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2022/11/18

Sob o signo do Zeca

 

A 18 de Novembro de 1987, foi criada a Associação José Afonso (AJA), cuja principal missão tem sido, para além da divulgação da obra poética e musical do cantor, a defesa dos princípios que sempre nortearam a sua intervenção cívica, enquanto canto-autor e cidadão engajado.   

Ao longo destes 35 anos, muitas foram as iniciativas levadas a cabo pela AJA, a maior parte das quais de índole cultural, um pouco por todo o país e no estrangeiro, onde o Zeca nunca deixou de ser uma referência. Uma destas iniciativas, é o concerto temático, em Novembro, que nos últimos anos homenageou Alípio de Freitas, Francisco Fanhais, Manuel Freire, Rui Pato e José Mário Branco, alguns dos "compagnons de route" de José Afonso.

O concerto deste ano, que será subordinado ao tema "A Música Tradicional Portuguesa na Obra de Zeca Afonso", contará e.o. com as presenças de Miguel Calhaz, Brigada Victor Jara, Janita Salomé e "Moçoilas". Data: 19 de Novembro, pelas 16horas no Fórum Lisboa, Avenida de Roma, 14. 

Também para este mês, está programada a apresentação do álbum "Com as Minhas Tamanquinhas" (1976) de há muito esgotado e que reaparece agora, numa edição da "Lusitanian Music", responsável pela reedição do catálogo da Orfeu. Participam na sessão e.o. Teófilo Duarte, Ruy Vieira Nery, Nuno Pacheco, Nuno Saraiva e Nuno Galopim.  Seguir-se-ão, no próximo ano, as edições dos restantes álbuns da Orfeu, respectivamente, "Enquanto há Força" (1977), "Fura, Fura" (1979) e "Fados de Coimbra" (1981). A sessão de apresentação do álbum "Com as minhas Tamanquinhas", está programada para o dia 27 de Novembro, pelas 16horas, na Casa da Cultura, em Setúbal. 

Finalmente, em Dezembro, sairá mais uma edição do livro "Textos e Canções", desta vez reeditado sob o nome "José Afonso - Obra Poética", que reúne a vasta obra do poeta-cantor, onde para além dos poemas cantados são incluídos outros poemas, alguns pela primeira vez. A edição é do "Relógio de Água" e a apresentação do livro contará com a presença e.o. de Jorge Abegão (responsável pela compilação e prefácio), Francisco Vale (orador), Ruy Vieira Nery (musicólogo), Sérgio Godinho (músico), Maria do Céu Guerra e Luís Lima Barreto (declamadores) e Catarina Anacleto (cello). Data: 8 de Dezembro, pelas 17horas, na Livraria Broteria, Rua São Pedro de Alcântara 3, em Lisboa.

Um mês, sob o signo de José Afonso. O Zeca. A não perder.

2019/02/23

(Ainda) José Afonso


Sobre o Zeca, já quase tudo foi dito. Mas, nunca será tudo dito, enquanto pudermos ler e escutar o seu legado, por aí espalhado, através dos poemas e canções, uns por ele, outros por outros cantados.
Será, assim, mais uma vez, hoje, no dia em que passam 32 anos sobre o seu desaparecimento. É na sede, do núcleo de Lisboa, da Associação José Afonso. Desta vez a cargo da poetisa Olinda Beja, que será acompanhada pelo guitarrista Luís d'Almeida.
A AJA fica situada na Rua de São Bento, 170 em Lisboa e a sessão terá início às 18horas.

