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2014/08/03
A ler
Um texto a não perder. O autor é Fernando Mora Ramos e o título "O sistémico que convém e a ética dos banqueiros".
2011/06/04
Sobre a estupidez e os espasmos da máquina alemã
Dois artigos que se cruzaram, por acaso, na edição de hoje do Público. Afinal acabam a cumprimentar-se (1). Paulo Varela Gomes reflecte sobre a estupidez. Na ciência, opina, é preciso ser-se, ou fazer-se um bocado estúpido, e explica porquê. "É evidente que a estupidez científica", diz, " é útil para impedir que se tirem conclusões precipitadas ou se generalize abusivamente (...) Para o bem ou para o mal, sem estupidez não há ciência."
A "estupidez" de que fala, em tom crítico, mas certeiro, Paulo Varela Gomes é uma outra forma de colocar a velha questão da pergunta científica (2).
Fernando Mora Ramos, noutro ponto do Público fala dos pepinos. "Uma bactéria no interior de pepinos espanhóis lança a morte entre os alemães", mas, argumenta, "é antiga a facilidade com que se encontra um bode expiatório a sul."
A verdade é que os austeros alemães, trabalhadores organizados, sólidos, dedicados, precisos, enganaram-se.
Pode-se argumentar: esta generalização é, como todas, abusiva. Mas, pode-se também especular: será que os alemães não foram sequer suficientemente estúpidos? Pode-se argumentar: ter-se-ão mostrado incapazes de formular a pergunta? Estranho, quando se observa a sua tradição e o seu progresso científico.
Ou terão os alemães afinal sido suficientemente estúpidos, mas, como bem diz o Paulo Varela Gomes, com aquela "estupidez científica [que] vem servir de suporte à estupidez (ou conveniência) política e social de quem não deseja outro futuro que não o da imbecilidade colectiva?"
Doravante podemos perguntar: serão ou não os alemães suficientemente estúpidos para podermos neles confiar? A dúvida está instalada e a suspeita de que a máquina alemã não é tão fiável como nos querem fazer supor é perfeitamente legítima. Só um estúpido é que não vê.
(1) Não tenho links; quem quiser ler terá de comprar o periódico.
(2) Sobre isto aproveito para aconselhar a audição desta entrevista de António Coutinho no programa "Quinta Essência" de ontem na Antena 2. Vale mesmo a pena ouvir toda a entrevista, sobretudo no que se refere a esta questão da tal pergunta. A incapacidade colectiva de a formular, a falta de uma cultura de formulação da pergunta (a falta de uma certa cultura de estupidez, por assim dizer...) é, quanto a mim, a causa de todos os nossos males.
A "estupidez" de que fala, em tom crítico, mas certeiro, Paulo Varela Gomes é uma outra forma de colocar a velha questão da pergunta científica (2).
Fernando Mora Ramos, noutro ponto do Público fala dos pepinos. "Uma bactéria no interior de pepinos espanhóis lança a morte entre os alemães", mas, argumenta, "é antiga a facilidade com que se encontra um bode expiatório a sul."
A verdade é que os austeros alemães, trabalhadores organizados, sólidos, dedicados, precisos, enganaram-se.
Pode-se argumentar: esta generalização é, como todas, abusiva. Mas, pode-se também especular: será que os alemães não foram sequer suficientemente estúpidos? Pode-se argumentar: ter-se-ão mostrado incapazes de formular a pergunta? Estranho, quando se observa a sua tradição e o seu progresso científico.
Ou terão os alemães afinal sido suficientemente estúpidos, mas, como bem diz o Paulo Varela Gomes, com aquela "estupidez científica [que] vem servir de suporte à estupidez (ou conveniência) política e social de quem não deseja outro futuro que não o da imbecilidade colectiva?"
Doravante podemos perguntar: serão ou não os alemães suficientemente estúpidos para podermos neles confiar? A dúvida está instalada e a suspeita de que a máquina alemã não é tão fiável como nos querem fazer supor é perfeitamente legítima. Só um estúpido é que não vê.
(1) Não tenho links; quem quiser ler terá de comprar o periódico.
(2) Sobre isto aproveito para aconselhar a audição desta entrevista de António Coutinho no programa "Quinta Essência" de ontem na Antena 2. Vale mesmo a pena ouvir toda a entrevista, sobretudo no que se refere a esta questão da tal pergunta. A incapacidade colectiva de a formular, a falta de uma cultura de formulação da pergunta (a falta de uma certa cultura de estupidez, por assim dizer...) é, quanto a mim, a causa de todos os nossos males.
