2008/02/08
Alegre Socialismo
Manuel Alegre não se revê no partido socialista actual. A razão terá a ver com a natureza do Partido, que tem muito pouco a ver com o PS que ajudou a fundar. Faz sentido. Alegre, para o bem e para o mal, "nunca se cala" e essa atitude - nos tempos que correm - é de louvar. Muito boa gente, quis ver neste "acto" o prelúdio de uma cisão a prazo. Essa é, de resto, a pergunta que os jornalistas, logicamente, fazem. Mas, Alegre, uma vez mais, diz que não. Não concorda com o Partido de Sócrates, mas acredita no Partido Socialista. Também não quer criar um novo partido (senão já o teria feito após as eleições presidenciais de 2006). Provavelmente, acredita que, para além da sua, há mais vozes discordantes dentro do actual PS. Este é, de resto, um argumento avançado depois da recente remodelação do governo (vista como uma concessão à facção contestatária). Esta semana, Alegre teve uma boa oportunidade para mostrar a coerência do seu pensamento. Bastava ter votado ao lado do Tó Zé, o único que "ousou" furar a disciplina partidária na votação sobre o Tratado de Lisboa. Que fez Alegre? Absteve-se. Assim, é difícil acreditar no Socialismo de Alegre.
2008/02/04
Produtividade
Para quem duvidava do zelo dos funcionário públicos portugueses, é sempre bom lembrar que há excepções. Uma delas foi o ex-ministro Telmo Correia que, numa noite de insónias, chegou a despachar 300 processos pendentes no seu Ministério. Por acaso, no último dia do seu mandato e em funções transitórias. Certamente devido ao cansaço, entregou o edifício do Casino de Lisboa ao Estoril-Sol. Já anteriormente, o ex-ministro Paulo Portas, por acaso do mesmo partido, tinha mandado fotocopiar milhares de documentos no Ministério da Defesa, com o argumento de que se tratava de notas pessoais. Isto tudo num par de horas.
São exemplos destes que devem orgulhar-nos e servir de argumento contra aqueles que sempre criticaram a nossa baixa produtividade. Sim, em média produzimos pouco e mal, mas quando "produzimos" é a sério!
São exemplos destes que devem orgulhar-nos e servir de argumento contra aqueles que sempre criticaram a nossa baixa produtividade. Sim, em média produzimos pouco e mal, mas quando "produzimos" é a sério!
2008/02/02
"Fait-Divers"?
As recentes revelações do jornal "Público", sobre as alegadas incompatibilidades do deputado Sócrates em 1989, levantam algumas questões fundamentais que convém, desde já, clarificar: estamos perante um ataque do referido matutino ao actual primeiro-ministro, onde vale tudo, desde que o "alvo" a abater seja o "inimigo principal" do engenheiro Belmiro? Estamos perante um mentiroso compulsivo, que não olhou a meios para atingir os seus fins, numa época em que o escrutínio dos políticos era bem mais benévolo? Ou estamos perante uma investigação séria, que deve ser tomada como tal? E, se assim é, porquê Sócrates e não outros?
Mais do que as especulações que possam circular nos "mentideros" políticos e jornalísticos, seria bom que ambas as partes apresentem as "provas" de que dispõem para que estas possam ser avaliadas. Em última análise, alguém deve ter razão e só ganharíamos todos em perceber o que se passou, se é que alguma coisa teve lugar. De outra forma, criou-se mais um "fait-divers" em que o circo lusitano é demasiado fértil. Nada de novo, nesse campo, mas é bom que olhemos para a Lua, em vez de fixarmos a atenção no dedo que para esta aponta...
Mais do que as especulações que possam circular nos "mentideros" políticos e jornalísticos, seria bom que ambas as partes apresentem as "provas" de que dispõem para que estas possam ser avaliadas. Em última análise, alguém deve ter razão e só ganharíamos todos em perceber o que se passou, se é que alguma coisa teve lugar. De outra forma, criou-se mais um "fait-divers" em que o circo lusitano é demasiado fértil. Nada de novo, nesse campo, mas é bom que olhemos para a Lua, em vez de fixarmos a atenção no dedo que para esta aponta...
2008/01/29
Tapar buracos?!
Marcelo Rebelo de Sousa, esse verdadeiro oráculo de televisão, disse hoje na RTP 1 que o primeiro ministro tinha optado por uma operação de tipo tapa-buracos ao remodelar o executivo. E, dentro deste critério de tapar buracos, justificou a sua afirmação dizendo que a nova ministra da saúde entrava porque era difícil ser-se pior que Correia de Campos e porque era... uma senhora! Vamos ver se o primeiro ministro emite um comunicado a explicar isto tudo bem explicadinho aos portugueses.
O professor Marcelo já está como a sombra do Lucky Luke! Consegue disparar mais rápido que o pensamento...
O professor Marcelo já está como a sombra do Lucky Luke! Consegue disparar mais rápido que o pensamento...
Das Märchen de Emmanuel Nunes, 2ª parte
A novela, pelos vistos continua. Agora juntam-se novos personagens. Depois de ter lido declarações inconcebíveis de um colega compositor a propósito desta obra, antes mesmo da estreia, vejo agora novas vozes de outra gente chegada à área da cultura que se juntam ao coro. Vozes que, na minha opinião fariam melhor em guardar um silêncio, digamos, civilizado sobre esta matéria. O argumento agora é que a dose foi violenta e o prato servido terá sido iguaria demasiadamente requintada para os estômagos curtidos dos portugueses. Eufemismo para o vulgar "para quem é bacalhau basta..."
