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2025/05/19

Resultados Eleitorais: E agora?

Como era expectável, a direita foi de novo a grande vencedora destas eleições, agora de forma ainda mais significativa. 

Terminou um ciclo governativo, dominado pelo PS durante oito anos, que os socialistas (por erros próprios e por intervenções externas) acabariam por perder. 

Mas não foi só o PS que perdeu (ainda que aumentando a sua votação). Toda a esquerda, à excepção do LIVRE, perdeu e, desta vez, de forma significativa. Uma catástrofe.  

Já à direita, apesar da vitória da AD, o grande vencedor da noite seria o CHEGA, que capitalizou a insatisfação de largos extratos da população, nomeadamente dos jovens, estes mais deslumbrados com a linguagem populista do candidato. Quanto à IL, manteve-se dentro das percentagens previstas, dessa forma contribuindo para o reforço do bloco de direita, que continua maioritário na AR.

Perante os resultados de ontem, começaram a "rolar cabeças" à esquerda, a primeira das quais foi a do secretário-geral do PS, o grande derrotado de noite. Seguir-se-ão outras (Mariana Mortágua?) agora que o BE ficou reduzido à sua expressão mais ínfima (1 deputado) e onde se percebe que são necessárias caras e soluções novas. 

Resta a contagem de votos da emigração (4 deputados) que poderá não alterar significativamente a composição governamental, mas poderá alterar a composição da Assembleia de República, onde 2/3 dos votos são suficientes para alterar a própria constituição. 

Entretanto, hoje, o PR iniciará as habituais audições com os partidos, com vista à nomeação do próximo governo, uma tarefa que não se afigura fácil.  Desde logo, porque a AD não tem uma maioria para governar e, depois, porque uma aliança à direita (CHEGA) não parece viável a acreditar no "não é não" de Montenegro. Com a IL, essa aliança poderia acontecer, mas Rui Rocha recusou liminarmente ir para um governo minoritário. 

Restam, aparentemente, duas soluções para governar: o prolongamento de um governo da AD minoritário, sujeito a moções de rejeição que, a médio termo, conduziria ao derrube do governo e novas eleições, que ninguém deseja; um governo da AD (apoiado tacticamente pelo PS), de forma a assegurar uma legislatura completa e uma maior estabilidade. No entanto e para que esta segunda hipótese se concretize, é necessário o PS eleger um novo secretário-geral mais reformista (José Luís Carneiro?)  que possa fazer a "ponte" com a AD.  Já o Chega, não entrando nesta equação, poderá ser a "chave" do futuro governo, na medida em que o número de deputados (58), é suficiente para apoiar ou derrubar o governo. Conhecendo Ventura, um "cata-vento" sem princípios, é de esperar tudo e o seu contrário. 

Uma última palavra sobre a abstenção (36%) que parece não ter afectado a votação na direita, como era esperado. Já na emigração, o caos seria total, seja por impossibilidade de votar nos consulados, seja por entrega tardia dos boletins de voto por correspondência (Londres). Mais de 60 000 portugueses foram impedidos de votar na capital inglesa! Como é possível tal "bagunça"? Dolo ou incompetência? 

Finalmente: falou-se pouco ou nada da política externa de Portugal durante a campanha. Um silêncio ensurdecedor. Não será por isso que os problemas desaparecerão. O crescimento económico já diminuiu no primeiro trimestre, a inflação continua acima dos 2%, a dívida pública aumentou e vêm aí mais despesas. A maior despesa será no sector da defesa, com um aumento previsto de 2% para 5%, caso a proposta de Mark Rutte seja aprovada na próxima cimeira da NATO em Junho. A confirmar-se tal percentagem, isso representará para Portugal algo como 15 000 milhões de euros/ano para despesas militares. Porque o dinheiro não nasce das árvores, esta verba terá de sair de algum lado: ou de um empréstimo europeu (que terá sempre de ser pago) ou do dinheiro dos contribuintes (através de impostos). Em qualquer dos casos, não é preciso ser vidente para saber onde serão feitos os próximos "cortes" orçamentais: obviamente no "estado social" (saúde, educação, habitação), que tenderão a ser privatizados, como desejam todos os neoliberais da nossa praça. 

