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2015/02/13

Dois artigos, uma foto



Uma nota breve para recomendar a leitura de dois artigos que julgo que se completam perfeitamente. Poderiam ser ilustrados por esta extraordinária foto (surripiada de um deles, cuja autoria não consegui apurar). Ambos foram recomendados já no noticiário Twitter que exibimos aqui na badana direita do blog, mas nunca será demais chamar a atenção para eles.
Em primeiro lugar, um notável e lapidar artigo de António Guerreiro. Neste curto texto, o modelo necessário para uma análise das origens do Hades grego. Em segundo lugar, uma exposição lúcida, contendo uma pequena resenha dos sinais inequívocos da victória, que muitos teimam em não ver ou parecem ignorar, da Grécia sobre as forças que comandam esse Hades.
Dois artigos, uma foto. De um lado um Yanis Varoufakis, com ar confiante, que parece arregaçar as mangas para iniciar o confronto com este novo Reichsführer-SS, um Schäuble antes arrogante e desdenhoso, mas que aqui parece algo acabrunhado, agora que se vê obrigado a responder ao confronto para o qual os Gregos o desafiaram.
Neste combte nem o gongue o salvará! Irão, ele e a restante Wehrmarcht, inevitavelmente ao tapete.

2012/06/18

Uma vitória de Pirro

Para descanso dos credores europeus, os gregos deram ontem a vitória ao partido que mais contribuiu para o endividamento da Grécia. Não é, pois, de admirar que a Alemanha e os países do núcleo duro do Euro se congratulem com o resultado obtido pela Nova Democracia. O pânico instaurado nas principais capitais europeias, devido à ascensão do Syriza - um partido bem menos radical do que alguns analistas nos fizeram crer - revelou-se, afinal, infundado. As campanhas de intimidação levadas a cabo pelos principais políticos e banqueiros alemães, a que não faltaram anúncios publicados na imprensa europeia a apelarem ao "voto responsável" dos gregos, fizeram o resto e acabaram por ser determinantes para a vitória de Samaras. Acontece que, apesar desta vitória, a Nova Democracia não tem a maioria absoluta dos votos (longe disso!) pelo que não poderá governar sozinha. Depende, por isso, de uma coligação, que poderá contar com o PASOK, terceiro partido mais votado e o grande derrotado destas eleições. Consciente da sua força negocial, o líder do PASOK já veio declarar que só entrará para o governo caso a coligação governamental inclua o Syriza e a Esquerda Democrática, numa clara estratégia de cimentar a unidade nacional. Pesem as intenções dos socialistas, não é de crer que Samaras, escudado na sua vitória de ontem e pressionado pela Alemanha, venha a ceder nesta coligação alargada. Também não é de acreditar que Tsipras, cuja campanha eleitoral foi baseada na denúncia deste memorando, venha renunciar aos seus princípios. No dia seguinte às eleições mais importantes em décadas, a sociedade grega continua tão dividida como nunca, nada garantindo que a saída deste impasse tenha sido resolvida com o recente sufrágio. Uma coisa parece certa: os maiores responsáveis por esta crise (a Nova Democracia e o PASOK) ganharam um oponente de peso. A partir de agora, o Syriza perfila-se como uma oposição respeitável, em quem os gregos depositaram a sua confiança e mais de 26% dos votos. Nada mau, para quem foi apelidado de radical durante semanas de campanha e que acabou por influenciar todo o discurso anti-memorando que hoje atravessa as principais forças partidárias do país. Se as condições de austeridade a que estão sujeitas os gregos, mudarem, ao Syriza se deve.