Ler, discutir, divulgar! Clique na imagem para descarregar o relatório ou aqui. Mais informação sobre a IAC aqui.
2013/04/13
2013/04/07
Um fim triste
Ficou hoje definitivamente claro que os portugueses são uma chatice para o Primeiro Ministro de Portugal. Ao dizer o que disse e ao usar o tom que todos pudemos testemunhar, Passos Coelho declarou-nos guerra e esta só pode ter um desfecho. É que nós somos mais do que ele.
Esta intervenção de hoje é, para além do mais, feita no registo da oração fúnebre de Relvas. O tom auto laudatório e, sobretudo, o alijar responsabilidades (a culpa para o Primeiro Ministro é sempre dos outros) têm a marca do amigo e sócio. E vejam o que acabou por lhe acontecer...
Esta intervenção de hoje é, para além do mais, feita no registo da oração fúnebre de Relvas. O tom auto laudatório e, sobretudo, o alijar responsabilidades (a culpa para o Primeiro Ministro é sempre dos outros) têm a marca do amigo e sócio. E vejam o que acabou por lhe acontecer...
2013/04/04
Circo do PSD
O falso barítono, o auto-ventríloquo, o equivalente a trapezista e o domador de sardinhas em escabeche. Últimos espectáculos...!
Há dias assim...(2)
Custou, mas foi. O inenarrável Relvas demitiu-se. Resta saber se o fez de vontade própria antecipando uma remodelação governamental que se adivinha, ou se a isso foi obrigado, devido as revelações sobre a licenciatura turbo, na posse do ministro Nuno Crato.
Seja como for (e ainda falta o parecer do tribunal constitucional sobre as novas medidas do OE) esta semana não tem corrido bem ao governo, ainda que este tenha sobrevivido à moção de confiança no parlamento. Há dias assim...
2013/03/31
Que os banqueiros nunca descubram o negócio dos colchões!
Há já algum tempo, estarão recordados, houve uma polémica em Portugal por causa do pagamento de pensões através de crédito em conta bancária. O governo de então instituiu essa obrigatoriedade para obviar o problema dos títulos de pagamento roubados e das pensões indevidamente levantadas.
Os bancos responderam de imediato cobrando custos de manutenção aos clientes que tendo sido obrigados a abrir conta para poderem receber a sua pensão, se viram, de repente, despojados de uma parte, para eles, muito significativa da sua magra remuneração em virtude do saldo não atingir o mínimo que os isentaria do pagamento desses custos. O abuso (que ilustra na perfeição o que é a banca comercial, qual a sua verdadeira natureza...) foi imediatamente corrigido, com o governo (por acaso, o de José Sócrates...) a instituir a isenção de custos de manutenção para estas contas e a obrigar os bancos a devolver as verbas que tivessem sido, entretanto, cobradas.
Vem isto a propósito das declarações do senhor Jeroen Dijsselbloem, ministro holandês das finanças, que, pelo que percebi, não mereceram a atenção que suscitou a entrevista de José Sócrates.
Disse ele, em tom indisfarçavelmente ansioso, que no futuro terão de ser os bancos, os seus accionistas e depositantes sem seguro de depósito, a assumir os riscos de financiarem os bancos com o seu dinheiro. O alerta foi dirigido a quem, na generalidade, confia o seu dinheiro aos bancos. Compreender o risco e agir de forma adequada seria assim o caminho para termos uma banca saudável, disse ele, mais palavra menos palavra. Os Estados, rematou, não poderão continuar a proteger a banca cada vez que esta se estampa em operações ruinosas. Disse isto e desdisse-o logo de seguida, tal terá sido o efeito que esta deflagração ocasionou no território do euro, embora sem, na verdade, se desdizer...
Dificilmente veremos os milhares e milhares de trabalhadores, reformados e pensionistas que recebem, se calhar contra vontade, as remunerações a que têm direito através do sistema bancário como “investidores” na banca. Mas, já se percebeu quem são sempre as primeiras vítimas das crises dos bancos. Dir-me-ão: mas, não, não é a estes que o senhor Dijsselbloem se dirige. Pois não, mas não estão livres deste problema e serão, seguramente, as suas primeiras vítimas.