Prognóstico (necessariamente pessimista): a vida para a maior parte dos portugueses vai piorar, mas as escolhas foram dos votantes. Agora, é tarde para mudar. 

2021/09/27

Autárquicas: quem dorme com o inimigo...

Como era previsível, a esquerda ganhou, mesmo tendo perdido; enquanto a direita perdeu, mesmo tendo ganho. O PS continua a ser o partido com maior número de câmaras a nível nacional, ainda que tenha perdido nas principais cidades (Lisboa, Porto, Coimbra, Funchal...). Surpreendente, foi a vitória de Carlos Moedas (PSD) na capital, um feudo socialista desde 2007 e que Fernando Medina (PS), apesar das boas sondagens, acabaria por perder já de madrugada. Um "balde de água fria" para os socialistas, que davam como certa a reconquista da capital, sempre importante em qualquer estratégia partidária. Para Rui Rio, esta é uma vitória de Pirro, pois passou a ter mais um concorrente de peso à liderança. O PCP, apesar de continuar a ser o terceiro partido com mais autarquias (18), não consegue reconquistar bastiões importantes na área de Lisboa (Almada, Barreiro) e perde Loures, Montemor-o-Novo, Vila Viçosa e Mora, apesar de reconquistar Viana do Alentejo e Barrancos. O BE, tradicionalmente fraco nas autárquicas, não concorreu a dois terços das autarquias, mas conquista vereadores em Lisboa, Porto, Almada e Oeiras, mantendo-se como a terceira força partidária a nível nacional. Já o Chega, passado o período "novidade", teve um crescimento relativo a nível nacional (4,7%), ficando aquém das expectativas geradas pelo seu líder, ao não conseguir vereadores nas principais cidades, ainda que tivesse ficado à frente do CDS, PAN e IL, os seus competidores mais directos. 

Contas feitas, estes resultados foram um "cartão amarelo" ao governo de António Costa, que nos últimos dois anos cometeu erros de palmatória, ao alimentar uma rede de clientelas nefastas e mantendo em função ministros que há muito ultrapassaram o prazo de validade. Na capital, deslumbrado com a "galinha de ovos de ouro" do turismo, Medina pagou caro os erros urbanísticos e a cedência à especulação imobiliária, que expulsou dos bairros históricos os residentes tradicionais. Sem população, não há votantes e sem votantes é mais difícil ganhar. Moedas ganhou nos bairros da classe média-alta de Lisboa (Estrela, Lapa, Alvalade, Areeiro, Restelo) e esses votos acabariam por ser decisivos numa vitória arrancada a ferros (34% versus 33%), contra todas as sondagens. Quem adormece com o inimigo, às suas mãos morre...

2021/01/25

Eleições Presidenciais: O esperado e as surpresas

O resultado das eleições presidenciais, ontem realizadas, não deve surpreender os seguidores destas coisas, tanto mais que o vencedor estava anunciado há muito e a questão principal nunca se pôs em termos de quem podia ganhar a Marcelo, mas qual o candidato que mais hipóteses tinha de forçar uma segunda volta. Esta era a questão central.

Depois, havia outras questões secundárias, mas nem por isso menos importantes (em termos simbólicos), que era a de saber se, atrás de Marcelo, ficaria uma democrata (Ana Gomes) ou um populista de extrema-direita (André Ventura). 

Finalmente, o nível de abstenção que, em tempos de pandemia, podia comprometer o próprio acto eleitoral. Marcelo, que "não dá ponto sem nó", chegou a aventar a hipótese de uma 2ª volta, caso a participação eleitoral fosse baixa, o que impediria o vencedor de conseguir os almejados 50% + 1, necessários para  uma vitória à primeira.

Em termos globais, as votações nos principais candidatos, não estiveram muito longe das sondagens publicadas nas últimas semanas: Marcelo (60,7%), Ana Gomes (12,97%), André Ventura (11,9%), João Ferreira (4,32%), Tiago Mayan (3,22%) e Vitorino Silva (2,94%), cumpriram os mínimos esperados. As abstenções atingiram 60,51% o que, sendo imenso, ficou abaixo das piores estimativas. Também aqui, não houve propriamente surpresas, para mais se tivermos em conta o período de confinamento que atravessamos. 

