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2011/10/19
A incógnita (2)
Em junho passado vislumbrei uma incógnita nos céus de Lisboa e dei disso conta aqui. Hoje vejo outra incógnita, maior, desenhada nos céus aqui da minha terra. Maior e mais nítida. Certezas, certezas, só as pode ter o governo e o seu PR: se é tumulto que receiam, é tumulto que lhes vai cair em cima pela certa. Infelizmente, penso que não nos livramos disso.
Ainda há bocado, no café onde habitualmente vou, passavam imagens na televisão, em directo, dos tumultos desta manhã na Grécia. O dono do café, pessoa bastante conservadora e nada dada a "tumultos", pelo que percebo, dizia-me com ar nada surpreendido: "ah! afinal é na Grécia, pensava que já era aqui!" Será um que não ficou convencido da bondade das palavras do Álvaro ontem quando disse que "há mais vida para além da austeridade," mais um que já só espera o pior.
Nesta equação de tumultos a várias incógnitas, há umas já resolvidas e outras em vias de resolução.
2011/09/21
Mais medo que vergonha
O orçamento do MAI vai ser reforçado. O ministro justifica este reforço com malabarismos verbais que não podem deixar de dar vontade de rir. Mas, o que significa este privilégio em tempo de vacas magras?
Parece possível que este reforço revele apenas má consciência por parte do governo e medo do que aí poderá vir (com tantas alusões aos "tumultos", vindos de gente tão variada e insuspeita a sugerir e a quase legitimar a possibilidade da sua ocorrência, da Igreja Católica a Mário Soares, é estranho que ainda não tenham ocorrido de facto...). Mas, tendo em conta que o que aí poderia vir já deveria ter vindo e não veio, este brinde exclusivo às forças de segurança actua apenas como potente dissuasor de quaisquer veleidades futuras de mobilização, que, na prática, se tem revelado bastante pífia.
Porque, é verdade, não há tumultos, nem sequer contestação verdadeira às medidas assassinas que este governo vem levando a cabo. Muita conversa, mas pouca acção eficaz. Qualquer oposição séria ao rumo que o País tomou apanhará agora as forças de segurança —vítimas, elas próprias, dos desgovernos passados e do presente, que nunca deles deveriam ser instrumento— com o flanco menos desguarnecido.
Quem tem afinal medo da contestação?
O governo está muito (demais!) à frente!
Parece possível que este reforço revele apenas má consciência por parte do governo e medo do que aí poderá vir (com tantas alusões aos "tumultos", vindos de gente tão variada e insuspeita a sugerir e a quase legitimar a possibilidade da sua ocorrência, da Igreja Católica a Mário Soares, é estranho que ainda não tenham ocorrido de facto...). Mas, tendo em conta que o que aí poderia vir já deveria ter vindo e não veio, este brinde exclusivo às forças de segurança actua apenas como potente dissuasor de quaisquer veleidades futuras de mobilização, que, na prática, se tem revelado bastante pífia.
Porque, é verdade, não há tumultos, nem sequer contestação verdadeira às medidas assassinas que este governo vem levando a cabo. Muita conversa, mas pouca acção eficaz. Qualquer oposição séria ao rumo que o País tomou apanhará agora as forças de segurança —vítimas, elas próprias, dos desgovernos passados e do presente, que nunca deles deveriam ser instrumento— com o flanco menos desguarnecido.
Quem tem afinal medo da contestação?
O governo está muito (demais!) à frente!
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