É que, reparem, desta triste criatura não ouvimos nem uma palavra contra os banqueiros, financeiros e accionistas que cometem crimes contra a sociedade sem que alguém os detenha; nem um sinal de que os responsáveis pela catástrofe colectiva para que os povos europeus estão a ser empurrados serão duramente castigados; nem uma palavra sobre a obrigação de apertar o controlo da actividade bancária. Não! Pelo contrário: este palhaço prevê ipso facto e aceita como normal que esta situação volte a ocorrer. Quem pagará então as novas crises? Enquanto houver depósitos nos bancos e ordenados para penhorar, taxar e roubar, pelo que diz a Lei de Dijsselbloem, não serão os banqueiros.
Imaginem um exemplo com os serviços de águas. Imaginem que o fornecimento da água era interrompido porque os dirigentes destes serviços se abotoavam com a água toda, desviando-a para os seus depósitos particulares. Imaginem que, na falta generalizada da água, os consumidores eram obrigados a ir de baldinho na mão buscar água às nascentes para encher os depósitos públicos. Imaginem agora obrigá-los a pagar essa água, como se um serviço normal a tivesse fornecido e imaginem que por cada balde carregado iriam mais tarde obrigá-los ainda a deixar parte dessa água no depósito dos directores. É o que se está a passar com a banca. Andamos todos a deitar baldinhos de água nos depósitos dos banqueiros.
A “chiprelhada” irá seguramente espalhar-se a outros países e a solução que parece desenhar-se para a remediar irá ser sempre a que começou por ser tentada em Chipre, se a seita louca que tomou conta dos assuntos de estado na Europa não for corrida e se os seus povos não abrirem os olhos. A insegurança que os cidadãos europeus sentem e sua a falta de confiança nos políticos e instituições europeias nunca foram tão grandes. Aquele cavalheiro Schäuble (que parece estranhamente saído do filme Dr. Strangelove), aquele mesmo de quem Silva Peneda diz que “quer despertar fantasmas de guerra,” já veio, com o beneplácito do BCE, apoiar Dijsselbloem, pois então. Para que não restem dúvidas sobre quem anda a defender os interesses de quem e para que todos nós saiamos desta situação menos apreensivos e mais confiantes...
Enquanto assistimos, frustrados, a episódios como este da dupla Schäuble-Dijsselbloem, enquanto vamos vendo os indicadores europeus cairem para níveis inimagináveis, que trazem ecos da Europa pós-guerra a este século XXI, cresce a certeza de que nos espera o dilúvio se não pararmos estes dementes. Já se viu que nenhum ideal de democracia e justiça fará parar esta gente.
Entretanto, o colchão, esse eterno e sempre fiável conceito primordial da ciência económica, é, de momento, o único "produto financeiro" em que podemos verdadeiramente confiar.
Nota:
Alguns links interessantes:
- Disciplina bancária, mera ilusão de ótica!
- O dinheiro como dívida
2013/03/28
Memórias do Subdesenvolvimento
Alguém imagina um país europeu, onde todos os canais de televisão têm, em permanência, políticos (comentadores) nos seus programas a comentar a actualidade política na qual eles próprios são parte interessada? Eu não conheço nenhum. A excepção é Portugal.
Reparem só: Marques Mendes (ex-ministro), Bagão Félix (ex-ministro), Jorge Coelho (ex-ministro), Francisco Louçã (ex-deputado), todos na SIC; Marcelo Rebelo de Sousa (ex-deputado), Pedro Santana Lopes (ex-primeiro-ministro), Francisco Assis (ex-deputado), Fernando Rosas (ex-deputado), todos na TVI; Morais Sarmento (ex-ministro), José Sócrates (ex-primeiro-ministro), todos na RTP. Esqueci-me de algum?
E os comentadores, propriamente ditos? Bem, esses também lá estão e são, claro, em maior número. Mas, nesse caso, que estão eles lá a fazer, se os políticos controlam o espaço público e privado das estações que os contrataram como profissionais de opinião? A única explicação é o clientelismo endémico de que padecem as sociedades subdesenvolvidas, onde as relações de patrocinato são um traço característico do atraso cultural em que estas sociedades ainda se encontram.
As coisas são o que são e, enquanto não mudarmos esta mentalidade, não há estratégias de desenvolvimento que nos valham.
2013/03/23
Ao chão!
A deputada Teresa Leal Coelho acha que "não vamos deitar ao chão o percurso que já fizemos com sangue suor e lágrimas."
