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2017/07/11

Likes e tiragens


A página do Facebook chamada Truques da Imprensa Portuguesa (TIP) é paragem obrigatória e a sua leitura é sempre um exercício feito com enorme prazer. 
É um verdadeiro serviço público este que nos é prestado.
O acervo do TIP deveria ser leitura recomendada para qualquer estudante de comunicação e referência para todos os actuais jornalistas.
Um subdirector do Público decidiu publicar na sua página do FB a identidade dos administradores do TIP, nunca divulgada por razões que agora se percebem.  Fá-lo em termos reveladores, usando uma linguagem pidesca, que faz lembrar um período que a criatura, quase de certeza, não viveu, mas cujos métodos então empregues parece ter herdado, revelando nesta "denúncia" saber servir-se deles na perfeição.
Significativo é o facto de a página do TIP no Facebook ter seguramente mais seguidores que a tiragem do Público. E significativo é também o facto de, no post onde é feita a "denúncia",  ter sido colocado um esclarecimento (feito em termos bastante dignos e correctos, que contrasta fortemente com a linguagem trauliteira usada pela "denunciante") de um dos administradores do TIP, que tem 5 vezes (pelos menos tinha há umas horas...) mais likes que a própria "denúncia".
O Público — que eu deixei de ler e, posteriormente, de seguir no FB há muito — e os restantes monos da imprensa portuguesa, não se devem admirar quando vêem fugir-lhes público. Devem antes perguntar-se, com toda a humildade, por que razão páginas como  Truques da Imprensa Portuguesa interessam tantos seguidores.
Por que diabo tanta gente quer descobrir os truques da imprensa portuguesa? Por que será...?

2011/10/11

Falta a vontade...

A crónica do José Vítor Malheiros hoje no Público é leitura obrigatória. Continua a haver gente determinada em expor e desmontar, com grande talento, o gigantesco embuste em que vivemos hoje e continua a haver gente sem vontade de o ver e de actuar para castigar duramente os artífices desse embuste.
Parece que estamos todos envolvidos num colossal número de alucinação colectiva, uma novidade da indústria de entretenimento a que podemos chamar ilusionismo social.
Falta a vontade... mas não se diga que faltam os meios!

2011/06/04

Sobre a estupidez e os espasmos da máquina alemã

Dois artigos que se cruzaram, por acaso, na edição de hoje do Público. Afinal acabam a cumprimentar-se (1). Paulo Varela Gomes reflecte sobre a estupidez. Na ciência, opina, é preciso ser-se, ou fazer-se um bocado estúpido, e explica porquê. "É evidente que a estupidez científica", diz, " é útil para impedir que se tirem conclusões precipitadas ou se generalize abusivamente (...) Para o bem ou para o mal, sem estupidez não há ciência."
A "estupidez" de que fala, em tom crítico, mas certeiro, Paulo Varela Gomes é uma outra forma de colocar a velha questão da pergunta científica (2).
Fernando Mora Ramos, noutro ponto do Público fala dos pepinos. "Uma bactéria no interior de pepinos espanhóis lança a morte entre os alemães", mas, argumenta, "é antiga a facilidade com que se encontra um bode expiatório a sul."
A verdade é que os austeros alemães, trabalhadores organizados, sólidos, dedicados, precisos, enganaram-se.
Pode-se argumentar: esta generalização é, como todas, abusiva. Mas, pode-se também especular: será que os alemães não foram sequer suficientemente estúpidos? Pode-se argumentar: ter-se-ão mostrado incapazes de formular a pergunta? Estranho, quando se observa a sua tradição e o seu progresso científico.
Ou terão os alemães afinal sido suficientemente estúpidos, mas, como bem diz o Paulo Varela Gomes, com aquela "estupidez científica [que] vem servir de suporte à estupidez (ou conveniência) política e social de quem não deseja outro futuro que não o da imbecilidade colectiva?"
Doravante podemos perguntar: serão ou não os alemães suficientemente estúpidos para podermos neles confiar? A dúvida está instalada e a suspeita de que a máquina alemã não é tão fiável como nos querem fazer supor é perfeitamente legítima. Só um estúpido é que não vê.


(1) Não tenho links; quem quiser ler terá de comprar o periódico.
(2) Sobre isto aproveito para aconselhar a audição desta entrevista de António Coutinho no programa "Quinta Essência" de ontem na Antena 2. Vale mesmo a pena ouvir toda a entrevista, sobretudo no que se refere a esta questão da tal pergunta. A incapacidade colectiva de a formular, a falta de uma cultura de formulação da pergunta (a falta de uma certa cultura de estupidez, por assim dizer...)  é, quanto a mim, a causa de todos os nossos males.

2011/05/14

Leituras para o Pentecostes

Duas leituras para o fim de semana. Falam do mesmo tema, cada um no seu modo, e se juntarmos o post do Rui Mota de ontem aqui no Face, já temos aqui um dossier que dá que pensar...
O primeiro que recomendo é (mais) um do meu amigo Fernando Mora Ramos, chamado o "O enterro do conceito". Encontrá-lo-ão aqui. O segundo que queria igualmente distinguir é de São José Almeida, chama-se "A Contra-Reforma" e saiu hoje no Público. Para o lerem podem aceder a este link, se forem assinantes do jornal, ou dirigirem-se ao vosso quiosque e comprar a edição de hoje.
Por que razão, para ler os comentadores cujas opinões dão que pensar, temos de pagar enquanto os imbecis nos chegam à borla e em catadupas pela televisão e pela rádio, quer a gente queira, quer não...? É por estas e por outras que hesitei muito antes de decidir se digitalizava o artigo ou não e o publicava aqui.

2010/12/14

Serviço público

O Público iniciou no dia 22 de Novembro a publicação do trabalho em filme de Michel Giacometti. "Povo que Canta" é o título da série de 12 volumes (livros, cd e dvd), contendo os 37 episódios da série emitida entre 1970-1974 pela RTP e dois outros volumes com material extra. Esta edição foi coordenada pelo antropólogo Paulo Lima.
Ninguém que se interesse por música neste país pode prescindir desta série. Este "Povo que Canta" é um trabalho que não vai certamente deixar ninguém indiferente. Já suscita, e suscitará certamente ainda mais no futuro, muitas interrogações sobre uma vasta gama de questões.
Um verdadeiro serviço público este que o jornal Público faz. Veja mais informação sobre o "Povo que Canta" aqui.

2010/10/24

"Declaração"

O Público de ontem contém uma "Declaração" de Paulo Varela Gomes (clique na imagem para a ler)  incluida na habitual crónica de sábado "Cartas do Interior".
Por concordar totalmente com o que aí é dito, por ser sensível a este apelo bem articulado, sincero e simples, e por estar disposto a participar nas acções nele sugeridas, aqui a reproduzo com a devida vénia—como acto de total solidariedade— na esperança de que outros, que não tiveram possibilidade de o fazer, possam ler esta "Declaração" e avaliar, por si próprios, a oportunidadade e o alcance do que aí é preconizado.
Se esta reprodução não for legal, paciência; é, desde já, uma forma de começar a participar no que PVG sugere...

2010/03/04

Uma leitura demolidora da Leya...

Uma chamada especial de atenção para o "Ainda Ontem" de hoje de Miguel Esteves Cardoso no Público, com o título O Ultraje.
Saúdo o desassombro e subscrevo tudo o que escreveu, até ao fim...