2011/05/14
Leituras para o Pentecostes
Duas leituras para o fim de semana. Falam do mesmo tema, cada um no seu modo, e se juntarmos o post do Rui Mota de ontem aqui no Face, já temos aqui um dossier que dá que pensar...
O primeiro que recomendo é (mais) um do meu amigo Fernando Mora Ramos, chamado o "O enterro do conceito". Encontrá-lo-ão aqui. O segundo que queria igualmente distinguir é de São José Almeida, chama-se "A Contra-Reforma" e saiu hoje no Público. Para o lerem podem aceder a este link, se forem assinantes do jornal, ou dirigirem-se ao vosso quiosque e comprar a edição de hoje.
Por que razão, para ler os comentadores cujas opinões dão que pensar, temos de pagar enquanto os imbecis nos chegam à borla e em catadupas pela televisão e pela rádio, quer a gente queira, quer não...? É por estas e por outras que hesitei muito antes de decidir se digitalizava o artigo ou não e o publicava aqui.
O primeiro que recomendo é (mais) um do meu amigo Fernando Mora Ramos, chamado o "O enterro do conceito". Encontrá-lo-ão aqui. O segundo que queria igualmente distinguir é de São José Almeida, chama-se "A Contra-Reforma" e saiu hoje no Público. Para o lerem podem aceder a este link, se forem assinantes do jornal, ou dirigirem-se ao vosso quiosque e comprar a edição de hoje.
Por que razão, para ler os comentadores cujas opinões dão que pensar, temos de pagar enquanto os imbecis nos chegam à borla e em catadupas pela televisão e pela rádio, quer a gente queira, quer não...? É por estas e por outras que hesitei muito antes de decidir se digitalizava o artigo ou não e o publicava aqui.
2011/04/22
Leituras de Páscoa
Enquanto os católicos reflectem sobre o mistério da morte, duas leituras de textos recentes sobre a democracia, vêm a propósito. Um que aborda a realidade interna e outro que aborda a realidade externa. De uma leitura cruzada concluímos, sem embargo de uma reflexão profunda e urgente sobre os termos da nossa democracia, que a crise interna não se vai resolver sem a que a crise externa esteja resolvida. Mas, esperem! De que crise estaremos nós afinal a falar?
Do meu amigo Fernando Mora Ramos recomendo este texto intitulado "Mediocridade, partidocracia, mérito e democracia". A democracia "é um sistema que serve apenas directamente parte dos que votam, mais ou menos, e os partidos que são proprietários da democracia – é uma democracia para os partidos e não para o interesse de todos." É o défice democrático cuja contabilidade este texto nos ajuda a decifrar.
De Noam Chomsky recomendo este outro texto intitulado "Is the World Too Big to Fail? The Contours of Global Order". Entre cheiro concentrado a petróleo e a concentração do poder e da riqueza, Chomsky proclama que "as eleições transformaram-se numa farsa, dirigida pela indústria de relações públicas".
Seja qual for a longitude ou a latitude, seja qual for a realidade sócio-económica, com legendas em inglês, em português ou noutra língua qualquer, a verdadeira crise é a da globalização deste modelo de democracia em que vivemos, que necessita de ir à revisão urgentemente.
Do meu amigo Fernando Mora Ramos recomendo este texto intitulado "Mediocridade, partidocracia, mérito e democracia". A democracia "é um sistema que serve apenas directamente parte dos que votam, mais ou menos, e os partidos que são proprietários da democracia – é uma democracia para os partidos e não para o interesse de todos." É o défice democrático cuja contabilidade este texto nos ajuda a decifrar.
De Noam Chomsky recomendo este outro texto intitulado "Is the World Too Big to Fail? The Contours of Global Order". Entre cheiro concentrado a petróleo e a concentração do poder e da riqueza, Chomsky proclama que "as eleições transformaram-se numa farsa, dirigida pela indústria de relações públicas".
Seja qual for a longitude ou a latitude, seja qual for a realidade sócio-económica, com legendas em inglês, em português ou noutra língua qualquer, a verdadeira crise é a da globalização deste modelo de democracia em que vivemos, que necessita de ir à revisão urgentemente.
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