Está a senhora deputada redondamente enganada. Vamos deitá-la mesmo ao chão, com suor certamente, esperemos que com poucas lágrimas, e, sobretudo, sem sangue. Mas com grande aparato!
Está a senhora deputada redondamente enganada. Vamos deitá-la mesmo ao chão, com suor certamente, esperemos que com poucas lágrimas, e, sobretudo, sem sangue. Mas com grande aparato!
2013/03/20
Há dias assim...
De acordo com as notícias, hoje é “Dia Internacional da Felicidade”.
Quer dizer, a ONU (who else?) declarou o dia de hoje como o Dia da Felicidade. Se a ONU achou por bem proclamar tal coisa, quem sou eu para contradizer uma instituição tão prestigiada?
Porque está sol (afinal, começa hoje a Primavera...) e estou bem disposto, nada como ler as notícias, mesmo aquelas mais improváveis, pois desde há uns anos a esta parte que o Mundo passou a ser um lugar imprevisível e nunca estamos a salvo de surpresas, mesmo as mais improváveis. Até agora, e ainda o dia vai a meio, já foram três...
Primeira surpresa: O parlamento cipriota rejeitou, por maioria absoluta e inequívoca, o plano de ajuda europeu a Chipre, que implicava a taxação dos depósitos bancários abaixo de 100.000 euros. Depois da Islândia (que não pertence sequer ao grupo do Euro) não me lembro de uma resposta tão clara de um país à chantagem das actuais instituições europeias.
Segunda surpresa: O Tribunal Cível de Lisboa pronunciou-se negativamente sobre a candidatura de Fernando Seara à Câmara de Lisboa, no seguimento de uma providência cautelar interposta pelo grupo de cidadãos “revolução branca”, contra a candidatura do presidente da Câmara de Sintra, após três mandatos consecutivos à frente de uma autarquia.
Terceira surpresa: O apartamento da Sra. Christine (FMI) Lagarde em Paris, foi hoje objecto de busca por parte da policia francesa, devido a alegado envolvimento no branqueamento de capitais do Sr. Tapie, quando ela era ministra de finanças de Sarkozy.
Dirão os leitores deste “post”: nenhuma destas notícias é algo com que nos possamos regozijar. É verdade. Mas, como dizia o poeta: “algo és algo”. Ou já não se pode ser feliz?
2013/03/16
Um programa mal concebido
Soubemos hoje, após mais uma avaliação da Troika e da extraordinária comunicação do ministro Gaspar ao pais, que nenhuma das previsões tinha sido atingida e que todos os indicadores determinantes (valor do défice, produto interno bruto, recessão e taxa de desemprego) tinham piorado. Isto, depois da última visita da troika, em finais do ano passado e das recentes previsões (em alta) do ministro colossal, em Janeiro deste ano.
Como o disparate há muito deixou de ser quantificável, o “crânio” especializado em economia e finanças que dá pelo nome de Miguel Frasquilho, veio esta tarde ler um comunicado de imprensa onde dizia que “estas revisões deixam à vista de todos que o programa original apresentado em Maio de 2011 tinha sido mal desenhado, mal concebido, com projecções e efeitos que, sabemos agora, tinham pouca ou nenhuma adesão à realidade”. Como?
Esta gente ensandeceu, é apenas incompetente, ou pensa que as pessoas andam a dormir?
Então não foram os partidos desta coligação que, juntamente com o PS, é bom lembrá-lo, assinaram o Memorando em 2011 e que tudo fizeram nestes últimos dois anos, para “ir além da troika” como, muito ufanos no seu papel de bom aluno da Alemanha, sempre afirmaram?
Não fosse a trágica dimensão desta crise, que nos vai conduzir, no curto prazo, a um ponto de não retorno e a uma situação sem paralelo nas últimas décadas, quase dava vontade de rir tanta idiotice junta. Infelizmente, é verdade.
Pior ainda, porque mais trágica, foi a completa subserviência da comunicação social portuguesa nesta encenação lúgubre, em que não ouvimos uma pergunta critica sobre a “má concepção” deste programa que nos andam a impingir. Perante esta complacência acrítica, é de recear o pior. Toda esta gente mete nojo.
