O CNLP é uma organização lúdico-cultural que se inspira numa boa causa e apresenta inegáveis méritos. Porém, não podem nem devem ser escamoteados os aspectos negativos que tem revelado e que haverá todo o interesse em eliminar em futuras edições. Por exemplo : 1
. O carácter altamente polémico do critério de correcção de algumas questões dos testes de qualificação. 2. A existência de erros de português na redacção do articulado do próprio regulamento do concurso. Estes foram entretanto corrigidos na quase totalidade, após alerta lançado por alguns concorrentes. 3 . As falhas, silabadas, erros cometidos na última fase da final - a das perguntas-respostas orais - por parte da apresentadora (cuja telegenia e esforço de bem fazer as coisas são inquestionáveis, mas insuficientes). 4 . Questionários também eles inquinados e, por conseguinte, geradores de confusão para os concorrentes, agravando assim as derrapagens da apresentadora. Ora, tudo isto denota uma certa superficialidade na elaboração das provas e no respectivo controlo, que não se coaduna com a pomposidade de que esta competição faz alarde. Onde acaba o desleixo e começa a incompetência ? Quero agora referir tão-só dois exemplos, entre vários outros significativos, que se impõem por escandalosos e, creio, com influência no resultado final do recente CNLP :
1.º Foi perguntado a um dos concorrentes seniores qual a função sintáctica de "amor eterno" na frase "os namorados (ou os apaixonados) prometeram-se amor eterno". O concorrente respondeu, e bem, "complemento directo", mas a resposta considerada correcta era..."complemento indirecto"(!). 2.º A concorrente sénior vencedora respondeu erradamente a uma das últimas perguntas. O termo era "inconsútil", que significa "sem costuras". Pois bem, quer a resposta dada quer a "oficial" apontaram para "sem consumo"(!). É, pois, de todo desejável que esta competição não se deixe subjugar por vícios decorrentes do seu formato demasiado tributário da lógica mediática imperante - a da espectacularidade , com os seus corolários de frivolidade e laxismo -, em prejuízo do rigor e da profundidade que a matéria em causa merece e exige.