Primeira conclusão: venceram as forças democráticas (88%) que derrotaram as forças anti-democráticas (11,9%).

Segunda conclusão: os dois primeiros classificados (Marcelo e Ana Gomes) concorreram sem o apoio dos seus partidos o que, no caso de Marcelo, não era necessário, pois o presidente recebeu votos de todos os quadrantes políticos. Já Ana Gomes, que se apresentou como candidata à revelia do seu partido, seria ignorada pela direcção do PS, que escolheu apoiar Marcelo, o candidato preferido do primeiro-ministro. 

Terceira conclusão: os partidos de esquerda (PCP, BE) concorreram com candidaturas próprias (João Ferreira e Marisa Matias) abdicando de uma convergência à esquerda (que podia passar por um apoio a Ana Gomes) o que lhes foi fatal. Foram os grandes perdedores da noite.

Quarta conclusão: o bom resultado, conseguido pelo candidato "anti-sistema", não deve surpreender, já que todas as projecções apontavam nesse sentido. Mais surpreendente, foram as percentagens obtidas nos distritos de Portalegre, Évora e Beja, onde tradicionalmente o PCP tem mais apoiantes e onde Ventura ficou à frente dos comunistas. 

Quinta conclusão: Tiago Mayan, o candidato da Iniciativa Liberal, conseguiu melhor resultado do que o partido a que pertence, o que pode indicar uma subida (relativa) dos "liberais" no futuro. 

Sexta conclusão: em termos globais, pode dizer-se que a "direita" (a democrática e a autoritária) ganhou estas eleições e que a "esquerda" foi a grande derrotada. Porque se trataram de eleições presidenciais, onde as candidaturas são uni-pessoais e os militantes são livres de votarem em candidatos da sua preferência, os resultados de ontem dificilmente poderão ser extrapolados para eleições futuras, sejam as autárquicas sejam as legislativas. De resto, já depois de apurados os votos, a RTP/Católica apresentou uma sondagem feita à boca das urnas, sobre eleições legislativas. À pergunta "se houvesse eleições legislativas hoje, em que partido votaria?", responderam 4000 entrevistados: PS 35%, PSD 23%, Chega 9%, BE 8%, IL 7%, CDU 6%, Pan 2%, CDS 2%, Livre 1%. De acordo com esta sondagem, a Esquerda teria 52% dos votos e a Direita 41%, o que possibilitaria uma nova coligação maioritária de esquerda no parlamento.  

Sétima conclusão: votos como os de Ana Gomes, por exemplo, não servirão de muito no futuro, já que o seu espaço de acção diminuiu dentro do PS, onde os anti-corpos gerados são agora maiores. Já o voto em Ventura, serviu para testar a popularidade do líder num partido uni-pessoal, criado à sua imagem. Ventura, que tinha prometido demitir-se da liderança do partido (caso ficasse atrás de Ana Gomes), cumpriu a promessa para (no minuto seguinte) anunciar recandidatar-se, caso fosse esse o desejo dos militantes...Já vimos este "filme" em qualquer lado (Sá Carneiro, Cavaco Silva, etc...) pelo que nem sequer é original. Muito usado por ditadores em potência, que se apresentam como líderes insubstituíveis (Berlusconi, Conti, Chavez, Salvini, Wilders, Baudet...).       

Oitava conclusão:  Os fracos resultados de João Ferreira e de Marisa Matias, ainda que por razões diferentes, devem obrigar os partidos a que pertencem (PCP e BE) a reflectir sobre temas e políticas de unidade que esses mesmos temas podem gerar no futuro. Para o PCP, a sua incapacidade em lidar com temas fracturantes, é notória (eutanásia, aborto, adopção, touradas) para não falar no apoio a regimes ditatoriais como a Coreia do Norte, Angola, Russia ou a Venezuela, que alienam o partido das gerações mais jovens. O resultado de Marisa Matias, terá mais a ver com a posição do Bloco na votação do último OE e a transferência de votos do BE para Ana Gomes (voto útil), que impediu o 2º lugar de Ventura.