2013/03/09
2013/03/01
The cook, the thief, his wife and her lover
De acordo com o “Público” de hoje, Isaltino Morais acaba de criar duas empresas em Maputo. O autarca tem como sócios, um adjunto da Câmara de Oeiras, um grande construtor civil que tem parcerias com o município, dois criadores de cavalos e três moçambicanos. Desconhece-se a nacionalidade dos cavalos.
2013/02/25
2013/02/21
Esta gente não se enxerga
Portugal está numa encruzilhada e, tão cedo, não sairá dela.
É uma verdade de “La Palisse”, mas é necessário pensar depressa, porque a realidade não se compadece com análises macro económicas e, muito menos, com as projecções de Victor Gaspar que, ontem mesmo no parlamento, admitiu o erro crasso que cometeu. Resta saber se por incúria, incompetência, estratégia, ou todas estas coisas ao mesmo tempo...
Já não são necessárias estatísticas do INE, da OCDE ou do EUROSTAT, para os portugueses perceberem o que lhes está a acontecer. A simples observação empírica da realidade que nos rodeia, é um bom barómetro da situação. Basta andar pelas ruas, ver o número de pedintes a cada esquina, ou os sem-abrigo que se amontoam nas arcadas das lojas de luxo da Avenida da Liberdade, dos ministérios no Terreiro de Paço e nas estações do Cais do Sodré e de Santa Apolónia, para confirmá-lo. O número de lojas com promoções acima dos 60%, ou anunciando saldos por encerramento, aumenta de forma exponencial. A restauração (depois do aumento do IVA de 13% para 23%) enfrenta a sua pior crise dos últimos 40 anos e, com o fecho do comércio de retalho, os fornecedores a montante têm cada vez mais dificuldade em sobreviver. A economia há muito que deixou de crescer a níveis mínimos de sustentabilidade (2%) que permitam criar emprego duradouro e impulsionador do consumo para dinamizar a dita. Um círculo vicioso. Chama-se recessão e, como dura há mais de 18 meses, tornou-se estrutural, de tal forma que até o insuspeito economista Cavaco Silva já lhe chamou “espiral recessiva”.
Perante tal calamidade, que está a levar à indigência social e económica milhares de portugueses, que faz o governo? Refugia-se em discursos hiperbólicos, argumentando que a culpa foi de quem deixou o pais neste estado, como se o PSD (em alternância com o PS) não tivesse governado o país nos últimos 37 anos! Pior: os seus governantes mais odiosos e odiados, mantêm-se em exercício de funções, mesmo quando contra eles pendem acusações tão graves como o das “viagens fantasma” no parlamento, as pressões censórias sobre jornalistas como Pedro Rosa Mendes na TSF ou uma jornalista do “Público”, de recente memória. Isto, para já não falar do escândalo da Ongoing e do papel da loja maçónica da Mozart à qual pertencerá o referido ministro, ou da licenciatura “turbo” feita em 20 meses, uma afronta para todos aqueles que estudam e pagam do seu bolso uma formação de 5 anos!
Não é, pois, de admirar, que nos últimos dias, as manifestações de desagrado e indignação tenham subido de tom, normalmente ao som da “Grândola” de boa memória. Foi no parlamento com Passos Coelho, no Porto e posteriormente em Lisboa com Miguel Relvas e, ontem, com Paulo Macedo, no Porto. Não nos devemos admirar que mais manifestações se repitam por estes dias. A democracia não se esgota na representatividade parlamentar: há muitas formas de protesto e a indignação, como, de resto, a desobediência civil, são apenas duas delas. Ainda não estamos na Grécia, onde a violência campeia nas ruas, mas estamos muito perto e não se podem culpar as pessoas por isso. São as actuais medidas de austeridade que sufocam a maioria da população e que não lhes deixam alternativas. Até porque, este governo foi eleito com promessas que nunca cumpriu e por isso quebrou o contrato social pelo qual foi eleito. Perdeu, por isso, qualquer legitimidade democrática.
É uma verdade de “La Palisse”, mas é necessário pensar depressa, porque a realidade não se compadece com análises macro económicas e, muito menos, com as projecções de Victor Gaspar que, ontem mesmo no parlamento, admitiu o erro crasso que cometeu. Resta saber se por incúria, incompetência, estratégia, ou todas estas coisas ao mesmo tempo...