O assunto ainda sobe à Assembleia, vocês vão ver! Estou a ver a ministra a ser chamada à AR, as conferências de imprensa dos grupos parlamentares, a agitação a crescer, a conferência de líderes, quem sabe uma moção de censura, a crise parlamentar, o desconforto das chefias militares, uma nota da Presidência da República lida com ar solene às 20h do Palácio de Belém, e, finalmente, a convocação de eleições antecipadas. Os historiadores do futuro chamar-lhe-ão "A Märchenada"!
Olhem que não sou eu que estou a exagerar...
O assunto ainda sobe à Assembleia, vocês vão ver! Estou a ver a ministra a ser chamada à AR, as conferências de imprensa dos grupos parlamentares, a agitação a crescer, a conferência de líderes, quem sabe uma moção de censura, a crise parlamentar, o desconforto das chefias militares, uma nota da Presidência da República lida com ar solene às 20h do Palácio de Belém, e, finalmente, a convocação de eleições antecipadas. Os historiadores do futuro chamar-lhe-ão "A Märchenada"!
Olhem que não sou eu que estou a exagerar...
Air-Guantanamo
A notícia, divulgada por uma ONG britânica, sobre a passagem de 700 prisioneiros por território português, a caminho de Guantanamo, não deve surpreender-nos. As conclusões da Comissão Parlamentar Europeia, apresentadas pelo deputado Carlos Coelho em 2007, eram já indiciadoras da responsabilidade portuguesa nesta sensível matéria. Perante o silêncio cúmplice do govêrno, também Ana Gomes solicitou um inquérito ao PGR, que ainda está em curso. Independentemente do número exacto de prisioneiros e das conclusões do Procurador-Geral, é cada vez mais evidente a mentira que os sucessivos governos - de Durão a Sócrates - mantiveram sobre este assunto. Trata-se de saber se os EUA fizeram os "transportes" sem o conhecimento do governo português ou se o nosso governo sabia e calava. A justificação, dada por Luís Amado, de que não podíamos controlar o que se passava nas Lajes, não é sustentável. Então, "nós" não sabíamos e os ingleses sabiam? Uma mentira, pois. É relativamente à mentira que devemos indignar-nos e exigir que sejam dadas explicações.
2008/01/28
Das Märchen de Emmanuel Nunes
Parece que metade do público terá abandonado a sala a meio da estreia da ópera "Das Märchen" de Emmanuel Nunes. Pelo menos assistiram a meia ópera uma vez na vida! E, se calhar, um dia ainda vão meter isso no currículo...
2008/01/25
A figura do professor
Um estudo efectuado pela Gallup para o Fórum Económico Mundial revela que "os professores são os profissionais em quem os portugueses mais confiam e também aqueles a quem confiariam mais poder no país," informa o Público on-line. Os professores merecem a confiança de 42% dos portugueses.
Ora aqui está uma conclusão digna de ser analisada.
Sabemos de há longa data que os portugueses confiam nos professores e lhes confiam o poder. Salazar era professor e o poder foi-lhe confiado (literalmente!) durante largos anos. A confiança dos portugueses era tanta, aliás, que confiaram no seu julgamento para decidir que professores poderiam dar aulas e que outros deveriam ser impedidos do o fazer.
A Salazar seguiu-se Caetano (outro professor!) em quem os portugueses confiaram e a quem confiaram o poder. Desconfiados, alguns portugueses decidiram retirar-lhe a confiança.
Mas, será que os professores são mesmo confiáveis? Se olharmos para os indicadores, se avaliarmos o estado do ensino em Portugal ("ensino" do qual fazem parte os professores, ou será que não pertencem a esta área?), se olharmos para a qualidade dos portugueses que passaram pelas mãos destes professores, o panorama não parece assim tão risonho. Basta reparar nos indicadores relativos à matemática, à cultura científica, basta lembrarmo-nos das taxas de iliteracia ou do modo como hoje se trucida sem piedade a Língua Portuguesa nos jornais, nos livros (!), nos textos legais, na televisão e nos discursos do poder para perder a confiança nas conclusões deste inquérito. Os portugueses confiam nos professores, mas é difícil confiar em quem lhes dá este voto de confiança...
Não serão estes portugueses os mesmos que, naquele programa da D. Maria Elisa distinguiram a figura do professor de Santa Comba como a do português mais ilustre?
Estou só a perguntar... Mas, isto sou eu que sou desconfiado...
Ora aqui está uma conclusão digna de ser analisada.
Sabemos de há longa data que os portugueses confiam nos professores e lhes confiam o poder. Salazar era professor e o poder foi-lhe confiado (literalmente!) durante largos anos. A confiança dos portugueses era tanta, aliás, que confiaram no seu julgamento para decidir que professores poderiam dar aulas e que outros deveriam ser impedidos do o fazer.
A Salazar seguiu-se Caetano (outro professor!) em quem os portugueses confiaram e a quem confiaram o poder. Desconfiados, alguns portugueses decidiram retirar-lhe a confiança.
Mas, será que os professores são mesmo confiáveis? Se olharmos para os indicadores, se avaliarmos o estado do ensino em Portugal ("ensino" do qual fazem parte os professores, ou será que não pertencem a esta área?), se olharmos para a qualidade dos portugueses que passaram pelas mãos destes professores, o panorama não parece assim tão risonho. Basta reparar nos indicadores relativos à matemática, à cultura científica, basta lembrarmo-nos das taxas de iliteracia ou do modo como hoje se trucida sem piedade a Língua Portuguesa nos jornais, nos livros (!), nos textos legais, na televisão e nos discursos do poder para perder a confiança nas conclusões deste inquérito. Os portugueses confiam nos professores, mas é difícil confiar em quem lhes dá este voto de confiança...
