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2014/06/26

Síndrome Nacional

A poucas horas do "mata-mata", poucas ilusões restam sobre o futuro da selecção portuguesa, nesta edição do Campeonato do Mundo de Futebol. Amanhã, por esta hora, estará a fazer as malas para regressar a Portugal o que, independentemente da exibição de hoje, será o epílogo lógico de uma participação sem brilho e força anímica, outra designação amável para a chamada falta de atitude.
Depois do apuramento na fase de qualificação, conquistado graças a um super motivado São Cristiano, os responsáveis embandeiraram em arco, convencidos que a exibição de Estocolmo era a regra e não a excepção. A FIFA ajudou nesta ilusão, ao classificar-nos (vá lá saber-se porquê) em 4º lugar no "ranking" mundial de selecções e, a partir desse momento, toda a gente pensou que poderíamos ser a surpresa do torneio e - calculem só! - até ganharmos no Brasil.
Daí para cá, e já lá vão uns meses largos, assistimos a um acumular de sinais que pronunciavam a borrasca: desde jogadores (considerados titulares da selecção), que praticamente não jogavam nos seus clubes devido a má forma; passando por outros, afastados por castigo ou pré-eliminados pelo seleccionador; até às épocas longas e desgastantes nos principais clubes, tudo contribuiu para que o lote de escolha fosse reduzido. Junte-se a digressão preparatória pelos Estados Unidos (que mais interesse parece não ter tido do que cumprir contractos comerciais) e a escolha de um lugar de estágio, distante milhares de quilómetros dos estádios onde ia competir, para perceber que, dificilmente, nestas condições logísticas e climatéricas, a selecção poderia ter um bom desempenho.
Não por acaso, as limitações físicas desta equipa, apareceram logo no primeiro jogo com as lesões de três dos seus titulares. Junte-se a estes, o afastamento de um quarto elemento por expulsão e as duas posteriores lesões no segundo jogo, para perceber que, com metade dos titulares lesionados, dificilmente uma selecção, sem "segundas linhas", poderia resistir. Com o "melhor jogador do Mundo" em sub-rendimento e um treinador teimoso, que não abdica dos seus fiéis, estavam reunidas as condições ideais para a "tempestade perfeita". Tudo o que devia correr mal, correu pior e, como é habitual  nestas ocasiões, a lei de Murphy também não falhou.
Num país desmotivado por uma crise estrutural, e onde as perspectivas de melhores dias não passam da "fata morgana" permanentemente adiada, esta equipa nacional é bem o símbolo do período histórico que atravessamos. Porque tudo muda, e pior do que estamos é quase impossível, só nos resta confiar que, daqui para diante, consigamos melhorar. Com um bocado de inspiração e sorte, talvez comece já esta tarde, quem sabe?...
   

2012/06/28

Freud explica

Agora que Portugal foi eliminado do Euro, após semanas em que o sentimento dos portugueses alternou entre a descrença, a esperança e a ilusão, é sempre reconfortante ouvir os treinadores de bancada opinar sobre a grande prestação da equipa portuguesa. Uma vez mais, ganhámos moralmente: não jogámos melhor do que a Espanha, mas merecíamos ganhar nos 90 minutos, pesem os 30 minutos de tempo extra onde os espanhóis podiam ter acabado com o jogo. Os penalties, são um capítulo à parte. Há quem lhe chame lotaria, azar ou destino. Obviamente, é preciso algum sangue-frio e isso os espanhóis tiveram-no. Tão simples como isto. Também não lembra a ninguém pôr o João Moutinho a marcar o primeiro penalti e deixar o Ronaldo para o fim. Sobre a prestação do "melhor jogador" do Mundo, as opiniões dividem-se: uns acham que esteve bem, outros que só às vezes e há quem ache que, na selecção, ele não rende tanto como nos clubes que representa. Uma das explicações para este facto, poderá ter a ver com a "ansiedade" que sempre demonstra nos jogos da "nossa" equipa. De acordo com uma opinião (imagino que de um treinador de divã) a "ansiedade" que caracteriza Ronaldo nos jogos da selecção, poderá ter a ver com uma infância infeliz e a falta de uma verdadeira mãe quando era criança (!?). Por isso, devemos compreendê-lo. Desta, confesso, nunca me tinha lembrado.

2010/06/11

I've got a feeling

Começou o "circo" e os prognósticos, nesta altura do campeonato, não podiam ser piores.
Se o apuramento para a fase final já tinha sido "arrancado a ferros", o que se seguiu apenas confirmaria as piores impressões: uma selecção constituida por jogadores em baixo de forma, lesões preocupantes, um seleccionador sem soluções para lugares-chave da equipa, um estágio "morno" na Covilhá, fracas prestações nos jogos de preparação e uma forma física decepcionante. Às críticas da "bancada", o verdadeiro treinador respondeu sempre fleumaticamente, afirmando sermos os "maiores" e que vamos prová-lo no hemisfério sul. Mal tinhamos chegado a África e já o nosso melhor acrobata (duplo salto com flic-flac) tinha partido a clavícula. No meio deste "karma" lusitano, nem os jornalistas do "bungalow" conseguiram escapar. Valeu estarem já a dormir, o que ajuda sempre nestas situações.
A esperança renasceu esta semana com a infelicidade do Drogba, mas hoje os noticiários passavam em roda-pé que, afinal, sempre vai jogar contra Portugal. Quem parece não acreditar nos "navegadores" é o Toni, que preferiu ser "olheiro" a "patrioteiro", segundo a velha máxima "trabalho é trabalho, cognac é cognac".
O que é que ainda faltará acontecer à selecção? Não sabemos. Já provámos que somos sensíveis às "vuvuzelas", pois ninguém parece ouvir nada dentro do campo. Daí, a razão de cada um jogar por si. Pode ser que seja essa a táctica. Os adversários estão à espera de um modelo de jogo e nós ainda andamos à procura dele. Às vezes, dá resultado.