Já não são necessárias estatísticas do INE, da OCDE ou do EUROSTAT, para os portugueses perceberem o que lhes está a acontecer. A simples observação empírica da realidade que nos rodeia, é um bom barómetro da situação. Basta andar pelas ruas, ver o número de pedintes a cada esquina, ou os sem-abrigo que se amontoam nas arcadas das lojas de luxo da Avenida da Liberdade, dos ministérios no Terreiro de Paço e nas estações do Cais do Sodré e de Santa Apolónia, para confirmá-lo. O número de lojas com promoções acima dos 60%, ou anunciando saldos por encerramento, aumenta de forma exponencial. A restauração (depois do aumento do IVA de 13% para 23%) enfrenta a sua pior crise dos últimos 40 anos e, com o fecho do comércio de retalho, os fornecedores a montante têm cada vez mais dificuldade em sobreviver. A economia há muito que deixou de crescer a níveis mínimos de sustentabilidade (2%) que permitam criar emprego duradouro e impulsionador do consumo para dinamizar a dita. Um círculo vicioso. Chama-se recessão e, como dura há mais de 18 meses, tornou-se estrutural, de tal forma que até o insuspeito economista Cavaco Silva já lhe chamou “espiral recessiva”.
Perante tal calamidade, que está a levar à indigência social e económica milhares de portugueses, que faz o governo? Refugia-se em discursos hiperbólicos, argumentando que a culpa foi de quem deixou o pais neste estado, como se o PSD (em alternância com o PS) não tivesse governado o país nos últimos 37 anos! Pior: os seus governantes mais odiosos e odiados, mantêm-se em exercício de funções, mesmo quando contra eles pendem acusações tão graves como o das “viagens fantasma” no parlamento, as pressões censórias sobre jornalistas como Pedro Rosa Mendes na TSF ou uma jornalista do “Público”, de recente memória. Isto, para já não falar do escândalo da Ongoing e do papel da loja maçónica da Mozart à qual pertencerá o referido ministro, ou da licenciatura “turbo” feita em 20 meses, uma afronta para todos aqueles que estudam e pagam do seu bolso uma formação de 5 anos!
Não é, pois, de admirar, que nos últimos dias, as manifestações de desagrado e indignação tenham subido de tom, normalmente ao som da “Grândola” de boa memória. Foi no parlamento com Passos Coelho, no Porto e posteriormente em Lisboa com Miguel Relvas e, ontem, com Paulo Macedo, no Porto. Não nos devemos admirar que mais manifestações se repitam por estes dias. A democracia não se esgota na representatividade parlamentar: há muitas formas de protesto e a indignação, como, de resto, a desobediência civil, são apenas duas delas. Ainda não estamos na Grécia, onde a violência campeia nas ruas, mas estamos muito perto e não se podem culpar as pessoas por isso. São as actuais medidas de austeridade que sufocam a maioria da população e que não lhes deixam alternativas. Até porque, este governo foi eleito com promessas que nunca cumpriu e por isso quebrou o contrato social pelo qual foi eleito. Perdeu, por isso, qualquer legitimidade democrática.
2013/02/15
Esta gente não se aguenta!
É oficial: a politica seguida pelo governo falhou.
Os números não mentem e, contra números, falham todos os argumentos. O número de desempregados atingiu a fasquia “record” de 920.000 cidadãos inscritos nos centros de desemprego, o que corresponde a 16,9% da população produtiva do pais (ou seja, 1 em cada 5 portugueses está, neste momento, desempregado). Destes, 43% já não recebem qualquer tipo de subsídio ou apoio. Entre os desempregados, 40% são jovens, abaixo dos 34 anos. Se contabilizarmos os desempregados não-inscritos, o total rondará 1,4 milhões, uma cifra nunca atingida em Portugal desde que há memória estatística.
A montante (et pour cause) a queda do crescimento económico é agora de 3,2% do produto, em comparação com o período homólogo, enquanto o crescimento, propriamente dito, não sobe acima dos 0,2% do PIB. Porque uma má notícia nunca vem só, as exportações (essa ilusão macro-económica dos economistas que nos governam) perdeu o balanço que sustentava algum optimismo e, como as economias do Euro começaram a abrandar, compram agora menos às periferias e afectam directamente a nossa balança de pagamentos. “Mutatis-mutandis”, dado que a economia não cresce, não são criados empregos e, sem empregos, não há poder de compra para sustentar a economia, nem dinheiro para pagar os subsídios e apoios sociais de todo o tipo, enquanto a dívida soberana continua a aumentar e a ser paga aos credores.