Não serão estes portugueses os mesmos que, naquele programa da D. Maria Elisa distinguiram a figura do professor de Santa Comba como a do português mais ilustre?
Estou só a perguntar... Mas, isto sou eu que sou desconfiado...
"País Xanax"
Provavelmente não serei o único, mas eu ando sempre a tentar encontrar a razão principal para o atraso português e para os problemas com os quais o país cronicamente se debate. Uma espécie de "teoria de tudo" como aquela que os físicos tentaram encontrar para a sua área para explicar os diferentes fenómenos físicos de uma forma unificada.
Tal como o que sucedeu na física, a theory of everything para explicar o Portugal de hoje é certamente também uma impossibilidade. Mas, a tentação de encontrar uma única causa para a nossa triste sina é grande.
Hoje ficámos a saber que a falta de sono é um dos factores que afecta mais seriamente a saúde dos portugueses. E esta falta de sono tem consequências várias e graves, provocando problemas que vão do foro cardiovascular até à perturbação da capacidade de concentração, que pode, por exemplo, aumentar o risco de ocorrência de acidentes de viação.
O país dorme mal, recorre aos soporíferos para compensar, anda doente por isso e corre riscos.
Quem diria...! Quando nos parecia que o país andava a dormir, chegamos afinal à conclusão que o nosso mal é mesmo sono. Ou a falta dele. Quando pensávamos que a aparente apatia dos portugueses perante o destino cruel, a que parecem não querer ou não conseguir fugir desde há séculos, quando pensávamos que a tristeza e o pessimismo faziam parte da sua assinatura genética e eram a condição da e para a portugalidade, afinal o problema poderá ser outro: não andamos a dormir bem e a culpa pode bem ser do Xanax. Pelo menos é o que dizem os especialistas reunidos numa conferência sobre a matéria que decorre no Porto com o título "Sono: uma nova fronteira cardiovascular" (que raio de título...!)
O governo faria, pois, bem (e o ministério da saúde, em particular, sairia provavelmente daí com uma imagem bem mais positiva do que aquela que o Rui traçou no seu post "Tratar da saúde"...) em promover um choque soporífero, para ver se a malta passava a dormir melhor, tinha menos AVC, entupindo assim menos os hospitais, e se estampava menos nas estradas, poupando desta forma os serviços de urgência e os paramédicos.
Mas, atenção: não se trata de nos adormecer! O que proponho é mesmo uma campanha destinada a combater um problema de saúde pública...
Tal como o que sucedeu na física, a theory of everything para explicar o Portugal de hoje é certamente também uma impossibilidade. Mas, a tentação de encontrar uma única causa para a nossa triste sina é grande.
Hoje ficámos a saber que a falta de sono é um dos factores que afecta mais seriamente a saúde dos portugueses. E esta falta de sono tem consequências várias e graves, provocando problemas que vão do foro cardiovascular até à perturbação da capacidade de concentração, que pode, por exemplo, aumentar o risco de ocorrência de acidentes de viação.
O país dorme mal, recorre aos soporíferos para compensar, anda doente por isso e corre riscos.
Quem diria...! Quando nos parecia que o país andava a dormir, chegamos afinal à conclusão que o nosso mal é mesmo sono. Ou a falta dele. Quando pensávamos que a aparente apatia dos portugueses perante o destino cruel, a que parecem não querer ou não conseguir fugir desde há séculos, quando pensávamos que a tristeza e o pessimismo faziam parte da sua assinatura genética e eram a condição da e para a portugalidade, afinal o problema poderá ser outro: não andamos a dormir bem e a culpa pode bem ser do Xanax. Pelo menos é o que dizem os especialistas reunidos numa conferência sobre a matéria que decorre no Porto com o título "Sono: uma nova fronteira cardiovascular" (que raio de título...!)
O governo faria, pois, bem (e o ministério da saúde, em particular, sairia provavelmente daí com uma imagem bem mais positiva do que aquela que o Rui traçou no seu post "Tratar da saúde"...) em promover um choque soporífero, para ver se a malta passava a dormir melhor, tinha menos AVC, entupindo assim menos os hospitais, e se estampava menos nas estradas, poupando desta forma os serviços de urgência e os paramédicos.
Mas, atenção: não se trata de nos adormecer! O que proponho é mesmo uma campanha destinada a combater um problema de saúde pública...
2008/01/24
Tratar da Saúde
Correia de Campos anda nervoso. Não é caso para menos. Depois de uma primeira passagem pelo governo de Guterres, voltou, agora com Sócrates, ainda mais aguerrido e defensor de "boa" saúde. Aquela que se paga. Nos tempos do primeiro engenheiro, a matéria ainda era um misto de "piedosas intenções católicas" e incipiente "gestão" do sistema, pelo que o nosso "expert" não teve tempo de testar o seu modelo. Agora, com quatro anos de maioria absoluta e os interesses do Mello e do Espírito Santo à espera, há que avançar a todo o vapor. Apoiado na sanha de um primeiro-ministro asséptico, que deseja fazer de cada português um corredor de meio-fundo, Campos não esteve com meias-medidas: vá de reorganizar a "malha" (adoro este termo) hospitalar e fechar tudo o que não é rentável, com a promessa de que tudo vai melhorar...