Para Marcelo, o vencedor incontestado, a tarefa não se afigura fácil: o governo (minoritário) do PS, está a braços com a maior crise epidémica, económica e social do seu mandato. Ao falhar uma "2ª geringonça",  o governo hipotecou a possibilidade de um acordo à esquerda. À direita, Marcelo também não tem alternativa, já que a direita está agora mais fragmentada que nunca e refém do um partido anti-sistema, com o qual ninguém parece querer governar. As trapalhadas do governo sucedem-se e não é improvável que a legislatura não chegue ao fim. Nesse caso, haveria de novo eleições, um cenário que ninguém, à excepção do Chega, deseja. Adivinha-se um segundo mandato difícil e mais interventivo.

Finalmente, a organização: não se compreende que continuemos a votar pessoalmente e a perder horas em filas, para mais numa situação de pandemia, que recomendava um maior distanciamento e regras sanitárias apertadas. Porque não instituir o voto por correspondência e alargar o período eleitoral por mais do que um dia? Ou introduzir o voto electrónico que, de resto, já foi testado no passado? Depois: o boletim de voto, tinha 8 candidatos. O primeiro candidato do boletim, nem sequer tinha obtido as 7500 assinaturas necessárias para a sua legalização, mas tinha o seu nome e foto impressa no boletim! Custava muito mandar imprimir novos boletins de voto?

Seguem-se, no Outono, as eleições autárquicas. Até lá, resta-nos o combate à pandemia e as suas consequências. A prioridade das prioridades. Para o presidente e para o governo. 

2019/10/07

Eleições: o dia seguinte

Terminada a contagem dos votos no continente (ainda faltam apurar os votos da emigração) o balanço corresponde em larga medida às projecções da Universidade Católica para o Público/RTP, de há anos a esta parte a mais fiável no universo das sondagens portuguesas.
Contas feitas, o PS ganhou (como se esperava) sem maioria absoluta; a direita tradicional (PSD/CDS) perdeu (como se esperava) com um dos piores resultados de sempre; o BE consolidou o número de deputados (como se esperava), ainda que tenha perdido votos; a CDU (PCP/PEV) perdeu votos e deputados (como se esperava), confirmando a descida das ultimas 4 eleições; o PAN cresceu (como se esperava), duplicando os seus votos. Surpresas (relativas) foram as votações no "Livre" (Esquerda Verde), na  "Iniciativa Liberal" (Neo-Liberais) e no "Chega" (Extrema-Direita) que conseguiram, pela primeira vez, eleger um deputado. Desta forma, o Parlamento passará a contar com 9 partidos, um "unicum" na democracia portuguesa.
Resumindo, a esquerda em conjunto (PS, BE, CDU, Livre) obteve 138 deputados num total de 230, o que corresponde a uma maioria confortável de 54%.
Com estes números, António Costa não terá dificuldade em governar à esquerda (ou à direita), ainda que no discurso da vitória tenha claramente manifestado a sua preferência por uma solução de esquerda, eventualmente alargada ao Livre e ao PAN.
A confirmar-se esta solução,  não é certo que o PS necessite dos mesmos intervenientes da primeira "Geringonça", para aprovar medidas e/ou orçamentos específicos, sendo certo que (sem o PCP) só o Bloco de Esquerda lhe permitirá obter uma maioria na AR (125 votos em 230),
Já o PCP não parece acreditar na reedição da "Geringonça", o que se compreende dada a perda constante de votos, desde que passou a apoiar o governo PS, o que pode ser interpretado como uma das razões para a sua queda.
Permanece, assim, em aberto, a solução de um governo minoritário (PS), com acordos pontuais em matérias que necessitem de maiorias qualificadas. No limite, bastará que os partidos de esquerda se abstenham nas votações, para que as propostas governamentais passem no parlamento, já que o PS sózinho tem mais votos do que a direita toda junta...
Dos três novos partidos, o "Livre" é o mais antigo e aquele que apresenta melhores pergaminhos. Rui Tavares, o seu fundador, foi deputado europeu entre 2009 e 2014 e só por uma "unha negra" não entrou para o Parlamento em 2015. A "Iniciativa Liberal", é um partido de cariz neo-liberal, apoiado pelo jornal "Observador", pelo "Compromisso Portugal" e pelo grupo "5.7", um "thinktank" criado pelo deputado M. Morgado (PSD). No fundo, uma tentativa de criar algo sem tradições no panorama político português, um partido de cariz liberal "puro e duro", que não disfarça os seus tiques de "capitalismo selvagem", bem mais próximo do "Chega" (xenófobo e racista) do que muitos pensarão. Será à sua volta, que a direita mais extrema irá reconstruir-se, agora que o dinheiro parece não faltar  e os contactos com Steve Bannon (o guru de Trump) já existem, como os seus líderes admitiram.
Uma última palavra para a abstenção (45%), a maior de sempre em eleições legislativas, uma velha pecha, ainda que, pela primeira vez, os emigrantes tenham sido recenseados automaticamente, o que contribui para mais votos em números absolutos.
Seguem-se, agora, as audiências com o PR e as conversações habituais entre partidos, que ajudarão a perceber qual o modelo de governo que se seguirá: minoritário, em coligação ou apoiado por outros partidos. Costa tem a "faca e o queijo" na mão.       

