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2025/04/10

Trump ou a Máfia no poder


Se dúvidas houvesse, as recentes medidas do narciso psicopata (que governa os EUA) mostram até que ponto a insanidade do "homem" é perigosa para a Humanidade.

Diz e desdiz-se diariamente, conforme os ventos são de feição para as suas práticas mafiosas, que mais não pretendem do que controlar a economia (leia-se, dívida) com vista a salvaguardar o défice norte-americano que atingiu triliões de dólares na última década. 

No fundo, a mensagem subliminar, implícita neste "bullying" permanente, resume-se à icónica frase de Corleone: "I'll make you an offer you can´t refuse". Por outras palavras: "ou aceitam as minhas condições ou não vos garanto protecção". 

Um fdp da pior espécie que, no médio prazo, espera obter algumas vantagens (desvalorização do dólar e diminuição da dívida externa), mas que, no médio-prazo, irá perder. Por alguma razão, suspendeu as medidas (tarifas) anunciadas, por 90 dias, na esperança de (re)negociar os valores, entretanto perdidos em bolsa. A China foi o primeiro aviso, mas outros países e espaços económicos (UE) se seguirão. 

A questão central é saber até que ponto a reacção interna dos consumidores norte-americanos vai contribuir para a sua queda. Elon Musk (que não é propriamente um democrata) parece ter percebido o desastre e prepara-se para ser o primeiro rato a abandonar o navio. 

Tudo isto, porém, poderá demorar demasiado tempo e o tempo corre contra os democratas e os mercados (internos e externos) que se opõem a este regime (tecno)fascista. 

Os tempos mudaram e, a partir daqui, nada será como dantes. Esta é, para já, a única certeza. 

