Grito e choro por Gaza e por Israel Fernando Nobre (do Blog Contra a Indiferença)
Há momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.
O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes (“terroristas”) do movimento Hamas.
Importa neste preciso momento refrescar algumas mentes ignorantes ou, muito pior, cínicas e destorcidas:
- Os jovens palestinianos, que são semitas ao mesmo título que os judeus esfaraditas (e não os askenazes que descendem dos kazares, povo do Cáucaso), que desesperados e humilhados actuam e reagem hoje em Gaza são os netos daqueles que fugiram espavoridos, do que é hoje Israel, quando o então movimento “terrorista” Irgoun, liderado pelo seu chefe Menahem Beguin, futuro primeiro ministro e prémio Nobel da Paz, chacinou à arma branca durante uma noite inteira todos os habitantes da aldeia palestiniana de Deir Hiassin: cerca de trezentas pessoas. Esse acto de verdadeiro terror, praticado fria e conscientemente, não pode ser apagado dos Arquivos Históricos da Humanidade (da mesma maneira que não podem ser apagados dos mesmos Arquivos os actos genocidários perpetrados pelos nazis no Gueto de Varsóvia e nos campos de extermínio), horrorizou o próprio Ben Gourion mas foi o acto hediondo que provocou a fuga em massa de dezenas e dezenas de milhares de palestinianos para Gaza e a Cisjordânia possibilitando, entre outros factores, a constituição do Estado de Israel..
- Alguns, ou muitos, desses massacrados de hoje descendem de judeus e cristãos que se islamisaram há séculos durante a ocupação milenar islâmica da Palestina. Não foram eles os responsáveis pelos massacres históricos e repetitivos dos judeus na Europa, que conheceram o seu apogeu com os nazis: fomos nós os europeus que o fizemos ou permitimos, por concordância, omissão ou cobardia! Mas são eles que há 60 anos pagam os nossos erros e nós, a concordante, omissa e cobarde Europa e os seus fracos dirigentes assobiam para o ar e fingem que não têm nada a ver com essa tragédia, desenvolvendo até à náusea os mesmos discursos de sempre, de culpabilização exclusiva dos palestinianos e do Hamas “terrorista” que foi eleito democraticamente mas de imediato ostracizado por essa Europa sem princípios e anacéfala, porque sem memória, que tinha exigido as eleições democrática para depois as rejeitar por os resultados não lhe convirem. Mas que democracia é essa, defendida e apregoada por nós europeus?
- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.
- Estamos a assistir a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).
- Estranha guerra esta em que o “agressor”, os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os “agredidos”. Nunca antes visto nos anais militares!
- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos “heróis” que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!
- Como pode um povo que tanto sofreu, o judeu do qual temos todos pelo menos uma gota de sangue (eu tenho um antepassado Jeremias!), estar a fazer o mesmo a um outro povo semita seu irmão? O governo israelita, por conveniências políticas diversas (eleições em breve...), é hoje de facto o governo mais anti-semita à superfície da terra!
- Onde andam o Sr. Blair, o fantasma do Quarteto Mudo, o Comissário das Nações Unidas para o Diálogo Inter-religioso e os Prémios Nobel da Paz, nomeadamente Elie Wiesel e Shimon Perez? Gostaria de os ouvir! Ergam as vozes por favor! Porque ou é agora ou nunca!
- Honra aos milhares de israelitas que se manifestam na rua em Israel para que se ponha um fim ao massacre. Não estão só a dignificar o seu povo, mas estão a permitir que se mantenha uma janela aberta para o diálogo, imprescindível de retomar como único caminho capaz de construir o entendimento e levar à Paz!
- Honra aos milhares de jovens israelitas que preferem ir para as prisões do que servir num exército de ocupação e opressão. São eles, como os referidos no ponto anterior, que notabilizam a sabedoria e o humanismo do povo judeu e demonstram mais uma vez a coragem dos judeus zelotas de Massada e os resistentes judeus do Gueto de Varsóvia!
Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!
É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.
É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são.
2009/01/07
2009/01/06
Crescimento Negativo
De acordo com o governador do Banco de Portugal, o insuspeito Constâncio, Portugal entrou oficialmente em recessão.
Ou seja, a economia portuguesa deixou de crescer há dois trimestres consecutivos o que, tecnicamente, equivale a uma situação de recessão. Nas palavras de Constâncio, a economia portuguesa teve uma "contracção" de 8%.
Ainda de acordo com os dados do Banco de Portugal, o crescimento da economia portuguesa atinge apenas 0,3%, comparativamente aos 1,4% verificados em Outubro. Em jargão económico estamos, por isso, a assistir a um "crescimento negativo".
