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2011/11/26

Turbulência financeira

Segundo o venerando pai da democracia e principal subscritor do recente "manifesto dos 9", que anda por aí a circular, os governos estão a ser dominados pelos mercados.
A sério? E nós que ainda não tinhamos dado por isso...

2011/04/25

Lamentável "comemoração"


Perante a inexplicável ausência de uma comemoração formal na sede própria, na casa da democracia que é a AR, o que poderia parecer uma boa alternativa para ajudar a dar um novo rumo à situação crítica que atravessamos e um novo alento à dura luta em que estamos envolvidos, não passou afinal de um ritual confrangedor, um espelho do completo vazio em que vivemos. Um espelho revelador da incapacidade de gerar perspectivas e da profunda injustiça e fantasia em que vive hoje o nosso regime político. Um pequeno ritual de auto-comprazimento, de repetição monocórdica dos mesmos clichés, de celebração da mediocridade e de total desresponsabilização. Um ritual que espelha, sobretudo,  o jaez das nossas "elites" políticas.
Nunca se percebe bem, para começar, a quem se dirigem as apreciações que esta gente faz.  Nunca são claros quanto ao cravo e à ferradura em que pretendem acertar, nunca se sabe muito bem quem é, ao certo, o alvo das suas críticas. A verdade é cuidadosamente velada. A crítica não vai além do escandalosamente óbvio e é sempre feita de forma a não perturbar os humores mais sensíveis.
São obscuros em tudo, menos numa coisa: os portugueses é que viveram acima das suas possibilidades. Nesse caso a sugestão de culpas é clara e precisa: há pobreza, mas são, afinal, os pobres que têm culpa. A estratégia é antiga.
Que exemplo (haveria que dar o exemplo, afinal há crise ou não?!!) dão e que moral têm estas criaturas, beneficiárias, elas próprias, de vastas mordomias de que não prescindem, imerecidas e incompatíveis com os resultados obtidos, que moral, dizia eu, tem esta gente para criticar situações que resultam exclusivamente da sua actuação desqualificada ao longo dos mandatos para que foram eleitos? Quem se revê e quem confia nestes políticos? As decisões erradas ou a ausência de decisões que nos conduziram a este estado foram responsabilidade de quem? Quem assinou as leis? Quem tem as rédeas do poder? Quem comanda afinal, exactamente, as instituições que determinam as grandes linhas do nosso quotidiano colectivo? Quem discrimina, quem determina as políticas, quem controla?
Os portugueses, é certo, podem votar. Mas, serão as condições de escolha justas e claras? Será por não o serem que se abstêm? E se os portugueses são culpados por não intervirem mais na sua vida colectiva, o que pensar então daqueles que se propõem intervir, não obtêm resultados, mas se aproveitam deste seu estatuto para continuarem a ter privilégios indevidos, como se tivessem obtido esses resultados? Que exemplo dá esta gente?
Em vésperas do 25 de Abril, a falta de democracia levou-nos ao apelo "Bota no Marcello!" Querem ver que vamos ter de voltar à "bota útil"?

2011/04/21

Farto destes gajos!

Nobre, Coelho... a generosidade de Soares é maior que a do Banco Alimentar! Há tempo foi o "apoio" dado à candidatura de Fernando Nobre. Deu-lhe a mão e, depois dele lhe ter feito o frete, largou-o aos bichos. Agora é Passos Coelho. O jovem líder do PSD vai aprender em breve o significado da palavra descartável e vai aprender outra coisa importante: nem tem tempo para cometer erros.
Mário Soares continua a conspirar e a manobrar para manter este regime defeituoso e ineficaz, que já foi por três vezes à glória e de que ele, with a little help from his friends, é um dos grandes obreiros.
Não parece, mas a influência desta malta continua grande. Já era tempo destes senadores (Soares, Almeida Santos e outras figuras desta nossa pardacenta democracia), que nos deixaram de tanga, largarem a toga e desaparecerem de cena.
O país continua nesta, a precisar de estar noutra, mas esta malta não "deslarga".

2010/04/23

A agenda de Soares

Em entrevista, a passar hoje numa rádio nacional, o venerando Mário Soares aborda algumas das questões em debate na sociedade portuguesa. Entre as inúmeras pérolas escutadas, algumas são mesmo preciosas. Por exemplo, aquela onde ele diz que se fosse primeiro-ministro nunca iria a uma Comissão de Inquérito (com o argumento de que o prestígio do cargo deve ser defendido). Ou, outra, onde concorda que Manuel Alegre faz parte da família socialista (ainda que diga coisas muitas duras sobre o PS) e que, nas próximas eleições, ele votará naquele que considerar o melhor candidato...
"En passant", não deixa de considerar que este PS é o melhor garante do regime democrático (!?), de elogiar Passos Coelho (pela sua inteligência) e lá voltou a dizer que a Europa não tem líderes. Também reconheceu que a sociedade portuguesa tem cada vez mais desigualdades (porque será?) e que o futuro da sociedade só pode ser o socialismo...
Há muito tempo que Soares não é para levar a sério e, como os iogurtes, também já passou o seu prazo de validade. Acontece que estas figuras, que alguns apelidam de "pais da democracia", crêem poder continuar a influenciar "ad eternum" o curso dos acontecimentos e a comportarem-se como se o país fosse uma coutada pessoal.
Soares não se lembrou de Bill Clinton ou Tony Blair, chefes de governos de democracias consolidadas que, ainda não há muito tempo, tiveram de responder em Comissões de Inquérito Parlamentares nos respectivos países.
Sobre Alegre (goste-se ou não do político) foi um dos poucos membros do PS que ousou criticar a política neo-liberal de Sócrates e, nesse sentido, estar à esquerda da actual direcção do PS. Isto para não falar do estafado argumento de que não há líderes europeus como no seu tempo...
Percebe-se o incómodo: Soares sempre gostou de estar no centro das atenções e nunca perdoou as humilhantes derrotas para a Presidência do Parlamento Europeu ou, mais recentemente, a das últimas eleições presidenciais. Desde então, tudo tem feito para evitar que o PS apoie a candidatura daquele que o derrotou de forma inequívoca.
O seu comportamento revela, afinal, aquilo que sempre foi: um "egotripper", para quem o país está subordinado aos interesses do partido que fundou, enquanto mantém uma agenda paralela de influências, através das quais procura destabilizar as opiniões daqueles que o afrontam.
O "pai da democracia" tornou-se um personagem patético.