Neste artigo, Nuno Ramos de Almeida denuncia uma espécie de histeria securitária que, no seu entender, se está subtilmente a intensificar. "Com pezinhos de lã, governos e polícias de turno estão a impor a ideia de que é normal a infiltração em organizações políticas, a vigilância de militantes de esquerda, o recurso a provocadores em manifestações e a agressão a jornalistas para garantir o afastamento de testemunhas incómodas nas próximas cargas policiais," diz o autor. "Um dia destes acordamos sem democracia e nem demos por isso," conclui.
Não há pezinhos de lã nenhuns. A tradição do Estado Novo ainda é o que era. A mentalidade pidesca nunca morreu.
Muitos poderão achar isto exagero, coisa do passado, mas factos são factos: aos primeiros sinais de borrasca saltam os velhos métodos, mostrando que estavam apenas escondidos atrás da porta, para o caso...
A verdade é que pouco fizemos, nós todos como sociedade democrática, no sentido de operar a mudança profunda e necessária para acabar de vez com a tradição.
É, pois, assim, sem surpresa, que vamos tomando nota destes e de outros factos. Como o caso que, na mesma edição do jornal i e certamente por coincidência, se denuncia de um organismo de Estado que pede aos seus colaboradores com recibos verdes que "assinem um documento em como não têm 'afinidades partidárias' com outros colaboradores e ex-funcionários desses serviços."
A tradição securitária é filha da corrupção e esta mantém-se entranhada no mais fundo do que é ser português. Para ajudar, temos hoje até um casamento perfeito que dá um jeitão aos nubentes: "crise" e corrupção uniram-se em regime de conveniência.
O Estado Novo continua aí, em estado puro.
É preciso fazer muito mais do que foi feito até agora para mudar. É desta mudança que, hoje como ontem, o securitarismo tem medo...
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2012/03/30
2012/03/19
iPide
No Zimbabué, um tribunal prepara-se para ditar sentença num caso de seis cidadãos apanhados a ver vídeos sobre a chamada "primavera árabe". No país de Mugabe, esse grande democrata, é assim. E não há nada como alterar o curso das estações antes que seja tarde. Primaveras, no Zimbabué, nem em video.
E em Portugal, país do primeiro mundo, onde não há medo, a informação circula livre, cada um exprime opiniões e relata factos sem receio de represálias e os meios e as redes de comunicação não estão nas mãos de uma mão cheia de bandalhos, os mesmos que são donos dos cabedais, ditam as leis, dominam o comércio e cobram o imposto, como é em Portugal?
Portugal é pior que o Zimbabué.
Este caso dos seis do Zimbabué parece brincadeira quando se pensa no caso de Rui Cruz. Ao pé disto Mugabe passa por virtuoso. Não se consegue perceber que crime poderá ter o autor do TugaLeaks cometido para ser considerado arguido pela justiça (assim mesmo, com letra minúscula, como minúsculo é o respeito que, cada vez mais, me merecem as instituições oficiais deste país de opereta). Aliás, ele, pelos vistos, também não.
O TugaLeaks, criado por Rui Cruz, terá divulgado acções de supostos hackers que, segundo consta, terão alterado conteúdos de sites institucionais, suficientemente desprotegidos para que isso fosse possível. Divulgou também, segundo parece, dois ficheiros de dados pessoais de agentes da PSP retirados, um, de um servidor governamental e, outro, do computador de um sindicato, ambos, pelos vistos, também totalmente vulneráveis.
Em vez de ouvir a mensagem, as instituições oficiais atiram ao mensageiro. E a mensagem é, afinal, simples: a segurança informática em Portugal é uma treta! Entrar num site e colocar lá uma qualquer mensagem provocatória não revela grandes dotes e parece até pueril. Mas, quem garante, perante o amadorismo que todo este foclore revela, de um lado e de outro, que os servidores a sério, da justiça, das finanças, das câmaras, etc, não são igualmente vulneráveis? E que estes ou outros hackers, menos brincalhões e talvez ligados a outros interesses menos românticos, não dispõem de artilharia mais pesada e via aberta para atingirem outros alvos mais importantes? Querem ver que esta acção contra Rui Cruz não passa de uma manobra para esconder questões mais sérias?
Uma coisa é certa: o comportamento e os métodos usados pela justiça, neste caso, trazem-nos à memória dias que julgávamos passados. Para muita gente neste país, não parece ter servido para grande coisa a instauração do regime democrático.
E em Portugal, país do primeiro mundo, onde não há medo, a informação circula livre, cada um exprime opiniões e relata factos sem receio de represálias e os meios e as redes de comunicação não estão nas mãos de uma mão cheia de bandalhos, os mesmos que são donos dos cabedais, ditam as leis, dominam o comércio e cobram o imposto, como é em Portugal?
Portugal é pior que o Zimbabué.
Este caso dos seis do Zimbabué parece brincadeira quando se pensa no caso de Rui Cruz. Ao pé disto Mugabe passa por virtuoso. Não se consegue perceber que crime poderá ter o autor do TugaLeaks cometido para ser considerado arguido pela justiça (assim mesmo, com letra minúscula, como minúsculo é o respeito que, cada vez mais, me merecem as instituições oficiais deste país de opereta). Aliás, ele, pelos vistos, também não.
O TugaLeaks, criado por Rui Cruz, terá divulgado acções de supostos hackers que, segundo consta, terão alterado conteúdos de sites institucionais, suficientemente desprotegidos para que isso fosse possível. Divulgou também, segundo parece, dois ficheiros de dados pessoais de agentes da PSP retirados, um, de um servidor governamental e, outro, do computador de um sindicato, ambos, pelos vistos, também totalmente vulneráveis.
Em vez de ouvir a mensagem, as instituições oficiais atiram ao mensageiro. E a mensagem é, afinal, simples: a segurança informática em Portugal é uma treta! Entrar num site e colocar lá uma qualquer mensagem provocatória não revela grandes dotes e parece até pueril. Mas, quem garante, perante o amadorismo que todo este foclore revela, de um lado e de outro, que os servidores a sério, da justiça, das finanças, das câmaras, etc, não são igualmente vulneráveis? E que estes ou outros hackers, menos brincalhões e talvez ligados a outros interesses menos românticos, não dispõem de artilharia mais pesada e via aberta para atingirem outros alvos mais importantes? Querem ver que esta acção contra Rui Cruz não passa de uma manobra para esconder questões mais sérias?
Uma coisa é certa: o comportamento e os métodos usados pela justiça, neste caso, trazem-nos à memória dias que julgávamos passados. Para muita gente neste país, não parece ter servido para grande coisa a instauração do regime democrático.
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