Crescimento negativo? Ou cresce ou decresce. Se não cresce, diminui. Certo? Alguém que me explique o que é isto do "crescimento negativo" porque, para "língua de pau", já basta a do primeiro-ministro.
Ou seja, a economia portuguesa deixou de crescer há dois trimestres consecutivos o que, tecnicamente, equivale a uma situação de recessão. Nas palavras de Constâncio, a economia portuguesa teve uma "contracção" de 8%.
Ainda de acordo com os dados do Banco de Portugal, o crescimento da economia portuguesa atinge apenas 0,3%, comparativamente aos 1,4% verificados em Outubro. Em jargão económico estamos, por isso, a assistir a um "crescimento negativo".
Crescimento negativo? Ou cresce ou decresce. Se não cresce, diminui. Certo? Alguém que me explique o que é isto do "crescimento negativo" porque, para "língua de pau", já basta a do primeiro-ministro.
A Oeste nada de novo
O primeiro-ministro deu mais uma entrevista na televisão.
As perguntas foram as esperadas: aquelas que os portugueses mais fazem.
As respostas, as esperadas: aquelas que o primeiro-ministro vem dando há anos a esta parte.
Ou seja: a vida dos portugueses não melhorou nos quatro anos que este governo leva, mas Sócrates diz que não há alternativa, pois a crise é estrutural (leia-se internacional).
Uma coisa, no entanto, ele admitiu: Portugal vai mesmo entrar em recessão (já estávamos à espera), o que só piorará a situação actual (menos crescimento, menos exportações, mais desemprego, mais pobreza e, lá mais para a frente, talvez mesmo deflação).
Outra coisa ele deixou no ar: Sócrates vai candidatar-se a mais um mandato, mas não explicou como vai governar caso não obtenha a maioria absoluta: em minoria, em coligação (com quem?) ou desistir (como Guterres e Barroso no passado).
Esta é, provavelmente, a questão mais interessante e que os portugueses gostariam de saber. Também para saberem se vale, ou não, a pena votar nele. Mas, ainda não foi desta...
As perguntas foram as esperadas: aquelas que os portugueses mais fazem.
As respostas, as esperadas: aquelas que o primeiro-ministro vem dando há anos a esta parte.
Ou seja: a vida dos portugueses não melhorou nos quatro anos que este governo leva, mas Sócrates diz que não há alternativa, pois a crise é estrutural (leia-se internacional).
Uma coisa, no entanto, ele admitiu: Portugal vai mesmo entrar em recessão (já estávamos à espera), o que só piorará a situação actual (menos crescimento, menos exportações, mais desemprego, mais pobreza e, lá mais para a frente, talvez mesmo deflação).
Outra coisa ele deixou no ar: Sócrates vai candidatar-se a mais um mandato, mas não explicou como vai governar caso não obtenha a maioria absoluta: em minoria, em coligação (com quem?) ou desistir (como Guterres e Barroso no passado).
Esta é, provavelmente, a questão mais interessante e que os portugueses gostariam de saber. Também para saberem se vale, ou não, a pena votar nele. Mas, ainda não foi desta...
2009/01/04
Um gueto sem saida
Menos de vinte e quatro horas depois do início da operação israelita em território de Gaza, começam a surgir as reacções previsíveis em conflitos semelhantes na região. De um lado, os defensores de Israel, que justificam todo e qualquer ataque contra os palestinianos (independentemente das razões e consequências que estas acções punitivas possam ter) com o argumento que os provocadores são sempre o Hamas; do outro, os apoiantes da causa palestina que (independentemente, das barbaridades cometidas pelos fundamentalistas islâmicos) vêem em tudo quanto de mal lhes acontece, a mão israelita.
Confesso que tenho cada vez mais dificuldade em tomar partido por qualquer das posições, já que sei (sabemos todos) que há bons e maus argumentos de ambos os lados e nenhum dos opositores tem a razão única neste conflito.