Obrigados, pela força das circunstâncias, a deslocarem-se aos serviços disponíveis da sua área - e não tendo muitas vezes como - os habitantes pobres do Portugal profundo só têm duas soluções: chamar a ambulância e esperar que sejam curados a caminho das urgências mais próximas ou, caso estas (as ambulâncias) falhem, morrer à porta de urgências fechadas. Só quem nunca viveu no Barroso, em Trás-os-Montes, no Alentejo, ou na Serra Algarvia, pode pensar que as ambulâncias percorrem as sinuosas estradas a 100 à hora e chegam às urgências dos hospitais equipados, em menos de 20 minutos. Uma demagogia sem limites. Mesmo que a "malha" venha a ser operacional no futuro, começar a fechar as urgências sem que exista uma alternativa credível, é uma medida de mau gestor.
Porque os acidentes não tardaram e a revolta das populações também não, o ministro tem-se desdobrado em entrevistas e declarações televisivas a tentar justificar o injustificável: entre as suas intenções e a realidade do país, vai um passo de gigante. Um típico burocrata, enfeudado em números e modelos que não são compatíveis com o interior que temos.
Enredado nas "malhas" que ele próprio teceu, passou ao ataque. Já tinhamos dado por isso num recente programa "Prós & Contras" onde, de forma autoritária, ameaçou em público o representante da Ordem dos Médicos. Agora, foi um bocadinho mais longe: telefonou duas vezes para casa do presidente da Câmara de Anadia, a responsabilizá-lo por qualquer acidente que pudesse acontecer com as ambulâncias do INEM.
Correia de Campos parece querer, de facto, tratar-nos da saúde. Literalmente.
Obrigados, pela força das circunstâncias, a deslocarem-se aos serviços disponíveis da sua área - e não tendo muitas vezes como - os habitantes pobres do Portugal profundo só têm duas soluções: chamar a ambulância e esperar que sejam curados a caminho das urgências mais próximas ou, caso estas (as ambulâncias) falhem, morrer à porta de urgências fechadas. Só quem nunca viveu no Barroso, em Trás-os-Montes, no Alentejo, ou na Serra Algarvia, pode pensar que as ambulâncias percorrem as sinuosas estradas a 100 à hora e chegam às urgências dos hospitais equipados, em menos de 20 minutos. Uma demagogia sem limites. Mesmo que a "malha" venha a ser operacional no futuro, começar a fechar as urgências sem que exista uma alternativa credível, é uma medida de mau gestor.
Porque os acidentes não tardaram e a revolta das populações também não, o ministro tem-se desdobrado em entrevistas e declarações televisivas a tentar justificar o injustificável: entre as suas intenções e a realidade do país, vai um passo de gigante. Um típico burocrata, enfeudado em números e modelos que não são compatíveis com o interior que temos.
Enredado nas "malhas" que ele próprio teceu, passou ao ataque. Já tinhamos dado por isso num recente programa "Prós & Contras" onde, de forma autoritária, ameaçou em público o representante da Ordem dos Médicos. Agora, foi um bocadinho mais longe: telefonou duas vezes para casa do presidente da Câmara de Anadia, a responsabilizá-lo por qualquer acidente que pudesse acontecer com as ambulâncias do INEM.
Correia de Campos parece querer, de facto, tratar-nos da saúde. Literalmente.
2008/01/19
Língua de trapos
Ainda a propósito da Língua Portuguesa, o Público de ontem noticiava que um estudo do Letrário (uma equipa de consultoria em língua portuguesa e estrangeira) tinha descoberto falhas graves no uso da língua portuguesa em livros infantis. Em livros infantis!
Para quem não tenha lido o artigo, reproduzo alguns dos erros detectados.
- [...] como se tivesse diante de uma tumba
- Quem mais me preocupa é o meio campo
- O Esperto é que [...] reparava para o caminho
- [...] teria de aguardar maior tempo
E isto constitui apenas uma parte das falhas detectadas. O Letrário, como refere o artigo, assinalou ainda outras como "incoerências gráficas, aberturas de parágrafos deficientes, irregularidades no uso das maiúsculas."
Não se pense que isto ocorre apenas com editoras pequenas e sem grande cartel. Foram indentificados erros em livros editados por um conjunto sonante de editoras que inclui a Campo das Letras, Oficina do Livro, Verbo, Gradiva, D. Quixote, Assírio & Alvim, Porto Editora, Texto Editores, Guimarães, Bertrand, Terramar, Relógio d'Água e Caminho, entre outras.
Antigamente havia bonecos de trapos para brincar. Hoje as crianças brincam com a língua de trapos.
Assim, de pequenino é que se vai torcendo o pepino, pois então!
Para quem não tenha lido o artigo, reproduzo alguns dos erros detectados.
- [...] como se tivesse diante de uma tumba
- Quem mais me preocupa é o meio campo
- O Esperto é que [...] reparava para o caminho
- [...] teria de aguardar maior tempo
E isto constitui apenas uma parte das falhas detectadas. O Letrário, como refere o artigo, assinalou ainda outras como "incoerências gráficas, aberturas de parágrafos deficientes, irregularidades no uso das maiúsculas."
Não se pense que isto ocorre apenas com editoras pequenas e sem grande cartel. Foram indentificados erros em livros editados por um conjunto sonante de editoras que inclui a Campo das Letras, Oficina do Livro, Verbo, Gradiva, D. Quixote, Assírio & Alvim, Porto Editora, Texto Editores, Guimarães, Bertrand, Terramar, Relógio d'Água e Caminho, entre outras.
Antigamente havia bonecos de trapos para brincar. Hoje as crianças brincam com a língua de trapos.
Assim, de pequenino é que se vai torcendo o pepino, pois então!