2019/04/29

De Espanha, sopram bons ventos


O resultado das eleições espanholas de ontem, não destoa das sondagens publicadas ao longo das últimas semanas. O PSOE (social-democrata) foi o grande vencedor e o PP (partido popular) o grande derrotado, tendo os restantes partidos, de formação mais recente, percentagens bastante diversas: melhoria relativa dos Ciudadanos (liberal), queda acentuada do Unidas-Podemos (esquerda radical) e resultado, aquém do esperado, do VOX (neo-fascista).
De assinalar, ainda, a alta percentagem de votantes (75,76%), a segunda maior do século, que demonstra bem a mobilização dos espanhóis para estas eleições, antecipadas pela queda da coligação anterior (PSOE-Podemos-ERC), devido à recusa do partido catalão em aprovar o Orçamento de 2019.
Com um Parlamento (350 deputados) pulverizado e sem maioria absoluta de nenhum dos partidos, restam duas certezas: a vitória global da esquerda e a derrota global da direita, o que inviabiliza, desde logo, qualquer coligação à direita. Restam, portanto, três cenários possíveis: uma coligação de esquerda alargada, de 197 deputados (PSOE + Podemos + Compromis + PNV + CC-PNC + PRC + ERC + JXCat); uma coligação de esquerda reduzida, de 175 deputados (PSOE + Podemos + Compromis + PNV + CC-PNC + PRC); ou uma coligação "centro-esquerda", de 180 deputados (PSOE + Ciudadanos), uma espécie de "bloco central" espanhol, agora que o PP perdeu metade dos votos e Sanchez (PSOE) já recusou qualquer compromisso com os Populares.
Com estes resultados, a Espanha passa igualmente a integrar o bloco de países europeus com partidos populistas de extrema-direita (nacionalistas, eurocépticos, xenófobos, islamofóbicos e machistas) no Parlamento, já que o VOX entrou para o hemiciclo espanhol. As únicas excepções são, agora, os parlamentos de Portugal, Irlanda, Luxemburgo e Malta.
Neste novo xadrez político, não são de esperar grandes decisões antes das próximas eleições europeias, que terão lugar entre 23 e 26 de Maio. Provavelmente, só nessa altura (e dependendo dos resultados obtidos pelas diversas forças políticas em presença) Sanchez tomará uma decisão final sobre com quem irá governar. Tudo aponta para que se incline para a esquerda, desde que os partidos nacionalistas catalãs concordem em refrear os seus ímpetos independentistas. Não será fácil. Dado o crescimento exponencial do ERC (Esquerda Republicana Catalã) prevêm-se negociações difíceis.      
Também para o Senado (1ª Câmara) foram eleitos 266 deputados. Nestas eleições, a vitória do PSOE foi esmagadora (141 deputados, entre votos directos e votos das regiões autónomas), o que lhe permitirá governar em maioria absoluta, sem necessitar de qualquer coligação.
Depois de semanas de agitação com o espantalho VOX, um partido "novo" de ideias velhas, a montanha pariu um rato e, pesem os receios (fundados) de grande parte dos espanhóis e dos europeus progressistas, a mobilização popular acabou por triunfar, dando novo alento às forças do progresso que estão vivas e alerta na Europa como, de resto, as recentes eleições finlandesas (com a vitória dos sociais-democratas), já o tinham demonstrado. Algo é algo.