Seis bancos centrais (o Banco Central Europeu, a Reserva Federal dos EUA, o Banco de Inglaterra, o Banco Nacional Suíço e o Banco do Japão) levaram hoje a cabo uma acção concertada, de proporções significativas, para fornecer liquidez à banca. Os "mercados", claro, exultaram e as bolsas pularam.
A justificação dada para esta operação, segundo relata o Público, é a de que era necessário "aliviar os constrangimentos dos mercados e 'mitigar' os seus efeitos no fornecimento de crédito às famílias e empresas, e assim ajudar a animar a actividade económica.”
Vamos lá a saber então: a dívida é boa, afinal? E viver acima das suas possibilidades anima a actividade económica, é? Austeridade, sim ou não? Em que ficamos?
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2011/11/30
2011/05/24
E a Grécia aqui tão perto...
Como vem sendo relatado, de há um ano a esta parte, a intervenção financeira do FMI na Grécia não tem sido propriamente um sucesso. Os "pacotes" impostos (os PEC's gregos) e as "tranches" trimestrais (os empréstimos externos) não chegam para estancar a dívida grega e o consequente endividamento que não pára de crescer. À medida que a dívida cresce, mais empréstimos vão sendo necessários e, por consequência, maior é a dependência grega do exterior. Um ciclo infernal que não tem fim à vista e que levou ontem Papandreou a anunciar que, se a próxima "tranche" não chegar até Junho, o país entrará em bancarrota. Enquanto isso, a Fitch veio baixar o "rating" da Bélgica (que tem uma dívida externa superior à portuguesa) o que coloca o país no grupo das economias em risco, a par da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, os "pigs" de serviço.
Reagindo perante a hipótese da renegociação da dívida grega, o senhor Rompuy (aquele belga com cara de banda desenhada) já veio dizer que renegociar a dívida era pôr o Euro em perigo.
Resta citar Paul Krugman, o nobel de economia, que hoje mesmo reitera a sua opinião de "expert", para nos dizer que Portugal, como a Grécia ou a Irlanda, não tem capacidade de pagar a dívida e que esta deve ser renegociada enquanto é tempo.
Perante este cenário, alguém ainda acredita que vamos resolver os nossos problemas com o programa da "troika" em Portugal?
Reagindo perante a hipótese da renegociação da dívida grega, o senhor Rompuy (aquele belga com cara de banda desenhada) já veio dizer que renegociar a dívida era pôr o Euro em perigo.
Resta citar Paul Krugman, o nobel de economia, que hoje mesmo reitera a sua opinião de "expert", para nos dizer que Portugal, como a Grécia ou a Irlanda, não tem capacidade de pagar a dívida e que esta deve ser renegociada enquanto é tempo.
Perante este cenário, alguém ainda acredita que vamos resolver os nossos problemas com o programa da "troika" em Portugal?
2011/05/13
Coisas simples de perceber
Portugal entrou hoje, oficialmente, em recessão técnica (dados do INE). Uma notícia esperada, que o ministro da economia (Vieira da Silva) logo veio desvalorizar com o fantástico argumento de que estas coisas são naturais em época de crise económica.
Simultaneamente, vamos sabendo que os juros a pagar pelo empréstimo de 78.000 milhões de euros, rondam os 30.000 milhões, a taxas de 5% e mais por cento. Ou seja, um total de 110.000 milhões de euros que ninguém sabe muito bem quando serão pagos, com uma economia a crescer a menos de 1% ao ano.
Hoje mesmo a Agência Bloomberg concluia que Portugal não terá condições para pagar esta dívida, opinião que confirma a análise da Standard & Poors de há dias e da maior parte dos economistas nacionais e internacionais de renome.
O mais provável será Portugal chegar a 2013 com os juros pagos e - como a economia não crescerá mais do que 2% - entrar de novo em recessão e ser obrigado a pedir mais dinheiro para pagar a dívida que, entretanto, contraiu...
Como sabemos da Grécia e da Irlanda, a terapia de choque aplicada pelo FMI e pelo BCE, naqueles países, agravou a sua condição social e económica, de tal modo que o desemprego disparou para níveis nunca atingidos e os juros no mercado chegam aos 20 e mais por cento! Um cenário provável para o nosso país que alguns arautos da economia liberal desvalorizam e chamam de previsões "catastrofistas". O principal argumento destes iluminados crâneos é que não há volta a dar e que a alternativa é sair do Euro o que tornaria as coisas ainda piores. Postos perante a alternativa de (re)negociar a dívida de forma a obter prazos mais dilatados e juros mais baixos (única forma de não estrangular a economia que tem de crescer para podermos criar riqueza e, dessa forma, pagar a dívida), dizem-nos que isso é criar calotes e Portugal tem de pagar aos seus credores. Ou seja, para pagarmos agora aos credores, ficamos endividados até às calendas, pois nenhuma economia débil (como a nossa) tem capacidade de recuperar desta crise (estrutural e conjuntural) em que Portugal está metido há mais de dez anos.
