2026/01/05

Taxi Driver (45)

Está "livre"?

- Sim, para que lado vai?

Para a Buraca.

- Bom, estava a pensar ir jantar, mas entre lá. Ainda há pessoas dentro do Shopping? Já são 8horas...

Há, mas eu venho do cinema e as sessões terminam mais tarde.

- Alguma coisa de interesse em cartaz?

 Alguns filmes interessam, sim. Mas são poucos, nesta época.

- Eu para mim, só musicais. Tenho visto quase todos. Ainda estou à espera de um bom sobre o Freddie Mercury...

Dos "Queen"? Parece que há um filme biográfico, com um actor parecido...

- Ninguém imita o Freddie! Já vi bons filmes sobre o Dylan, o Springsteen, mas o Freddie é inimitável.

Sim, acredito que seja difícil, mas arranja-se sempre um bom actor ou cantor que o faça. Já vi bons filmes sobre cantores norte-americanos e europeus e eram bastante bons.  

- Conhece o Léo Ferré? Conhece com certeza... 

Conheço, claro. Tenho discos e vídeos dele e até o vi ao vivo duas vezes. 

- No Coliseu? Também, estive lá...

Por acaso, vi-o no estrangeiro. Na Holanda, na década de oitenta...

 - Que sorte! Quem é que viu mais?

- Sei, lá, grupos famosos da altura...os Stones, os Pink Floyd, os The Band, os Beachboys, o Dylan, os Chicago...

- Desculpe lá a pergunta. E tem discos dessa gente toda? 

Tenho, claro. Entre LPs e CDs, mais de dois mil. Perdi a conta...

- Isso vale uma fortuna...

Talvez, nunca avaliei a discografia...

- Sabe qual o artista que tem o "record" mundial de vendas? Veja lá se adivinha...

Talvez a cantora norte-americana da moda...

- A Taylor Swift? Está perto. Não, quem continua a vender mais é o Elvis. Sabia? 

Não me surpreende, mas não sabia, não...

- E tem LPs do Elvis? E, já agora, do Johnny Cash?  

 Por acaso, tenho. Não muitos, mas os mais antigos. A melhor fase de ambos. 

- E dos Emerson Lake and Palmer? E do Jethro Tull, também? E dos Crosby, Stiil and Nash? São muito difíceis de encontrar...

 Por acaso, tenho deles todos. Um ou dois de cada grupo, no máximo...

- Já percebi. O senhor é como eu. Um coleccionador.  Desculpe lá, só mais uma pergunta: também tem o "White Album" dos Beatles? Não se arranja...

Por acaso, tenho. Tenho a maior parte dos discos dos Beatles. Todos em LP.

- E tem a certeza que não quer vender esse? 

A certeza absoluta. 

- Pronto, não faz mal. Eu faço sempre esta pergunta. Nunca se sabe. Há tempos, em conversa com uma senhora, ela disse-me que tinha uma coleção de LPs em casa e que queria desfazer-se deles. Fui lá ver, mas, a maior parte, eram de música clássica. Não valem nada. Comprei-lhe a colecção toda de Pop/Rock. A 5euros cada. Um bom negócio! Para ela e para mim. Está a ver?...

Estou a perceber. Boa noite e bons negócios. 

2026/01/03

2026: O Inverno do nosso descontentamento

Não começou bem o ano. 

Para quem, ainda há três dias, fazia votos de paz no Mundo, Trump (who else?) encarregou-se de desfazer as poucas ilusões que restavam. 

O ataque, esta madrugada, à Venezuela, um país soberano (ainda que governado por um autocrata), deve ser objecto de condenação e repúdio por todas as forças democráticas internacionais, única forma de salvaguardar o que resta do direito internacional e das instituições que asseguram o cumprimento das suas leis. 

Acontece que o Mundo mudou e não foi para melhor. A chegada ao poder de autocratas como Trump, fortaleceu outras ditaduras que, por sua vez, vêem na eleição do presidente americano, a validação das suas próprias políticas de expansão. O caso mais notório é o de Israel, que continua impunemente a ocupar territórios e a matar indiscriminadamente civis, num dos maiores genocídios cometidos no pós-guerra. 

O Mundo unipolar acabou. As grande potências (leia-se, ditaduras) preparam-se para dividir o Mundo em zonas de influência, com vista a dominar o controlo e exploração das riquezas fundamentais para a sua dominação. Os EUA voltaram à "doutrina Monroe" e preparam-se para "libertar" a América Latina de influências estrangeiras; em troca, Trump "oferece" a Ucrânia a Putin, que continua a sua expansão imperialista para Ocidente; enquanto a China, ficará com o Pacífico e, mais cedo ou mais tarde, anexará Taiwan. 

Resta saber, como foi possível raptar Maduro da Venezuela sem cumplicidades internas e, eventualmente, do apoio implícito de outros governos, informados previamente da operação...  

Da Europa, como de costume, nada de relevante a assinalar, à excepção das declarações de Kallas, a "tonta" de serviço, que se apressou a condenar o governo de Maduro, como se o facto, de ele ser um ditador, pudesse justificar o ataque a um país soberano. Já de Rangel, certamente desaparecido em combate, nada de significativo como de costume, salvo a pífia declaração de que a comunidade portuguesa emigrada na Venezuela, está sã e a salvo. Antes assim...

Bem vindos a 2026!