2008/01/16
Ainda a propósito do Turismo Infinito
De uma entrevista a Ricardo Pais, incluída no programa deste espetáculo, retiro o seguinte excerto:
"(...) Quando ouvimos Pessoa em português é triunfante! Bernardo Soares fala da sintaxe como uma questão patriótica e é como se viesse ao encontro daquilo de que sempre esperei que o teatro fosse o principal portador: a bandeira da fala. Com as mensagens SMS reduzidas a imbecilidades juvenis, com os anglicismos de pacotilha do paleio gestionário, com o péssimo português que se fala na televisão, com a falta de um referente normativo, a língua tornou-se para nós uma questão ética."
Poderia ser a metáfora de um programa de acção para a reforma de Portugal, neste ano de graça de 2008...
"(...) Quando ouvimos Pessoa em português é triunfante! Bernardo Soares fala da sintaxe como uma questão patriótica e é como se viesse ao encontro daquilo de que sempre esperei que o teatro fosse o principal portador: a bandeira da fala. Com as mensagens SMS reduzidas a imbecilidades juvenis, com os anglicismos de pacotilha do paleio gestionário, com o péssimo português que se fala na televisão, com a falta de um referente normativo, a língua tornou-se para nós uma questão ética."
Poderia ser a metáfora de um programa de acção para a reforma de Portugal, neste ano de graça de 2008...
2008/01/15
Know How
Eu não sei se Zita Seabra é doutora, como lhe chamou Fátima Ferreira no programa "Prós & Contras" de ontem. Mas, engenheira, deve ser certamente. A avaliar pelo conhecimento mostrado em localizações de aeroportos...
2008/01/14
656
Seiscentos e cinquenta e seis é o número de "baldes" existentes nas celas das prisões portuguesas.
Ainda bem que conseguiram quantificá-los. Teriam sido os inspectores da ASAE?
Desta forma ficámos a saber que nem todos "cagam de poleiro". Mesmo nas prisões portuguesas há classes.
Ainda bem que conseguiram quantificá-los. Teriam sido os inspectores da ASAE?
Desta forma ficámos a saber que nem todos "cagam de poleiro". Mesmo nas prisões portuguesas há classes.
2008/01/12
Turismo Infinito
De vez em quando temos a oportunidade de ver um daqueles espetáculos que nos agarram, sem um momento de abrandamento, sem quase termos tempo de respirar. "Turismo Infinito" é uma produção do Teatro Nacional de S. João encenada superiormente por Ricardo Pais, que está manifestamente nesta categoria.
Um espetáculo construído a partir de textos de Fernando Pessoa que mostra como se pode produzir um objecto teatral de luxo e de grande intensidade e densidade dramatúrgica tendo sobretudo como matéria prima um enorme rigor e uma grande conjugação de talentos. Rigor e talento, aquilo que, simultaneamente, é necessário e falta a grande parte do teatro que se vai vendo por aí...
Destaque para o trabalho dramatúrgico de primeira água de António M. Feijó, para o soberbo grupo de actores e para o espetacular trabalho de voz, para o vigoroso dispositivo cénico de Manuel Aires Mateus, para o desenho de luz sensível de Nuno Meira, para os excelentes figurinos de Bernardo Monteiro e, muito em particular, para o precioso design sonoro do Francisco Leal.
O espetáculo vai estar no TNDMII até 26 de Janeiro, no Teatro Municipal de Faro, no dia 1/2 no Theatro Circo de Braga, no dia 15/2 e no Teatro Aveirense no dia 22/2. Não percam!
Um espetáculo construído a partir de textos de Fernando Pessoa que mostra como se pode produzir um objecto teatral de luxo e de grande intensidade e densidade dramatúrgica tendo sobretudo como matéria prima um enorme rigor e uma grande conjugação de talentos. Rigor e talento, aquilo que, simultaneamente, é necessário e falta a grande parte do teatro que se vai vendo por aí...
Destaque para o trabalho dramatúrgico de primeira água de António M. Feijó, para o soberbo grupo de actores e para o espetacular trabalho de voz, para o vigoroso dispositivo cénico de Manuel Aires Mateus, para o desenho de luz sensível de Nuno Meira, para os excelentes figurinos de Bernardo Monteiro e, muito em particular, para o precioso design sonoro do Francisco Leal.
O espetáculo vai estar no TNDMII até 26 de Janeiro, no Teatro Municipal de Faro, no dia 1/2 no Theatro Circo de Braga, no dia 15/2 e no Teatro Aveirense no dia 22/2. Não percam!
O feitiço virou-se contra o feiticeiro
Numa primeira leitura, as reacções à escolha de Alcochete para instalação do novo aeroporto são, pelo seu tom geral, de regozijo pela "derrota" do governo. Pois eu acho que nesta altura o Primeiro Ministro deve estar a sorrir e a dizer para si "gosto deles porque são tenrinhos!"
Anteriormente o governo e o partido do governo iriam ter apenas um grupo eternamente agradecido --o grupo da Ota-- pelo progresso que a decisão lhes iria proporcionar. Agora vão ter dois grupos: o já citado grupo da Ota e o novo grupo de Alcochete.
De um dia para o outro perspectiva-se a transformação da margem sul de deserto em zona próspera. Os proprietários, comerciantes, autarcas e a generalidade da população dos concelhos onde o aeroporto vai ser implantado e dos concelhos limítrofes exultam unanimemente com o súbito e fácil enriquecimento. No que respeita à Ota e envolvente, é uma certeza que irão ser benficiados com novos projectos para compensar a alteração dos planos. Em breve os seus tímidos protestos irão ser devidamente calados... E um dia, se as contas forem feitas, se calhar, até se vai provar que beneficiaram mais sem o aeroporto do que beneficiariam com o aeroporto, já que novos investimentos lhes irão cair no regaço, sem danos colaterais. Sem que tenham, designadamente, de suportar a clara degradação da qualidade de vida que a construção da nova infraestrutura iria provocar.