Neste contexto de especulação internacional, os nossos obedientes governantes (os actuais e os que vierem após 5 de Junho) querem-nos impôr o "pensamento único" que advoga o conformismo em relação à situação por eles próprios criada.
Porque com esta gente não iremos a lado nenhum, é tempo dos cidadãos criarem formas democráticas de participação activa, para obrigar os políticos a defender os interesses nacionais, ou sairem pelo seu próprio pé, única forma de darem voz a quem de direito. Ou seja, só fora do modelo parlamentar actual, controlado por partidos acomodados e reféns do sistema, parece ser hoje possível construir uma democracia mais participativa, pois a democracia não se esgota no modelo representativo (eleições de 4 em 4 anos) que afasta cada vez mais os cidadãos conforme as percentagens de abstenção claramente o indicam. O desinteresse e a apatia conduzem ao conformismo que poderá revelar-se fatal no dia em que formos governados por um regime autoritário para o qual indirectamente contribuimos.
Simultaneamente, vamos sabendo que os juros a pagar pelo empréstimo de 78.000 milhões de euros, rondam os 30.000 milhões, a taxas de 5% e mais por cento. Ou seja, um total de 110.000 milhões de euros que ninguém sabe muito bem quando serão pagos, com uma economia a crescer a menos de 1% ao ano.
Hoje mesmo a Agência Bloomberg concluia que Portugal não terá condições para pagar esta dívida, opinião que confirma a análise da Standard & Poors de há dias e da maior parte dos economistas nacionais e internacionais de renome.
O mais provável será Portugal chegar a 2013 com os juros pagos e - como a economia não crescerá mais do que 2% - entrar de novo em recessão e ser obrigado a pedir mais dinheiro para pagar a dívida que, entretanto, contraiu...
Como sabemos da Grécia e da Irlanda, a terapia de choque aplicada pelo FMI e pelo BCE, naqueles países, agravou a sua condição social e económica, de tal modo que o desemprego disparou para níveis nunca atingidos e os juros no mercado chegam aos 20 e mais por cento! Um cenário provável para o nosso país que alguns arautos da economia liberal desvalorizam e chamam de previsões "catastrofistas". O principal argumento destes iluminados crâneos é que não há volta a dar e que a alternativa é sair do Euro o que tornaria as coisas ainda piores. Postos perante a alternativa de (re)negociar a dívida de forma a obter prazos mais dilatados e juros mais baixos (única forma de não estrangular a economia que tem de crescer para podermos criar riqueza e, dessa forma, pagar a dívida), dizem-nos que isso é criar calotes e Portugal tem de pagar aos seus credores. Ou seja, para pagarmos agora aos credores, ficamos endividados até às calendas, pois nenhuma economia débil (como a nossa) tem capacidade de recuperar desta crise (estrutural e conjuntural) em que Portugal está metido há mais de dez anos.
Neste contexto de especulação internacional, os nossos obedientes governantes (os actuais e os que vierem após 5 de Junho) querem-nos impôr o "pensamento único" que advoga o conformismo em relação à situação por eles próprios criada.
Porque com esta gente não iremos a lado nenhum, é tempo dos cidadãos criarem formas democráticas de participação activa, para obrigar os políticos a defender os interesses nacionais, ou sairem pelo seu próprio pé, única forma de darem voz a quem de direito. Ou seja, só fora do modelo parlamentar actual, controlado por partidos acomodados e reféns do sistema, parece ser hoje possível construir uma democracia mais participativa, pois a democracia não se esgota no modelo representativo (eleições de 4 em 4 anos) que afasta cada vez mais os cidadãos conforme as percentagens de abstenção claramente o indicam. O desinteresse e a apatia conduzem ao conformismo que poderá revelar-se fatal no dia em que formos governados por um regime autoritário para o qual indirectamente contribuimos.
2011/04/06
Confirmação
A alocução de José Sócrates, no telejormal desta noite, confirmou a notícia que toda a gente dava como certa, mas que o PM negava ser necessária. Confirmou-se o pedido de ajuda externa solicitado pelo governo português, ainda que os seus contornos não sejam totalmente claros. Trata-se do FMI, do FEEF ou de um empréstimo intercalar?
Agora que a "ajuda" se tornou inevitável, ainda menos se percebe porque foi esta medida sendo adiada. A menos que, conforme Manuel Carrilho ontem declarava na TVI, estejamos a assistir à "estratégia de Xerazade", que consistia em ir contando histórias ao rei como única forma de adiar a sua própria morte...