A jusante, as sequelas começam a ser visíveis a olho nu e já não são necessárias estatísticas para nos convencerem do fosso em que caímos:
As prestações das casas deixaram de ser pagas aos milhares (7.800 no último ano) e, com a nova lei de arrendamentos, este número vai certamente aumentar. No seu relatório anual, publicado no “Público” de hoje, a Caritas revela que 28,6% das crianças portuguesas (mais de 1/4 da população infantil!) estava em risco de pobreza ou exclusão social, número que, provavelmente já aumentou desde então.
As filas, nos centros sociais e nos bancos alimentares, aumentam diariamente e as corridas às reformas dispararam em todos os sectores. Os mais aptos e qualificados procuram saída através da emigração e o desespero instala-se nas famílias sem qualquer perspectiva de futuro. Começa a ser preocupante o número de homicídios e suicídios na sociedade portuguesa, que não podem nem devem ser desvalorizados ou desligados da realidade social actual.
Perante esta verdadeira calamidade social, que faz o governo? Defende a sua politica prometendo-nos um dia melhor (quando?) talvez lá para 2014 ou 2015, se as condições se inverterem, com o argumento que temos primeiro de pagar aos credores (a juros que estes determinam) para dessa forma provarmos ser bem comportados e merecermos a sua condescendência.
Obviamente que ninguém acredita neste “promissor futuro” e, mesmo admitindo que daqui a um ano ou dois as perspectivas mudavam, só um desmiolado acredita que depois de três anos de uma politica de terra queimada, alguma coisa vai subsistir na actual economia. A verdade é que nada vai ser como dantes e todas as conquistas (ordenados, meses-extra, apoios sociais, educação, serviço nacional de saúde, etc.) vão acabar.
E porque a economia vai ser destruída, o governo que se seguir (seja ele do PS, ou outro), não terá outra alternativa a não ser manter a situação neste nível de indigência a que os actuais governantes nos conduziram. É este o dilema. Quanto mais tempo aguentarmos Passos Coelho e a Troika, pior será o nosso futuro.
Os números não mentem e, contra números, falham todos os argumentos. O número de desempregados atingiu a fasquia “record” de 920.000 cidadãos inscritos nos centros de desemprego, o que corresponde a 16,9% da população produtiva do pais (ou seja, 1 em cada 5 portugueses está, neste momento, desempregado). Destes, 43% já não recebem qualquer tipo de subsídio ou apoio. Entre os desempregados, 40% são jovens, abaixo dos 34 anos. Se contabilizarmos os desempregados não-inscritos, o total rondará 1,4 milhões, uma cifra nunca atingida em Portugal desde que há memória estatística.
A montante (et pour cause) a queda do crescimento económico é agora de 3,2% do produto, em comparação com o período homólogo, enquanto o crescimento, propriamente dito, não sobe acima dos 0,2% do PIB. Porque uma má notícia nunca vem só, as exportações (essa ilusão macro-económica dos economistas que nos governam) perdeu o balanço que sustentava algum optimismo e, como as economias do Euro começaram a abrandar, compram agora menos às periferias e afectam directamente a nossa balança de pagamentos. “Mutatis-mutandis”, dado que a economia não cresce, não são criados empregos e, sem empregos, não há poder de compra para sustentar a economia, nem dinheiro para pagar os subsídios e apoios sociais de todo o tipo, enquanto a dívida soberana continua a aumentar e a ser paga aos credores.
A jusante, as sequelas começam a ser visíveis a olho nu e já não são necessárias estatísticas para nos convencerem do fosso em que caímos:
As prestações das casas deixaram de ser pagas aos milhares (7.800 no último ano) e, com a nova lei de arrendamentos, este número vai certamente aumentar. No seu relatório anual, publicado no “Público” de hoje, a Caritas revela que 28,6% das crianças portuguesas (mais de 1/4 da população infantil!) estava em risco de pobreza ou exclusão social, número que, provavelmente já aumentou desde então.
As filas, nos centros sociais e nos bancos alimentares, aumentam diariamente e as corridas às reformas dispararam em todos os sectores. Os mais aptos e qualificados procuram saída através da emigração e o desespero instala-se nas famílias sem qualquer perspectiva de futuro. Começa a ser preocupante o número de homicídios e suicídios na sociedade portuguesa, que não podem nem devem ser desvalorizados ou desligados da realidade social actual.