Toda a gente fala no enorme alcance de um projecto desta natureza, dos benefícios que irá trazer para o país, para a Europa, para o Universo! Mas esquecem-se de mencionar o impacte profundamente negativo que um aeroporto tem na vida das populações locais. Os moradores da avenida do Brasil, da Gago Coutinho ou de Alvalade que o digam... Toda a gente diz que se "habitua", mas estes "hábitos" são adquiridos à custa de adaptações do corpo que têm efeitos profundamente perturbadores. Há também muitos estudos sobre tudo isto, senhores engenheiros!
Os únicos verdadeiros beneficiários de um aeroporto são os passageiros, que só sofrem os efeitos perniciosos de uma instalação deste tipo temporariamente e vão de seguida à sua vida. De resto, toda a gente que trabalha num aeroporto, ou é obrigada a ter de conviver com ele, sofre na pele as consequências deste acto profundamente anormal que é o de pôr o Homem a voar...
E as populações que pensam que isto é uma viagem de borla que se acautelem. Não me espantaria se daqui a uns anos os mesmos patetas que andaram a espalhar camelos pela margem sul a favor da opção Alcochete, viessem a colocar orelhas de burro pela ridícula forma de luta que escolheram.
O governo, como dizia, sai de tudo isto francamente por cima. Calou os contestatários e tem hoje uma posição muito mais forte em todo este processo, com muito mais gente "atenta, veneradora e obrigada". Neste pressuposto, e no plano político, o tiro saiu inteiramente pela culatra aos mentores desta inaudita operação. A menos que tenham terrenos na margem sul...
Se conclusão há a tirar é que ninguém ficou esclarecido do que quer que seja quanto à bondade de uma ou de outra opção. Num plano estritamente técnico e depois de ouvidas as justificações dadas e a linguagem cautelosa usada, eu, por mim, tenho mais dúvidas hoje do que nunca! Todo este processo me pareceu, neste aspecto, sempre uma enorme palhaçada, digna deste Portugal que temos hoje. Agora tenho a certeza!
Ah!, já agora falando em certezas e lembrando uma declaração do actual Presidente da República de há anos, quando era Primeiro Ministro, esperemos que desta vez se não tenha mesmo enganado e que este não tenha passado de um daqueles raros momentos em que tem dúvidas...
Anteriormente o governo e o partido do governo iriam ter apenas um grupo eternamente agradecido --o grupo da Ota-- pelo progresso que a decisão lhes iria proporcionar. Agora vão ter dois grupos: o já citado grupo da Ota e o novo grupo de Alcochete.
De um dia para o outro perspectiva-se a transformação da margem sul de deserto em zona próspera. Os proprietários, comerciantes, autarcas e a generalidade da população dos concelhos onde o aeroporto vai ser implantado e dos concelhos limítrofes exultam unanimemente com o súbito e fácil enriquecimento. No que respeita à Ota e envolvente, é uma certeza que irão ser benficiados com novos projectos para compensar a alteração dos planos. Em breve os seus tímidos protestos irão ser devidamente calados... E um dia, se as contas forem feitas, se calhar, até se vai provar que beneficiaram mais sem o aeroporto do que beneficiariam com o aeroporto, já que novos investimentos lhes irão cair no regaço, sem danos colaterais. Sem que tenham, designadamente, de suportar a clara degradação da qualidade de vida que a construção da nova infraestrutura iria provocar.
Toda a gente fala no enorme alcance de um projecto desta natureza, dos benefícios que irá trazer para o país, para a Europa, para o Universo! Mas esquecem-se de mencionar o impacte profundamente negativo que um aeroporto tem na vida das populações locais. Os moradores da avenida do Brasil, da Gago Coutinho ou de Alvalade que o digam... Toda a gente diz que se "habitua", mas estes "hábitos" são adquiridos à custa de adaptações do corpo que têm efeitos profundamente perturbadores. Há também muitos estudos sobre tudo isto, senhores engenheiros!
Os únicos verdadeiros beneficiários de um aeroporto são os passageiros, que só sofrem os efeitos perniciosos de uma instalação deste tipo temporariamente e vão de seguida à sua vida. De resto, toda a gente que trabalha num aeroporto, ou é obrigada a ter de conviver com ele, sofre na pele as consequências deste acto profundamente anormal que é o de pôr o Homem a voar...
E as populações que pensam que isto é uma viagem de borla que se acautelem. Não me espantaria se daqui a uns anos os mesmos patetas que andaram a espalhar camelos pela margem sul a favor da opção Alcochete, viessem a colocar orelhas de burro pela ridícula forma de luta que escolheram.
O governo, como dizia, sai de tudo isto francamente por cima. Calou os contestatários e tem hoje uma posição muito mais forte em todo este processo, com muito mais gente "atenta, veneradora e obrigada". Neste pressuposto, e no plano político, o tiro saiu inteiramente pela culatra aos mentores desta inaudita operação. A menos que tenham terrenos na margem sul...
Se conclusão há a tirar é que ninguém ficou esclarecido do que quer que seja quanto à bondade de uma ou de outra opção. Num plano estritamente técnico e depois de ouvidas as justificações dadas e a linguagem cautelosa usada, eu, por mim, tenho mais dúvidas hoje do que nunca! Todo este processo me pareceu, neste aspecto, sempre uma enorme palhaçada, digna deste Portugal que temos hoje. Agora tenho a certeza!