2013/01/11

Portugal em 3D

Conta-se que, quando tiveram lugar as primeiras projecções públicas de cinema, os espectadores fugiam quando viam a imagem de um comboio aproximar-se no ecrã, em "direcção" à plateia. A pouco e pouco a habituação apagou o efeito de surpresa. Com o 3D dos anos 50 procurou-se de novo chocar o espectador. Hoje esta tecnologia, muito mais apurada, permite um efeito ainda mais realista.
Apesar das reacções, as imagens produzidas com a velha tecnologia não passavam de ilusão, mas também o era o 3D dos anos 50 e o poderoso 3D de hoje também não é a realidade. Em qualquer dos casos ilusão é o efeito que se pretende criar. Os Na'vi, de facto, não existem...
Com uma simples câmara movida a corda ou com um sofisticado sistema de objectivas duplas, digital, a filmar em alta resolução, o objectivo é sempre o mesmo: produzir um universo virtual que leve o espectador a criar a ilusão de que está mesmo lá dentro e lhe permite povoá-lo com as ficções que o autor induz.
Em Portugal vivemos neste momento em plena era 3D. O governo e os restantes agentes do poder (todos os agentes das diversas formas de poder!) não precisaram sequer de distribuir óculos especiais à população. Tenta-se fazer os Portugueses comer por bom um universo totalmente artificial, criado com perícia e eficácia é certo, mas que não deixa por isso de ser o que é: uma enorme, uma monumental pantominice.
Repare-se, por exemplo, nisto. Aqui há dias foi dito (e não foi desmentido por ninguém!) que o "negócio do resgate" a Portugal permitiu um rendimento de 57% aos investidores. Uma personalidade qualquer alemã (já não me lembro se do governo ou do BCE) chegou mesmo a confessar que a própria Alemanha tinha lucrado bastante com o tal "resgate". As notícias correram os blogs, as páginas do Facebook e foram "tweetadas" até à exaustão. Quando digo "negócio do resgate" refiro-me àquilo que Passos Coelho e o ministro Gaspar classificaram como uma inevitabilidade, o tal "custe o que custar" que obrigou Portugal inteiro a vergar-se à sua lógica e à sua tirania, provocando uma das maiores catástrofes sociais de que há memória em Portugal.
O negócio foi correndo de vento em popa, mas agora, a malta agita-se... As mentiras destes vigaristas, comissionistas locais da finança agiota que tenta tomar conta dos nossos destinos, são cada vez mais evidentes para o comum dos cidadãos, mesmo daqueles para quem a "política" é tabu. A leviandade e a má fé são cada vez mais evidentes e o cataclismo social está cada vez mais iminente. Passos Coelho perde manifestamente o pé. As comadres zangam-se, as fissuras começam a ver-se. O esquema liberal, neoliberal ou como lhe queiram chamar estala por todo o lado, apesaar dos retoques. O arranjinho está em perigo.
Os "mercados" decidem então desapertar a tarraxa e baixar a taxa de juro das "maturidades" (este jargão é impagável!) a 5 e 10 anos para valores semelhantes aos que tínhamos "no final de 2010". São as novidades de hoje.
Em breve (querem uma aposta?), Coelho virá à televisão ou aproveitará um momento em que lhe estendam pressurosamente os microfones e as câmaras para anunciar, sem contradita, que está mau mas estamos no caminho certo e que os "mercados" reconhecem o esforço de Portugal. E irá dizer que vamos finalmente poder reentrar nos "mercados", graças ao esforço feito. Serão estes "mercados" —onde não estamos, mas onde vamos poder reentrar— os mesmos que acham que estamos no bom caminho e que provocam a baixa do juro do mercado secundário? Ou serão os que lucraram 57% com o resgate português? Mistérios...
Este tipo de contradições multiplica-se ad nauseum. Não parece contraditório, por exemplo, o destino que está a ser dado a este resgate se tivermos em conta as razões que motivaram o seu pedido? Não parecem contraditórias as opções estratégicas tomadas face aos problemas estruturais de que o país padece, tão repetidamente apontados? Não parece contraditório apontar esses problemas, não tomar uma única medida para os solucionar e usar o "resgate" para continuar a promover as causas que levaram ao seu aparecimento?
Os deuses não sorriem a Passos Coelho e parece claro que são cada vez mais os que topam a mentira. O negócio parece pois estar em perigo. Há que, pensarão os mercados, dar alguma folga para não o perder. O governo esclarece-nos que é tudo consequência do nosso bom comportamento. Mas, a verdade é que tudo isto não passa de um escandaloso acto de prestidigitação, ao lado do qual aquele truque do desaparecimento do Boeing parece brincadeira de amadores.
Os portugueses olham atónitos e horrorizados para tudo isto. E muitos vêem um ministro exibir o bronze de Copacabana enquanto procuram a marmita há muito esquecida no fundo da despensa e recolhem cartão para fazer a cama.
Portugal. Em 3D. Sem óculos e sem vaselina.

2011/11/26

Turbulência financeira

Segundo o venerando pai da democracia e principal subscritor do recente "manifesto dos 9", que anda por aí a circular, os governos estão a ser dominados pelos mercados.
A sério? E nós que ainda não tinhamos dado por isso...

2011/07/07

Quem com ferro mata...