Perante esta verdadeira calamidade social, que faz o governo? Defende a sua politica prometendo-nos um dia melhor (quando?) talvez lá para 2014 ou 2015, se as condições se inverterem, com o argumento que temos primeiro de pagar aos credores (a juros que estes determinam) para dessa forma provarmos ser bem comportados e merecermos a sua condescendência.
Obviamente que ninguém acredita neste “promissor futuro” e, mesmo admitindo que daqui a um ano ou dois as perspectivas mudavam, só um desmiolado acredita que depois de três anos de uma politica de terra queimada, alguma coisa vai subsistir na actual economia. A verdade é que nada vai ser como dantes e todas as conquistas (ordenados, meses-extra, apoios sociais, educação, serviço nacional de saúde, etc.) vão acabar.
E porque a economia vai ser destruída, o governo que se seguir (seja ele do PS, ou outro), não terá outra alternativa a não ser manter a situação neste nível de indigência a que os actuais governantes nos conduziram. É este o dilema. Quanto mais tempo aguentarmos Passos Coelho e a Troika, pior será o nosso futuro.
2013/02/07
Paganismos
Jano é o deus romano das duas caras. Convém alertar os mais crédulos para o facto de que se trata de uma metáfora. Só mesmo um deus, e pagão, poderia ter tais dotes. Jano, na realidade, não existe...
Mas esta ideia das duas faces de Jano leva-me a trazê-lo aqui ao Face a propósito de notícias que hoje dão conta do caso dos técnicos da Segurança Social que aconselham jovens grávidas, sem recursos, a abortar. Há diversos testemunhos a confirmar esta actuação e o assunto parece estar longe de poder ser considerado resultado de uma acto de algum anormal, demente e em autogestão.
O ministro Mota Soares tem de dar explicações urgentes sobre esta questão. Tem de clarificar tudo isto. O silêncio tem, como Jano, duas caras. E ao CDS/PP, partido a que pertence o ministro e membro da coligação que governa o país, exige-se que venha também a público comentar este assunto.
Olhando para Mota Soares, numa primeira leitura, fico com a fortíssima suspeita de que o ministro não é sequer capaz de olhar para trás, quanto mais para a frente e, pior ainda, ao mesmo tempo...
Mas esta ideia das duas faces de Jano leva-me a trazê-lo aqui ao Face a propósito de notícias que hoje dão conta do caso dos técnicos da Segurança Social que aconselham jovens grávidas, sem recursos, a abortar. Há diversos testemunhos a confirmar esta actuação e o assunto parece estar longe de poder ser considerado resultado de uma acto de algum anormal, demente e em autogestão.
O ministro Mota Soares tem de dar explicações urgentes sobre esta questão. Tem de clarificar tudo isto. O silêncio tem, como Jano, duas caras. E ao CDS/PP, partido a que pertence o ministro e membro da coligação que governa o país, exige-se que venha também a público comentar este assunto.
Olhando para Mota Soares, numa primeira leitura, fico com a fortíssima suspeita de que o ministro não é sequer capaz de olhar para trás, quanto mais para a frente e, pior ainda, ao mesmo tempo...
2013/02/01
Governo B
O que quererá dizer exactamente esta afirmação do PM de que as substituições no governo "não têm dignidade de primeiro plano político?" Significará que estes cargos são menores? Que os novos responsáveis são chumaços que substituem chumaços? Que ser secretário de estado é trivial?
Se não têm dignidade de primeiro plano político para que serve o cargo? Porquê aumentar até o número destes, confessadamente, quase inúteis? O que pensarão os outros "secretários de estado" de tudo isto?
Qual é então a justificação para que seja o PR a dar-les lhes posse e não o seu chefe de gabinete? E que dizer de um PM que escolhe e chefia um governo de inúteis segundos planos políticos, sem dignidade?
Se não têm dignidade de primeiro plano político para que serve o cargo? Porquê aumentar até o número destes, confessadamente, quase inúteis? O que pensarão os outros "secretários de estado" de tudo isto?
Qual é então a justificação para que seja o PR a dar-les lhes posse e não o seu chefe de gabinete? E que dizer de um PM que escolhe e chefia um governo de inúteis segundos planos políticos, sem dignidade?