Ah!, já agora falando em certezas e lembrando uma declaração do actual Presidente da República de há anos, quando era Primeiro Ministro, esperemos que desta vez se não tenha mesmo enganado e que este não tenha passado de um daqueles raros momentos em que tem dúvidas...
2008/01/10
2008/01/09
Sócrates não é fascista
Sócrates não é fascista. Sócrates não é autoritário. Sócrates não é demagogo. Sócrates não é mentiroso. Sócrates não é burro. Burros são os portugueses que votaram em Sócrates.
O Ovo de Sócrates
O governo não vai referendar o Tratado de Lisboa. Já se sabia. Como também já era conhecida a promessa do partido socialista em referendá-lo (está escrito no seu programa eleitoral). Confrontado com a pergunta elementar dos jornalistas (porque faltou Sócrates à promessa eleitoral?) o primeiro-ministro deu uma resposta que não lembrava a Colombo: "Não referendamos porque não se trata do mesmo texto. Quando nos comprometemos era o Tratado da Constituição, agora é o Tratado de Lisboa".
Clinton, o Bill, também declarou há anos que não tinha tido sexo com Mónica Lewinsky. Ou melhor, fez sexo oral, mas nos Estados Unidos sexo oral não é sexo. Sócrates inventou mais um ovo.
Clinton, o Bill, também declarou há anos que não tinha tido sexo com Mónica Lewinsky. Ou melhor, fez sexo oral, mas nos Estados Unidos sexo oral não é sexo. Sócrates inventou mais um ovo.
2008/01/08
Conselhos eslovenos
O esloveno Janez Jansa, presidente da União Europeia em exercício, veio ontem publicamente desaconselhar José Sócrates a referendar o Tratado de Lisboa. Jansa pensa mesmo que "não seria sensato realizar um referendo em Portugal". Extraordinário. Lê-se e não se acredita. Já não bastava o "nosso" primeiro-ministro andar a tentar enganar o "pagode" com o tabú do referendo, ainda tínhamos de ouvir um esloveno a meter-se na política interna portuguesa! Independentemente da decisão que Sócrates vier a tomar, este episódio revela bem o medo que se apossou de Bruxelas e o conluio dos dirigentes europeus durante a cimeira de Lisboa. Logo agora que a maioria dos estados membros acordou aprovar o Tratado nos respectivos parlamentos, é que Portugal pensa referendá-lo! Que falta de sensatez, devia ter pensado Jansa...
Melhor seria que guardasse os seus conselhos para o Kosovo, pois vai ter de explicar à Sérvia e à comunidade internacional, a razão da proclamação unilateral da independência de uma provincia que é parte integrante de um país independente e soberano.
Melhor seria que guardasse os seus conselhos para o Kosovo, pois vai ter de explicar à Sérvia e à comunidade internacional, a razão da proclamação unilateral da independência de uma provincia que é parte integrante de um país independente e soberano.
2008/01/05
O verdadeiro choque tecnológico
A impar de orgulho e, presume-se, de bacalhau com todos, o ministro da justiça, Alberto Costa, aproveitou o jantar anual na prisão de Linhó para anunciar a grande modernização do sistema prisional português. Finalmente (finalmente, disse ele), vamos dar início à substituição do "balde" nas celas portuguesas. Do balde de merda, queria ele dizer.
2008/01/04
Escândalo
Enquanto rumina as últimas fatias de bolo rei e se prepara já para gozar umas merecidas férias de Carnaval, o país é apanhado por uma notícia que, a ser verdadeira, constitui, quanto a mim, um escândalo das mais graves proporções.
Hoje o Público noticia em manchete que Berardo e mais uns quantos accionistas do BCP compraram acções e reforçaram a sua posição neste banco à custa de créditos concedidos pela CGD. A aprovação dessas operações de crédito foi feita por alguns dos elementos apontados para a nova administração do BCP.
Nada disto será ilegal, segundo o Público.
Mas, apesar de poder de facto não ser ilegal, se estas operações são, repito, verdadeiras (e os portugueses precisam de um esclarecimento muito claro do Governo sobre tudo isto JÁ!), elas indiciam uma situação de tal maneira grave que, parece-me, só poderá conduzir a medidas imediatas de emergência, incluíndo mesmo eventualmente eleições antecipadas.
Gostava que os defensores da intervenção do Estado no caso BCP --justificada com o argumento do peso do banco e do perigo que a sua prolongada crise representa para a nossa economia-- comentassem estes novos factos...
Ou Portugal perdeu definitivamente o tino ou vem aí um tsunami daqueles mesmo devastadores...
Hoje o Público noticia em manchete que Berardo e mais uns quantos accionistas do BCP compraram acções e reforçaram a sua posição neste banco à custa de créditos concedidos pela CGD. A aprovação dessas operações de crédito foi feita por alguns dos elementos apontados para a nova administração do BCP.
Nada disto será ilegal, segundo o Público.
Mas, apesar de poder de facto não ser ilegal, se estas operações são, repito, verdadeiras (e os portugueses precisam de um esclarecimento muito claro do Governo sobre tudo isto JÁ!), elas indiciam uma situação de tal maneira grave que, parece-me, só poderá conduzir a medidas imediatas de emergência, incluíndo mesmo eventualmente eleições antecipadas.
Gostava que os defensores da intervenção do Estado no caso BCP --justificada com o argumento do peso do banco e do perigo que a sua prolongada crise representa para a nossa economia-- comentassem estes novos factos...
Ou Portugal perdeu definitivamente o tino ou vem aí um tsunami daqueles mesmo devastadores...