Alguns princípios começam, no entanto, a ser aceites pela maioria dos analistas e que me parecem pertinentes:
Israel, para o bem e para o mal, é um estado criado e reconhecido há 60 anos e tem, por isso, direito à existência em tanto que país independente. Os palestinianos, têm direito a um estado igualmente independente que, de resto, foi reconhecido em 1947. Ou seja, ambos os povos têm direito ao seu país, sendo que o maior problema do lado dos sucessivos representantes palestinianos tem sido o reconhecimento do estado israelita em tanto que tal (e daí os ataques sucessivos dos países árabes em 1948, 1967 e 1973); e, do lado israelita, a recusa em entregar os territórios ocupados nas sucessivas guerras, continuando com a construção de colonatos na Cijordânia e obrigando os palestinianos a viverem em verdadeiros guetos dentro dos seus próprios territórios. É esta intransigência, de ambos os campos, que vem justificando a chegada ao poder das forças mais extremistas no campo israelita e no campo palestiniano: a do Likud e dos movimentos judeus de extrema-direita em Israel e a do Hamas e dos fundamentalistas islâmicos em Gaza. Sempre que o Hamas ataca Israel, as forças fundamentalistas judaicas fortalecem-se e ganham argumentos para a guerra; sempre que Israel ataca e destrói cidades palestinianas, o Hamas ganha em popularidade. Não será diferente desta vez e os "falcões" dos dois movimentos terão com que se entreter nos próximos dias (os analistas da guerra já dizem que poderão ser semanas). Dias, ou semanas, o balanço será sempre negativo. O número de vitimas civis em ambos os campos será sempre demasiado; a devastação física de cidades e infraestruturas vitais para o bom funcionamento da sociedade (hospitais, por exemplo) nunca será compensada e, no fim, o ódio permanecerá mais vivo que nunca. Para recomeçar tudo outra vez, daqui a uns anos...
O plano defendido por Edward Said e, posteriormente, recuperado por Amos Oz (uma federação/dois estados, ou dois países/fronteiras comuns) esteve prestes a concretizar-se, mas a morte prematura de alguns dos seus defensores (Sadat e Rabin) às mãos de fanáticos fundamentalistas islamistas e judeus, atrasou o processo histórico em curso.
Uma coisa é certa: não parece que a guerra (esta guerra) vá resolver a situação; como, de resto, as guerras anteriores não resolveram. A solução terá sempre de ser política. Infelizmente, não descortinamos em nenhum dos governos, palestinos ou israelitas actuais, figuras com capacidade para tal.
Há quem ponha a esperança no próximo presidente americano. A avaliar pelas suas declarações sobre o conflito não parece que dali venha algo de construtivo...
Confesso que tenho cada vez mais dificuldade em tomar partido por qualquer das posições, já que sei (sabemos todos) que há bons e maus argumentos de ambos os lados e nenhum dos opositores tem a razão única neste conflito.
Alguns princípios começam, no entanto, a ser aceites pela maioria dos analistas e que me parecem pertinentes:
Israel, para o bem e para o mal, é um estado criado e reconhecido há 60 anos e tem, por isso, direito à existência em tanto que país independente. Os palestinianos, têm direito a um estado igualmente independente que, de resto, foi reconhecido em 1947. Ou seja, ambos os povos têm direito ao seu país, sendo que o maior problema do lado dos sucessivos representantes palestinianos tem sido o reconhecimento do estado israelita em tanto que tal (e daí os ataques sucessivos dos países árabes em 1948, 1967 e 1973); e, do lado israelita, a recusa em entregar os territórios ocupados nas sucessivas guerras, continuando com a construção de colonatos na Cijordânia e obrigando os palestinianos a viverem em verdadeiros guetos dentro dos seus próprios territórios. É esta intransigência, de ambos os campos, que vem justificando a chegada ao poder das forças mais extremistas no campo israelita e no campo palestiniano: a do Likud e dos movimentos judeus de extrema-direita em Israel e a do Hamas e dos fundamentalistas islâmicos em Gaza. Sempre que o Hamas ataca Israel, as forças fundamentalistas judaicas fortalecem-se e ganham argumentos para a guerra; sempre que Israel ataca e destrói cidades palestinianas, o Hamas ganha em popularidade. Não será diferente desta vez e os "falcões" dos dois movimentos terão com que se entreter nos próximos dias (os analistas da guerra já dizem que poderão ser semanas). Dias, ou semanas, o balanço será sempre negativo. O número de vitimas civis em ambos os campos será sempre demasiado; a devastação física de cidades e infraestruturas vitais para o bom funcionamento da sociedade (hospitais, por exemplo) nunca será compensada e, no fim, o ódio permanecerá mais vivo que nunca. Para recomeçar tudo outra vez, daqui a uns anos...
O plano defendido por Edward Said e, posteriormente, recuperado por Amos Oz (uma federação/dois estados, ou dois países/fronteiras comuns) esteve prestes a concretizar-se, mas a morte prematura de alguns dos seus defensores (Sadat e Rabin) às mãos de fanáticos fundamentalistas islamistas e judeus, atrasou o processo histórico em curso.
Uma coisa é certa: não parece que a guerra (esta guerra) vá resolver a situação; como, de resto, as guerras anteriores não resolveram. A solução terá sempre de ser política. Infelizmente, não descortinamos em nenhum dos governos, palestinos ou israelitas actuais, figuras com capacidade para tal.
