laurinda, mãe da prima Ermelinda, que vive numa casa a cair de podre, num bairro totalmente degradado com 200 euros por mês, e, para se manter dentro das suas possibilidades, é uma velha consumidora de Nestum, a tia Laurinda, notava ela, que vive assim há muito, mas não é parva, tinha já chamado a atenção para tudo isto há já bastante tempo.
O que a minha prima Ermelinda não percebe é como é que uma senhora tão fina, que dirige uma organização tão grande e prestimosa, que agrupa tanta gente e lida com uma diversidade tão grande de problemas e de entidades, não pensou nisto. Como é que ela emite estas opiniões deste jaez e continua a ocupar o lugar que ocupa, depois do que disse?
E, queres ver, perguntava-me ainda a prima Ermelinda, que, seguindo o velho Princípio de Peter, ainda vão dar a esta senhora tarefas mais complexas? E se isto fosse coisa mais profunda, exclamou de repente a Ermelinda, um desígnio europeu, quem sabe? A senhora era ideal para o cargo: transformar a Europa dos grandes valores da Democracia, da Justiça, da Liberdade e dos Direitos Humanos, a Europa toda, de norte a sul, num super asilo de pobres e velhos, sustentados a Nestum.
Embora me fosse confessando ser pouco dada a teorias da conspiração, a Ermelinda rematou a nossa conversa admitindo que se alguém quisesse exterminar a população de modo eficaz, praticar o "crime perfeito," o método era o ideal. Ninguém desconfiaria, nem o Colombo!
Ao ouvir a senhora do Banco Alimentar, dizia ela, ao constatar que as ideias que expressa não poderão ter saído certamente de uma cabeça daquelas, esta pergunta não deixava de lhe apoquentar o espírito: a mando de quem andaria então ela a papaguear tudo isto...?
Aquilo não lhe parecia tontaria ou brincadeira. A senhora falava a sério. O pensamento fê-la estremecer mais uma vez. Quando, depois da surpresa inicial, começou a pensar na hipótese de toda a gente deixar de comer bifes, ou de os comer apenas uma raríssima vez por outra, concluiu que o matadouro, o talho e o supermercado iam à falência com a quebra do negócio. O pensamento, fê-la estremecer ainda uma vez mais.
Não se surpreendeu, revelou-me, quando ouviu dizer que a venda do Nestum estava em alta e imaginou que a Nestlé se aguenta certamente bem no meio desta crise. Coitados dos pequenos negócios, contudo. Mesmo, os grandes negócios nacionais, pequenos à escala internacional, não têm hipótese. Deve ser impossível gerir uma cadeia de supermercados com base na venda de Nestum.
E estremeceu uma vez mais.
Depois pensou que, quando preconizava o fim do bife, a senhora do Banco Alimentar estava também implicitamente a dizer "alguém paga!" —o mesmo que ela nos acusava de "termos feito" todo este tempo. Isto porque alguém vai então ter de pagar os subsídios que os trabalhadores. aqueles que vão ser despedidos em virtude da quebra de vendas do matadouro, do talho e do supermercado e o consequente e inevitável encerramento do negócio— terão, por lei, de receber.
Se o matadouro, o talho e o supermercado forem à falência, vão à falência os fornecedores das facas com que se cortam as carnes, dos sacos de plástico em que elas são embaladas, dos frigoríficos em que são guardadas, vão à falência os fornecedores das caixas registadoras, dos programas de facturação, os contabilistas que lhes fazem a escrita e por aí fora. E os fornecedores deles! Vai tudo ao ar! Mas alguém paga.
A vida é assim: neste modelo de sociedade, para irmos vivendo, alguém paga. Sempre. Esta sociedade vive do "alguém paga!" Porque alguém vende. E alguém compra.
É assim que está estruturada. Uns produzem o que os outros consomem. Uns procuram e outros oferecem. E, continuava a prima Ermelinda naquele seu solilóquio que nem me atrevia a interromper, se a senhora conhece uma sociedade alternativa, sem produção nem consumo, devia-nos então ter explicado as suas ideias sobre ela. A sua posição exige-o.
Mas, disparava ainda a prima Ermelinda, ao pagarmos todos (nesse caso o alguém somos nós) estes subsídios ao pessoal despedido dos talhos, matadouros, operários das cutelarias, contabilistas, etc., o dinheiro para o bife e para o resto torna-se ainda mais escasso. Se calhar, não vai sobrar dinheiro sequer para pagar os impostos que cobrem as despesas do pequeno almoço das 10 000 crianças famintas (que o próprio governo reconhece existirem) e das cantinas colectivas abertas de emergência para acolher velhos e novos pobres. Tudo isto estará inevitavelmente em risco. O próprio Banco Alimentar acabará por deixar de ter donativos e os voluntários que nele trabalham estarão sem força para prestar a sua colaboração, definitivamente esgotados.