Uma boa notícia
O Rally Lisboa-Dakar foi cancelado. Pese a tristeza dos concorrentes e da organização portuguesa que trabalhou para a sua concretização, a anulação do evento alerta-nos para outras realidades que a política-espectáculo teima em esquecer. Agora teriam sido as ameaças terroristas que punham em perigo os concorrentes. Amanhã, serão outras as razões. Mais importante do que isso (até porque não houve vítimas), são os milhares de mortos que anualmente perecem em África por subnutrição. Uma vergonha para o continente e para a humanidade. Esse sim, é o problema que nos deve preocupar. Em vez de lamentar o falhanço de um evento ostentatório, que persiste em atravessar regiões dizimadas pela fome e pela doença, sem que nada traga de positivo às populações locais, devíamos repensar o que fazer com o dinheiro gasto no "rally". Talvez possam vender alguns carros e oferecer a receita a uma região carenciada. Aposto que dava para um ano de comida.
2008/01/03
2008/01/02
Mensagem de Ano Novo
Os discursos de Ano Novo dos presidentes da república são, por natureza, inócuos e falhos de imaginação.
O de ontem, proferido por Cavaco Silva, não fugiu à regra. Claro que muito boa gente quis nele "ler" o que mais lhe convinha. É sempre sintomático ouvir as interpretações dos diversos líderes partidários e comentadores diversos sobre o tema. Uns vêem-no como crítico ao governo, outros como envergonhado na crítica...
O que mais me espantou, foi o presidente ter "questionado os rendimentos de altos dirigentes de empresas", para usar a definição de uma certa imprensa nacional. Fiquei na dúvida se ele (o presidente) se referia aos "rendimentos de altos dirigentes" ou aos "altos rendimentos dos dirigentes", que são coisas completamente diferentes como sabemos. Admito que se trata da segunda interpretação. Pessoalmente, não me choca nada que um dirigente (alto ou baixo) tenha um rendimento alto. Penso mesmo que a qualidade deve ser premiada. Também penso que a maioria desses dirigentes, que têm um rendimento alto, podem perfeitamente viver com metade do que ganham. Restam os rendimentos baixos (dos dirigidos altos e baixos). E é aqui que a porca torce o rabo. Porque é que os baixos rendimentos não podem ser mais altos?
Já sabemos que produzimos pouco e mal (a tal questão da "produtividade"). Mas, se a produtividade é baixa, como é que se explica que só os dirigidos ganhem pouco e os (altos) dirigentes ganhem salários altos? Ou não somos todos parte activa na tal produtividade? Portanto, das duas uma: ou produzimos pouco e alguém anda a viver acima das suas (nossas) posses; ou produzimos o suficiente e não se percebe porque é que há gente a ganhar tão mal....
Esta questão (que não é menor) faz-me sempre lembrar uma história que alguns asseguram ser verdadeira. Consta que, durante o famigerado PREC, um alto militar da Abril (não muito alto) teria visitado a Suécia, considerado um modelo e um exemplo a seguir pela nossa jovem democracia. Olaf Palme, ao tempo primeiro-ministro daquele país, quis saber quais as prioridades do MFA para Portugal: "Acabar com os ricos!", ter-lhe-ia respondido o capitão português, ao que Palme retorquiu: "Tem graça, aqui na Suécia, nós preferimos acabar com os pobres".
Ora aqui está uma boa mensagem para Cavaco usar em 2009.
O de ontem, proferido por Cavaco Silva, não fugiu à regra. Claro que muito boa gente quis nele "ler" o que mais lhe convinha. É sempre sintomático ouvir as interpretações dos diversos líderes partidários e comentadores diversos sobre o tema. Uns vêem-no como crítico ao governo, outros como envergonhado na crítica...
O que mais me espantou, foi o presidente ter "questionado os rendimentos de altos dirigentes de empresas", para usar a definição de uma certa imprensa nacional. Fiquei na dúvida se ele (o presidente) se referia aos "rendimentos de altos dirigentes" ou aos "altos rendimentos dos dirigentes", que são coisas completamente diferentes como sabemos. Admito que se trata da segunda interpretação. Pessoalmente, não me choca nada que um dirigente (alto ou baixo) tenha um rendimento alto. Penso mesmo que a qualidade deve ser premiada. Também penso que a maioria desses dirigentes, que têm um rendimento alto, podem perfeitamente viver com metade do que ganham. Restam os rendimentos baixos (dos dirigidos altos e baixos). E é aqui que a porca torce o rabo. Porque é que os baixos rendimentos não podem ser mais altos?
Já sabemos que produzimos pouco e mal (a tal questão da "produtividade"). Mas, se a produtividade é baixa, como é que se explica que só os dirigidos ganhem pouco e os (altos) dirigentes ganhem salários altos? Ou não somos todos parte activa na tal produtividade? Portanto, das duas uma: ou produzimos pouco e alguém anda a viver acima das suas (nossas) posses; ou produzimos o suficiente e não se percebe porque é que há gente a ganhar tão mal....
Esta questão (que não é menor) faz-me sempre lembrar uma história que alguns asseguram ser verdadeira. Consta que, durante o famigerado PREC, um alto militar da Abril (não muito alto) teria visitado a Suécia, considerado um modelo e um exemplo a seguir pela nossa jovem democracia. Olaf Palme, ao tempo primeiro-ministro daquele país, quis saber quais as prioridades do MFA para Portugal: "Acabar com os ricos!", ter-lhe-ia respondido o capitão português, ao que Palme retorquiu: "Tem graça, aqui na Suécia, nós preferimos acabar com os pobres".
Ora aqui está uma boa mensagem para Cavaco usar em 2009.
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