Há quem ponha a esperança no próximo presidente americano. A avaliar pelas suas declarações sobre o conflito não parece que dali venha algo de construtivo...
2009/01/03
A origem das crises
A mensagem de fim de ano do PR mereceu os habituais comentários e análises dos "fazedores de opinião" profissionais. Mais um imposto que os portugueses têm de pagar pela sua iliteracia e por não saberem pensar pela sua cabeça: ouvir os comentaristas...
Quanto à mensagem propriamente dita, independentemente de achar justos muitos dos comentários e recados que incluiu, ela suscitou-me alguns pensamentos. Desde logo uma interrogação: este PR é o mesmo que foi PM durante um larguíssimo período, ou estarei engando? Terá sido a mesma pessoa...? Às tantas fiquei com dúvidas.
Por outro lado, ouviu-se uma longa diatribe a propósito da situação económica. Um desses comentadores que li notava que estava ali um especialista em economia, uma vez que a mensagem se centrou quase exclusivamente sobre a coisa económica. Mas no essencial, porém, a coisa económica ficou reduzida a um "cada um que se amanhe", aquilo que de resto temos sido sempre obrigados a fazer face a crise contínua em que o país parece estar permanentemente metido, e às "soluções" propostas pelos políticos que nos vão calhando na rifa.
Temos de convir que parece curto para um Presidente da República. Nem uma palavra sobre... Portugal e sobre os portugueses, a sua alma mais profunda, a sua cultura, o seu património. Aquilo que, em última análise, será o motor de qualquer superação real da crise. Dito assim, a mensagem do PR não diferia muito da conversa que ouço junto do quiosque dos jornais aqui da minha terra, entre os refomados que ali se reúnem. Uma espécie de presidentes de bancada...
Ouvi de facto este discurso e não pude deixar de me recordar do que escrevi aqui há pouco tempo. Não pude deixar de me lembrar, por exemplo, que ao actual PR, que se orgulha, muito justamente, da sua condição de professor de economia, lhe terão passado pelas mãos muitos dos que contribuiram para o estado caótico da economia portuguesa. Da sua boca terão certamente ouvido, pela primeira vez, os fundamentos da teoria tóxica que inquinou a nossa economia. E na sua condição de PM, algumas das estrelas mais cintilantes, responsáveis pelos escândalos financeiros que se conhecem, até colaboraram com ele directamente.
E não pude deixar de me lembrar que quando ele invocava justamente as virtudes dos pressupostos e princípios que aplicou na sua sua gestão do país (*), eu, por mim, torcia já o nariz, desconfiado com tanta "prosperidade" e com a assustadora proliferação de "habilidosos", que se ia vendo grassar por aí, gozando da mais absoluta das impunidades...
Ou esta gente pensa que nascemos todos ontem?
(*) Que em nada diferem dos que agora conduziram à actual "crise", dr. Medina Carreira...
A Gripe
Ontem, saí pela primeira vez em 2009. Uma curta visita ao hospital de Santa Maria, onde um amigo muito especial luta contra a morte. No piso onde se encontra internado (pneumologia) alguns visitantes usavam uma máscara contra as potenciais bactérias. Hesitei, entre imitar as visitas, ou os enfermeiros que diligenciam nos seus tratamentos diários sem máscara. Optei por imitar os segundos.
Hoje, de manhã, dei os primeiros espirros do ano. Assustado, fui adquirir as minhas provisões de comprimidos e aproveitei para comprar o jornal. As notícias confirmam os meus receios: a gripe está por todo o lado, mas está "controlada". Assegura-nos o Director do Serviço Nacional de Saúde. Fiquei mais descansado. Nada como um estado protector para nos sossegar. Inconscientemente, dei-me a pensar em Mugabe. Também ele decretou o fim da cólera no Zimbabwe. Se o presidente disse, deve ser verdade. Porque é que eu hei-de pensar que vou apanhar uma gripe?
Hoje, de manhã, dei os primeiros espirros do ano. Assustado, fui adquirir as minhas provisões de comprimidos e aproveitei para comprar o jornal. As notícias confirmam os meus receios: a gripe está por todo o lado, mas está "controlada". Assegura-nos o Director do Serviço Nacional de Saúde. Fiquei mais descansado. Nada como um estado protector para nos sossegar. Inconscientemente, dei-me a pensar em Mugabe. Também ele decretou o fim da cólera no Zimbabwe. Se o presidente disse, deve ser verdade. Porque é que eu hei-de pensar que vou apanhar uma gripe?
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