O coro indignado que se manifestou contra o "downgrading" de Portugal por parte da agência Moody's desafina. Só falta vê-los acampados no Rossio...
Não são estas mesmas vozes que vêm há anos insistindo nas virtudes do "mercado" e no carácter sagrado da "iniciativa privada"? Não foram estas vozes que conseguiram contrariar, com inegável sucesso, qualquer outra solução fora desses "mercados"? Pois bem, o "mercado", esse boxeur, manifestou-se, a "iniciativa privada", essa terrorista, tomou o território que para ela foi preparado por estes mesmos que agora manifestam a sua indignação... Fosse genuina a indignação e não fosse dar-se o caso de termos de ser nós a pagar tudo isto, só lhes poderia dizer: é bem feita!
A agência Moody's, por seu lado, exclui Portugal, como já tinha feito com a Grécia, do clube do consumo. O que é bom, porque foi o consumo que justamente levou o país ao estado em que está. Se calhar, a atitude da Moody's é, nesta perspectiva, boa. E se os critérios usados nas classificações da Moody's e das outras agências são objectivos, ao restringir o consumo dos países-lixo, estão a contribuir para  restringir inexoravelmente o mercado dos países por ela bem classificados e a lançá-los num futuro incerto, o que ainda é melhor. Os caminhos da Moody's são insondáveis, mas promissores...
A nós portugueses, contudo, o que verdadeiramente interessa esclarecer é uma outra dúvida. Se, como a Moody's afirmou hoje, e ao contrário do que sugeriu o novo ministro das finanças, o novo imposto já foi tido em linha de conta na atribuição desta classificação, se mesmo assim esta medida não consegue contrariar o score, e essa agência continua a considerar que Portugal não tem capacidade para cumprir os seus compromissos financeiros, o buraco deve ser afinal maior do que se imagina. E, se assim é, que outro sinal se pode dar aos mercados que não seja o do empenhamento total numa profunda reforma da nossa capacidade produtiva?
Onde estão as medidas para proceder a essa reforma? Digam-me uma, para além daquelas declarações pífias sobre o valor do mar ou dos "produtos de valor acrescentado" que ninguém ainda percebeu o que é! Que outro desígnio, que valor mais forte do que o exercício da capacidade de trabalho e da criatividade poderia aliás contar com um empenhamento verdadeiro dos portugueses? Quem é que deseja pagar mais impostos ou ver o seus rendimentos cortados, sem critério e com a certeza de que todo o seu sacrifício não servirá para nada?
Os "mercados", pelos vistos, não acreditam que simples medidas de contenção da despesa sejam suficientes. É isto: os portugueses preparam-se para deitar para o lixo 800 milhões de euros.  A Igreja Católica acha bem, mas eu deixo a pergunta: para que vai, de facto, servir então este corte no subsídio do Natal?
Mais importante ainda: independentemente de podermos considerar as agências de rating grupos mais ou menos criminosos, envolvidos em jogos de interesses mais ou menos sujos, a verdade é que, tudo o leva a crer, a situação em que estamos metidos é ainda mais negra do que aquilo que se suspeita. Precisamos de conhecer a dimensão rigorosa do estrago das nossas contas, independentemente da correcção que vier a ser feita e do apuramento das responsabilidades na sua génese, e precisamos de sabê-lo directa e claramente da boca dos nossos dirigentes eleitos, com um programa de acção pronto, para inverter este estado de coisas. Não precisamos de ficar a saber tudo isto como resultado da acção indirecta de organismos que não elegemos.
O coro dos indignados soa-me neste contexto como uma coisa altamente suspeita...

2010/12/22

Já nem vale a pena manter as aparências

As expressões "mercados" ou "agências de rating" não passavam até há pouco tempo de conceitos distantes e abstractos para a maior parte dos leigos. Seriam referidas como se terá pronunciado, imagino eu, a palavra Papa durante séculos. O Papa, lá de longe, decretava, excomungava, decidia sobre a veracidade da mentira e a aldrabice da verdade e a malta, respeitosamente, flectia o joelho e acatava, com temor reverencial, os seus ditames.
Infelizmente para o novo papado, a informação não circula com a lentidão de outrora e os símbolos deste novo poder estão muito mais sujeitos ao escrutínio imediato dos povos. Hoje só quem insiste em viver nas estrelas ignorará a verdadeira natureza deste novo pontificado.
O filme "Inside Job", referido pelo Rui Mota aqui, traça um retrato implacável dos "mercados". As agências de "rating" não passam, quanto a mim, de novos piratas. Os pontífices desta nova religião, diz quem sabe, deixariam os dissolutos Bórgias e Medicis corados de vergonha... ou roídos de inveja. Os processos, a crueldade e a discricionariedade destes novos pontífices fariam empalidecer Gregório IX.
E, contudo, as nações dobram-se hoje perante os papas desta nova religião e inquietam-se perante a possibilidade de serem excomungados por desrespeito a S. Mercado e S. Rating, os jovens santos, recentemente canonizados, mentores desta nova igreja. Teme-se a bula, tenta-se comprar as indulgências a juro favorável.
A submissão a este novo papado ilegítimo e imoral surpreende. Surpreende, por exemplo, a forma desavergonhada como um representante do Ministério das Finanças de Portugal, representante de um governo legitimado pelo veredicto do povo, declara, de forma submissa e reactiva, respondendo directamente a uma ameaça de um agente privado de um poder ilegítimo: "Reitera-se que tudo se fará no sentido de contrariar os riscos que estão na base do anúncio da análise por parte da agência Moody’s e isso reflectir-se-á, confiamos, na decisão resultante dessa análise durante o primeiro trimestre de 2011."
"Tudo se fará"... Prostrados "confiamos..." É, portanto, uma questão de fé. Pornocracia II.

