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2021/04/06

Monólogos da Vacina (2)

Mensagem SMS: 

COVID19: RUI, vacinação 09/04/2021, as 16.18h. em pav. mu. rita borralho. Responda:

SNS.NUMERO UTENTE. SIM/NAO até 06 ABR. Ex: SNS.......SIM

Respondo, de acordo com as indicações. Recebo nova mensagem, a comunicar que o contacto tinha falhado. Tentei, mais duas vezes. Sem êxito. O sistema, não aceita a minha mensagem. 

Telefonei para o número COVID19, do Serviço Nacional de Saúde (SNS), para explicar a situação. Pedem-me autorização para gravar a chamada (premir 1). Primo 1 e pedem-me para escolher 2 (vacinas). Primo 2 e dão-me música...

Ao fim de uns minutos, ouço uma gravação: "Dado estarem todas as linhas ocupadas, não podemos atender a sua chamada. Tente mais tarde".  Tentei mais duas vezes. Sem sucesso. Desisto do SNS.

Experimento o Centro de Saúde (CS) da minha área. Pedem-me autorização para gravar a chamada (premir 1). Após uns segundos, uma gravação: "A sua chamada está em lista de espera. Se não quiser esperar, tente mais tarde". Tento mais tarde. Ao fim de duas tentativas, desisto do CS. 

Decido ir ao Centro de Saúde, que dista 500m de minha casa. À porta, sou recebido por um "segurança". Explico-lhe a situação (tenho de confirmar a data e a hora da minha vacina e os serviços não aceitam a minha mensagem). "Óptimo". Põe-me as mãos nos ombros e sossega-me: "No stress". Não estou "stressado", respondi. Olha-me e diz: "Tem aí o seu telemóvel? Eu mostro-lhe já como se faz...". Lê a mensagem que recebi e a minha resposta e diz: "falhou o contacto, que estranho...". Concordo, mas não estranho. 

Volta a pôr-me as mãos nos ombros e repete: "No stress", vai lá no dia e na hora marcada e mostra o seu telemóvel. É atendido na hora. Vai tudo correr bem. Parabéns!".

Despeço-me e volto para casa. Perdi duas horas. Não resolvi nada. Ganhei o dia. Sem "stress".

2020/12/24

O novo normal


A esteva (Cistus ladanifer) é uma planta muito comum em Portugal. A época da floração decorre entre Março e Junho. Nessa altura, os campos e os caminhos ficam marcados por extensas zonas cobertas pela sua flor branca e algumas pessoas referem-se-lha até como a “neve,” porque, de facto, faz lembrar um nevão tardio. São lindíssimos os campos cobertos de flor de esteva. Pessoa muito querida, todos os anos me manifestava um singelo e comovente, mas muito poético espanto perante o espectáculo, sempre igual mas sempre renovado, desta neve-esteva. 

A foto que acompanha este escrito foi tirada hoje, dia 24 de Dezembro de 2020. 
São as primeiras flores de esteva. 
Estamos em Dezembro....
Este é o ano da covid19, do vírus que era e que não era, dos estados de emergência on-off, das flores de esteva prematuras, dos crimes ambientais impunes, da miséria, das desigualdades e injustiças geradas por um sistema de que tantos beneficiam para prejuízo de tantos mais. O ano das escolhas, entre a injustiça escancarada, à vista de todos, e, perante ela, do quase generalizado assobiarismo--para-o-lado, a que também podemos chamar, talvez com mais propriedade, de cobardia criminosa. 
Este é também o ano em que tanta gente vestiu, agora sem qualquer sombra de vergonha de a exibir, uns, a roupa da estupidez sem limites e, outros, do oportunismo mais miserável, sem quaisquer escrúpulos. 
Ficará como sendo o ano do perdão a gente que devia ter sido encerrada em manicómio de alta segurança, imobilizada em câmara de dessensiblização, metida em colete de forças bem apertado e altamente sedada para não causar mais dano. 
Gente parida na “normalidade,” que já vinha de trás, uma “normalidade” que tantos ainda desejam retornar.
Por tudo isto, desejo uma excelente quadra natalícia e um ano novo profundamente anormal...

2020/05/09

Justiça!


O argumento da "gripezinha" é conhecido. Os teóricos dos modelos também vieram afiançar que tudo não passava de uma conspiração. Não há razões para alarme, a economia não pode parar, siga a morte. Tudo aquilo a que assistimos hoje é o que acontece todos os anos com o influenza, etc. e tal, dizem os negacionistas da Covid19.

Sempre me pareceu, intuitivamente, que esta simplificação dos números constituia um argumento miserável. Já nem falo na sua manipulação ou falsificação. Mas só hoje tive tempo para ver os números reais. Com o surto de influenza nos EUA, em 2017-2018, terá havido um pico anormal, com cerca de 60 000 (não atingia esse valor há décadas) óbitos contabilizados. Em 2018-2019, terão ocorrido cerca de 35 000 óbitos.  São números relativamente elevados, claro. 
Mas as mortes pela "gripezinha," hoje 9/5, já rondam os 80 000!! 
No Brasil, a gripe gerou 1009 mortes no ano passado. Com a "gripezinha" já vai (hoje, 9/5) em cerca de 10 700 mortos. E isto é o que se sabe. Em dois meses! 

Claro que há responsáveis e responsáveis por tudo isto, a quem se deve exigir prestação de contas. O que se passa nos lares ingleses, nos países adeptos da tal teoria do rebanho ou nos outros onde as medidas de mitigação tardaram, é um escândalo. Mas, para além desses outros dirigentes, com largas culpas no cartório — que os cidadãos dos respectivos países não deixarão certamente de sancionar política ou criminalmente —, Trump e Bolsonaro têm de ser JULGADOS por crimes contra a Humanidade. O que está a acontecer nestes países é genocídio! Estão ao nível de um Pol Pot, de um Charles Taylor ou de um Ratko Mladić. 

Correm abaixo assinados, há muita gente que tem vindo a pedir estes julgamentos, mas creio que alguns não se terão apercebido, eles próprios, da verdadeira dimensão deste problema. 
E tão cedo o número de mortes pela COVID19 não vai parar de crescer...