Agora que a "ajuda" se tornou inevitável, ainda menos se percebe porque foi esta medida sendo adiada. A menos que, conforme Manuel Carrilho ontem declarava na TVI, estejamos a assistir à "estratégia de Xerazade", que consistia em ir contando histórias ao rei como única forma de adiar a sua própria morte...
2011/02/22
Rio sem rir
Num seminário sobre regionalização e revisão constitucional, Rui Rio usou palavras fortíssimas para classificar a situação actual. Observou que a "economia está de gatas", acrescentou que temos gente que "está a sofrer por causa disso e vamos ainda ter mais gente a sofrer por causa disso". Descobriu que o sistema é "injusto para com essas pessoas". Classificou a dívida pública de "monstruosa". A dívida externa, rematou, é "ainda pior". Recordou os princípios do 25 de Abril, e sentenciou, grave, que o clima geral é de "impunidade". Atentos e veneradores os orgãos de comunicação reproduzem-lhe fielmente as palavras.
São necessárias "rupturas", descobriu com brilho nos olhos. E quem as promove? Ora, é muito simples: o PS, o PSD e o CDS, os partidos pleonasticamente considerados "democráticos", "os três que mais se identificam com o regime e a democracia", pois claro, os três pilares do sistema político português.
Os partidos a quem alguma divindade entregou a dura tarefa de governar, estes partidos do arco do poder, são os mesmos... que deixaram a economia de gatas e que com isso fazem sofrer os portugueses. São os mesmos que elevaram a dívida pública à categoria de monstruosa. Os mesmos que fizeram da dívida externa algo ainda pior que uma monstruosidade! Os mesmos que construíram, pedra a pedra, a injustiça do sistema. Os mesmos que são agora convocados por Rui Rio para destruir o sistema...
E Rui Rio diz tudo isto sem rir.
E nós ouvimo-lo também, sem qualquer vontade de rir.
A sério!
São necessárias "rupturas", descobriu com brilho nos olhos. E quem as promove? Ora, é muito simples: o PS, o PSD e o CDS, os partidos pleonasticamente considerados "democráticos", "os três que mais se identificam com o regime e a democracia", pois claro, os três pilares do sistema político português.
Os partidos a quem alguma divindade entregou a dura tarefa de governar, estes partidos do arco do poder, são os mesmos... que deixaram a economia de gatas e que com isso fazem sofrer os portugueses. São os mesmos que elevaram a dívida pública à categoria de monstruosa. Os mesmos que fizeram da dívida externa algo ainda pior que uma monstruosidade! Os mesmos que construíram, pedra a pedra, a injustiça do sistema. Os mesmos que são agora convocados por Rui Rio para destruir o sistema...
E Rui Rio diz tudo isto sem rir.
E nós ouvimo-lo também, sem qualquer vontade de rir.
A sério!
2010/11/14
Estamos Salvos!
O presidente José Ramos-Horta anunciou, durante a cimeira de Macau, que Timor-Leste está interessado em comprar títulos da dívida pública portuguesa. E esta, hein?
2010/11/09
7%
Com a taxa de juros a sete por cento, Portugal atingiu hoje um número simbólico - que o próprio ministro das finanças considerou ser a barreira psicológica - após o qual o FMI poderia ser chamado a intervir no nosso país.
Não sabemos se é isso que vai acontecer, mas sabemos que a economia portuguesa continua a não crescer acima dos 0,8%, que o desemprego se mantém em 10,6% (a quinta maior percentagem europeia) que a dívida pública continua a crescer e que 4% do PIB são para pagar juros (qualquer coisa como 4 mil milhões de euros ao ano). De acordo com a análise do "Financial Times" de ontem, somos já o país mais pobre da Europa.
Ou seja, não se prevêem melhores dias a curto prazo e, a médio-prazo, como diria um famoso economista, estaremos todos mortos...
E agora, Teixeira dos Santos? Qual vai ser a próxima mentira?
Não sabemos se é isso que vai acontecer, mas sabemos que a economia portuguesa continua a não crescer acima dos 0,8%, que o desemprego se mantém em 10,6% (a quinta maior percentagem europeia) que a dívida pública continua a crescer e que 4% do PIB são para pagar juros (qualquer coisa como 4 mil milhões de euros ao ano). De acordo com a análise do "Financial Times" de ontem, somos já o país mais pobre da Europa.
Ou seja, não se prevêem melhores dias a curto prazo e, a médio-prazo, como diria um famoso economista, estaremos todos mortos...
E agora, Teixeira dos Santos? Qual vai ser a próxima mentira?
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