2010/11/10

Os agiotas

Portugal pôs hoje à venda mais títulos da dívida pública portuguesa. Teixeira dos Santos, o ministro a prazo, declarou não ter havido qualquer dificuldade em encontrar compradores e que tinha vendido por um bom preço (!?). O preço é indicado por Portugal, mas a taxa dos juros é fixada pelos investidores internacionais. Obviamente que os agiotas estão interessados em comprar. Quando o juro é alto, quem não quer comprar a dívida de um país falido? Imaginem o lucro gerado com juros a sete por cento?...
Os governantes portugueses devem pensar que somos todos parvos.

2010/11/09

Os "mercados"

Quando ouvir dizer a palavra "mercados" outra vez, lembre-se deste artigo, que reproduzo do NYT com a devida vénia.
Pense nas dificuldades que sente, nos cortes dos pequenos salários e pensões, pense nas notícias que se ouvem sem cessar, pense nos PECs, nos PIIGS, pense na austeridade, na "austera" Merkel, no "apreeensivo" Barroso, pense, sobretudo, na cara do Presidente da República, na cara do Primeiro Ministro, na cara do Ministro das Finanças, na figura do Catroga de telemóvel na mão e do seu staff sorrindo a compasso por trás dele, pense nos deputados do PS e nos da oposição na AR Portuguesa, na cara e no discurso dos dirigentes  dos diferentes partidos. Pense nos comentadores e "politólogos" que a toda a hora invadem o nosso espaço com os seus malabarismos verbais e pense na conversa com que nos enchem os ouvidos a toda a hora.
Pare um momento e pense em tudo isto. Clique depois na imagem e leia o artigo...
Garanto-lhe: é um exercício que vai mudar a sua vida!

2010/06/05

Os "mercados"

"Estranha modernidade esta que avança às arrecuas", escrevia o Subcomandante Marcos, há mais de 15 anos, num artigo chamado "A quarta guerra mundial já começou".
Ontem as bolsas cairam depois de se saber que, entre outros problemas, o emprego nos E. U. A. não cresceu o que se esperava. Estranha reacção esta: os investidores não investem, o desemprego mantém-se e esses investidores, que têm o poder de criar empregos, castigam as bolsas porque… o emprego não cresce!
Os estados que continuem com a tarefa de sustentar o desemprego, originado por uma crise criada, por sua vez, pela actuação dos investidores! Os estados que continuem a aumentar a sua "dívida soberana" para sustentar a "crise", diminuindo com isso as classificações das agências de "rating".
Agências de rating, essas instituições pardas que ninguém elegeu, mas que exercem um controlo fatal e total sobre os eleitos das democracias representativas, condicionando a vida dos eleitores. Agências de rating que estão fora do sistema democrático, incontroláveis e inimputáveis, cujos desaires, porém, os eleitores têm de pagar para não haver agitação sistémica...
Neste momento os "mercados" encontraram um negócio muito melhor do que investir para criar novos negócios que dêem origem a novos empregos: vender dinheiro mais caro aos estados para estes controlarem o défice provocado pelas desmandos…  dos "mercados". Um desenvolvimento que seguramente ilustra na perfeição o comentário do Subcomandante Marcos.
Está na hora de abandonar a fase do patriotismo primário e de explicar aos cidadãos o verdadeiro significado de expressões como "estado soberano" e "democracia". Não é questão de somenos nestes tempos de globalizações.