2008/10/26

E contudo...

Quando se faz uma balanço da actuação do Primeiro Ministro, do Presidente da República, dos partidos da oposição e das restantes forças sociais (designadamente os sindicatos) nesta legislatura, ficamos com uma certeza: ninguém consegue segurar Sócrates.
Estão todos à altura uns dos outros, ninguém está à altura do País, mas o Primeiro Ministro consegue reduzir a um grande zero qualquer tentativa de contrariar a sua política. Ele continua a ditar (como se diz em "politiquês"), com uma aparentemente enorme convicção, a agenda política.
A longa entrevista dada ao DN/TSF, a resposta da oposição e a actuação das restantes forças sociais deixam prever que não vai surgir alternativa credível a este governo. E mais: forçam mesmo o recrudescimento da sua popularidade, de tal maneira a reacção da oposição se revela pífia.
Do lado do PSD, já se percebeu perfeitamente que a dupla Cavaco/Ferreira Leite não tem pedalada para Sócrates. Tê-lo-ão subestimado e terão julgado que os seus tiros no pé iriam ser suficientes para o obrigar a coxear. Enganaram-se. Quanto mais directas e indirectas Cavaco e Ferreira Leite lançam nesta sua estratégia claramente concertada, mais nítida se revela a sua total incapacidade para o (este) jogo político. É verdadeiramente patético.
Do lado da restante oposição o panorama é, de igual modo, totalmente confrangedor. Faz lembrar aqueles jogos de futebol em que uma equipa que ganha vai trocando a bola a meio campo, controlando inteiramente o jogo, mas concedendo ocasionalmente a iniciativa ao adversário para o apanhar num contra-ataque mortífero.
Se isto é a oposição, estarão a pensar decerto muitos portugueses, se é isto que têm para contrapor, mais vale ficar na mesma... Chega a fazer pena a maneira como têm sido sistematicamente comidos.
No que toca às forças sindicais, parece-me a mim que estão longe de constituir ameaça. Sobra-lhes em carga ideológica o que lhes falta em capacidade de intervenção. A actuação no terreno é desastrosa. Que é feito dos assanhados professores de há uns meses? E os furiosos polícias? E os abespinhados funcionários públicos? Os médicos? Os juízes? Gastaram os cartuxos todos e agora nem à fisga... Os sindicatos não podem fazer o papel dos partidos da oposição. É tão ridículo como é ridícula a tentativa de alguns partidos da oposição, em tempos recentes, de fazerem sindicalismo de ocasião.
E contudo... estamos fartos de Sócrates e das sua políticas. E contudo, assistimos, furiosos, a esta degradação contínua das condições de vida e dos padrões de funcionamento deste País. E contudo, as nossas perspectivas de futuro, sentimo-lo claramente, estão abaixo da cota de alerta.
E contudo... muitos dos que assim pensam, irão, face ao panorama real que desfila perante os nossos olhos, continuar decerto a depositar na urna o votozinho no senhor engenheiro.
Dificilmente me parece possível contrariar esta tendência. As eleições de 2009 ameaçam mesmo constituir uma parada de vitória...

2 comentários:

Rui Mota disse...

Não sejamos tão pessimistas...

Carlos A. Augusto disse...

Não se trata de pessimismo. São muitos anos...!
A mim já não me levam outra vez, isso também é verdade...