2017/02/22

Memórias do Zeca


Passam, esta semana, 30 anos sobre o desaparecimento de José Afonso.
Sobre o cantautor mais importante da música popular portuguesa, já (quase) tudo foi escrito.
Restam as inúmeras estórias pessoais, daqueles que com ele tiveram o privilégio de contactar.
Lembro-me da primeira vez que o ouvi, nos idos anos sessenta, em tertúlia de amigos, ali para os lados de Alvalade, em casa do único de nós que possuia gira-discos. A canção, que não nos cansávamos de escutar, intitulava-se "Os Vampiros". Como era possível alguém escrever e cantar tal texto num tempo marcado pela censura?
Posteriormente, durante um curto período em que trabalhei numa discográfica, eu próprio vendi clandestinamente muitos EPs onde estava incluída a canção, proibida pelo regime. Do Zeca, ninguém sabia ao certo, ou melhor, dizia-se que vivia em Moçambique, onde leccionava.
Mais tarde, já no estrangeiro, onde me tinha entretanto exilado, recebi todos os LPS do Dr. José Afonso, enviados religiosamente pela família, no dia do meu aniversário.
Teria de esperar até ao dia 28 de Setembro de 1974 - quando o Zeca cantou pela primeira vez na Holanda - para o conhecer pessoalmente. Falámos durante o intervalo daquela que se revelou ser uma sessão histórica (dados os acontecimentos desse dia em Lisboa) e ficámos "amigos".
Entre 1974 e 1981, o Zeca voltaria por mais 4 vezes à Holanda, tendo actuado nas cidades de Utrecht, Haia, Amsterdão (2 vezes) e Nijmegen. Tive o privilégio de organizar a maior parte destas sessões, algumas delas "heróicas", muitas vezes em condições sofríveis, que só a boa vontade do cantor e o despojamento que o caracterizava, tornaram possíveis. Porque, na maior parte das vezes, eram concertos organizados em colaboração com organizações holandesas solidárias com a "revolução portuguesa", lembro-me sempre do Zeca sublinhar esse facto e dizer "éh, pá, se tivéssemos mais holandeses destes em Portugal, a revolução já estava feita...".
Entre 1981 e 1986, os nossos encontros passaram a ter lugar em Portugal, quando o cantor já não viajava, devido à doença que, entretanto, o tinha atingido.
Recebi a notícia da sua morte, na madrugada do dia 23 de Fevereiro de 1987 após um memorável concerto do guitarrista Pedro Caldeira Cabral e da Brigada Victor Jara, na sala "Paradiso" em Amsterdão. A mesma sala, onde o Zeca tinha actuado 6 anos antes. Senti que, nesse dia, se fechava um ciclo da vida portuguesa, aquele que mais intimamente me ligava à utopia de Abril.  
Do seu legado, para além da música e da poesia, resta-nos o exemplo cívico de cidadão empenhado e solidário, na oposição à ditadura e a todas as formas de opressão e injustiça que sempre combateu. O reconhecimento desta atitude perante a vida, grangeou-lhe amigos (muitos) e alguns inimigos, mas a importância do seu exemplo ganhou novos contornos e é hoje mais consensual que nunca. Por isso, o Zeca, apesar de ter partido, continua entre nós e continua a ser lembrado todos os dias, ainda que, de forma mais especial, na data de hoje.
Porque 2017 é um ano especial, estão programados diversos eventos e actividades ao longo de todo o ano. A Associação José Afonso, elaborou um programa subordinado ao título "José Afonso: 30 anos, trinta concertos", que levará a sua música a trinta cidades e localidades diferentes entre Fevereiro e Dezembro. No lançamento desta iniciativa, foi apresentada a publicação "AJA: 30 anos", onde são passados em revista os 30 anos da Associação. Para o dia 25 de Abril está programada a inauguração de um Memorial José Afonso, que ficara situado no Jardim das Francesinhas, ao lado da Assembleia da República em Lisboa. Finalmente, a AJA, com o apoio da SPA, irá reeditar o LP "República", gravado ao vivo em Itália, em 1975, durante um concerto de solidariedade com o jornal português do mesmo nome. Para que a memória não esmoreça. 
 
    
 

2012/02/20

Zeca Afonso 25 anos depois

Passam, esta semana, 25 anos sobre a morte de José Afonso. No ano em que nos deixou, foi igualmente fundada a Associação José Afonso, que tem como objectivos "perpetuar a memória viva do poeta-cantor José Afonso; contribuir para a difusão da sua obra e do seu exemplo de vida e prosseguir nos planos cultural e cívico, a obra de José Afonso" (dos estatutos).
Para celebrar este duplo acontecimento, estão previstas, ao longo do ano, diversas actividades a nível nacional, tanto da iniciativa da Associação e dos seus núcleos regionais, como da iniciativa individual e colectiva que, a esta efeméride, se quiserem associar.
Neste âmbito, a Associação Académica de Coimbra, organiza uma semana dedicada a José Afonso, sob o lema "José Afonso, o rosto da utopia", que inclui uma exposição sobre a sua obra discográfica "Desta canção que apeteço", debate com a participação de Joaquim Vieira, Adelino Gomes e Rui Pato e diversas sessões de poesia e canto afonsino.
Em Lisboa, na próxima quinta-feira, dia 23, o recém-criado núcleo da AJA, assinala a efeméride com um concerto-maratona na Academia de Santo Amaro em Alcântara, com a participação e.o. de Hélder Costa, Francisco Fanhais, Francisco Naia, Couple Coffee, Zeca Medeiros e o Coro da Casa da Achada.
No Porto, o núcleo da AJA-Norte, organiza diversas iniciativas em redor do manifesto "Amigos, maiores que o Pensamento" onde, para além de José Afonso, se recorda Adriano Correia de Oliveira, desaparecido há 30 anos.
Todas as informações sobre estas iniciativas e sua calendarização, podem ser seguidas através do "site" da AJA.