Uma casa modesta, de idosa manifestamente modesta, uns parcos utensílios à vista. A mulher exibe os sinais da agressão de que foi vítima. Conta que "eles entraram por aqui dentro a gritar 'onde está o cordão? onde está o cordão?' Disse-lhes que não tinha nenhum cordão, bateram-me."
Aqui há tempos uma outra idosa, menos modesta, sugeria que os hemofílicos podiam ser descartáveis, estarão lembrados. Recentemente, Pinto Balsemão lamentava o facto de a população portuguesa ter idosos a mais. O problema do défice estaria resolvido, acha ele, se houvesse menos velhos. São formas de agressão encontradas por quem não tem a coragem ou o poder de nos liquidar fisicamente. O Governo, com o beneplácito do Presidente da República, e a troika, mais prosaicos, optam por nos assaltar a casa à procura do cordão.
Não o encontrando, agridem-nos a sério.
Exagero, pensará quem lê estas linhas. Mas há, por mais absurdo que possa parecer, uma lógica nisto tudo. Uma lógica que a nossa inércia forjou e encorajou.