Ou não... interrogava-se subitamente a Ermelinda. Ou será que haverá sempre uma verba do "fundo de resgate", proporcionado por uma entidade qualquer (alguém paga!), que garantirá o funcionamento mínimo do metabolismo basal de toda esta gente, para evitar o colapso dos Bancos Alimentares e das cantinas colectivas, resultante da exaustão dos seus dirigentes e dos proponentes da solução caritativa?
A prima Ermelinda, sem me deixar sequer comentar as suas perguntas, questionou então se a senhora do Banco Alimentar sabia mesmo do que está a falar e perguntava-me (a prima Ermelinda não é parva...) se ela teria competência para ocupar o cargo de que é titular. É que até a tia Laurinda, mãe da prima Ermelinda, que vive numa casa a cair de podre, num bairro totalmente degradado com 200 euros por mês, e, para se manter dentro das suas possibilidades, é uma velha consumidora de Nestum, a tia Laurinda, notava ela, que vive assim há muito, mas não é parva, tinha já chamado a atenção para tudo isto há já bastante tempo.
O que a minha prima Ermelinda não percebe é como é que uma senhora tão fina, que dirige uma organização tão grande e prestimosa, que agrupa tanta gente e lida com uma diversidade tão grande de problemas e de entidades, não pensou nisto. Como é que ela emite estas opiniões deste jaez e continua a ocupar o lugar que ocupa, depois do que disse?
E, queres ver, perguntava-me ainda a prima Ermelinda, que, seguindo o velho Princípio de Peter, ainda vão dar a esta senhora tarefas mais complexas? E se isto fosse coisa mais profunda, exclamou de repente a Ermelinda, um desígnio europeu, quem sabe? A senhora era ideal para o cargo: transformar a Europa dos grandes valores da Democracia, da Justiça, da Liberdade e dos Direitos Humanos, a Europa toda, de norte a sul, num super asilo de pobres e velhos, sustentados a Nestum.
Embora me fosse confessando ser pouco dada a teorias da conspiração, a Ermelinda rematou a nossa conversa admitindo que se alguém quisesse exterminar a população de modo eficaz, praticar o "crime perfeito," o método era o ideal. Ninguém desconfiaria, nem o Colombo!
Ao ouvir a senhora do Banco Alimentar, dizia ela, ao constatar que as ideias que expressa não poderão ter saído certamente de uma cabeça daquelas, esta pergunta não deixava de lhe apoquentar o espírito: a mando de quem andaria então ela a papaguear tudo isto...?
2012/11/07
Que futuro para Isabel Jonet?
A conversa de Isabel Jonet, ouvida assim a frio e avaliada pelo seu valor facial, é um enorme zero. Não há uma ideia, coerência no discurso, humildade perante o sofrimento, manifestação de virtude, perspectiva histórica, preocupação em extrair uma lição da experiência (que deveria ser rica!), sinal de busca honesta da verdade. A sua argumentação não contém uma só explicação aceitável ou séria para os fenómenos que afligem a nossa sociedade, não há, por parte deste alto quadro dirigente de uma grande instituição social, uma partilha credível da sua experiência, não se ensaia uma avaliação profissional ou uma crítica consequente, numa área onde afinal exerce a sua actividade principal.
Não há nada, é o vazio.
Os profissionais da caridade têm uma responsabilidade dupla. Para além de terem de exercer a sua profissão com competência numa área especialmente frágil, têm a obrigação de sinalizar, sem equívocos, que "abraçaram" uma profissão temporária e não pretendem perpetuar a matriz que a ditou, sob pena de poderem ser considerados instigadores da desgraça alheia. A profissão de agente de caridade devia ser, pela própria natureza da sua substância, precária. O negócio da caridade, a ter de existir, devia ser efémero. Qualquer sinal de permanência ou continuidade deveria fazer imediatamente soar os alarmes e levar o agente da caridade a mudar de ramo, concentrando-se no combate aos factores que sustentam o "negócio", exercendo a crítica da sua natureza, apoiando os "clientes", ajudando-os a encontrar condições para alterar as condições que ditaram o seu infortúnio. A caridade pode ser uma virtude, mas é também sempre um recurso extremo e efémero.
Não parece pensar assim Isabel Jonet. Ela gosta da crise. Se a crise for controlada ela perde o emprego. O que sabe Isabel Jonet fazer fora do Banco Alimentar?
Esta intervenção suscitou, pelo que percebo, reacções de todo o tipo, onde o denomiador comum é a indignação. Tenho ouvido de tudo sobre ela: que é um nojo, que é pateta, pouco articulada, que parece estar sob o efeito de uma qualquer substância ilícita. Não creio. Acho que é mesmo uma perigosa demagoga, populista, com tiques fascistóides.
Portugal merecia ter uma outra Marianne.
Cometeu um outro pecado: qualquer mérito que o seu B.A. pudesse ter está agora seriamente comprometido depois destas declarações. Já há muito que se levantavam legítimas dúvidas sobre as virtudes da iniciativa. Agora estão dissipadas.
O que me custa perceber, porém, é de onde vem todo o interesse em promover esta criatura e a sua actividade bancária, e de que estranhas razões decorre todo este tempo de antena... Resta ficar a atento ao futuro de Isabel Jonet.
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