2013/01/21
Conhecer a Dívida para Sair da Armadilha
Realizou-se este fim-de-semana, nas instalações do Instituto Franco-Português em Lisboa, o “1º Encontro Nacional da Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública”, subordinado ao mote “Crises não pagam dívidas”.
O Encontro, que fechou o primeiro ano de actividades da Comissão de Auditoria, eleita em 17 de Dezembro de 2011 no Cinema S. Jorge, tinha como objectivos principais apresentar o “Relatório Preliminar do Grupo Técnico”, avaliar as actividades desenvolvidas em 2012, discutir novos planos de acção e eleger uma nova comissão para 2013. A sessão, para a qual se inscreveram cerca de 400 participantes, entre activistas e apoiantes, encheu literalmente o auditório do IFP, que se revelou pequeno para todos aqueles que se interessam por esta causa pública.
Na sessão da manhã, destaque para o balanço das actividades do IAC neste primeiro ano, e a apresentação do “Relatório Preliminar”, a cargo do relator José Castro Caldas, onde seriam abordados alguns “casos de estudo” investigados.
A parte da tarde seria dedicada às comunicações dos convidados estrangeiros, Éric Toussaint (que já estivera presente no S. Jorge) e António Sanabra Martin, da ATTAC espanhola, para além da aprovação da Resolução deste 1º Encontro Nacional e a escolha da Comissão Coordenadora para 2013, composta de 56 nomes da sociedade civil, 48 dos quais transitam da Comissão anterior.
O IAC continua aberto à participação activa de todos aqueles que, a nível nacional, queiram participar e apoiar este movimento de Auditoria Cidadã à Dívida Pública, o qual entra, agora, no seu segundo ano de actividade.
Para mais informações os interessados podem consultar o “site” do IAC. O “Relatório Preliminar do Grupo Técnico” pode ser descarregado aqui.
O Encontro, que fechou o primeiro ano de actividades da Comissão de Auditoria, eleita em 17 de Dezembro de 2011 no Cinema S. Jorge, tinha como objectivos principais apresentar o “Relatório Preliminar do Grupo Técnico”, avaliar as actividades desenvolvidas em 2012, discutir novos planos de acção e eleger uma nova comissão para 2013. A sessão, para a qual se inscreveram cerca de 400 participantes, entre activistas e apoiantes, encheu literalmente o auditório do IFP, que se revelou pequeno para todos aqueles que se interessam por esta causa pública.
Na sessão da manhã, destaque para o balanço das actividades do IAC neste primeiro ano, e a apresentação do “Relatório Preliminar”, a cargo do relator José Castro Caldas, onde seriam abordados alguns “casos de estudo” investigados.
A parte da tarde seria dedicada às comunicações dos convidados estrangeiros, Éric Toussaint (que já estivera presente no S. Jorge) e António Sanabra Martin, da ATTAC espanhola, para além da aprovação da Resolução deste 1º Encontro Nacional e a escolha da Comissão Coordenadora para 2013, composta de 56 nomes da sociedade civil, 48 dos quais transitam da Comissão anterior.
O IAC continua aberto à participação activa de todos aqueles que, a nível nacional, queiram participar e apoiar este movimento de Auditoria Cidadã à Dívida Pública, o qual entra, agora, no seu segundo ano de actividade.
Para mais informações os interessados podem consultar o “site” do IAC. O “Relatório Preliminar do Grupo Técnico” pode ser descarregado aqui.
2013/01/18
Toma lá o tempero!
Para dar um bocadinho mais de sal à educação, a PSP usa gás pimenta. O Ministério cumpre assim o seu desígnio e "educa".
A polícia diz que evitou uma "acção mais musculada". O Ministério da Educação vai revelar em conferência de imprensa a possibilidade de convidar Rambo para Director Geral do Ensino Secundário, acumulando com funções directivas também nos jardins de infância.
E o país vai preparando desta forma os seus futuros contribuintes...
2013/01/15
De derrota em derrota até à vitória final...
No mesmo dia em que o Banco de Portugal publica o seu “Boletim de Inverno” com as previsões económicas para 2013, o governo lança uma “Conferência para a Reforma do Estado”.
E o que diz o Boletim do BdP?
Entre outras coisas importantes, que haverá uma contracção em 2013, de 1,9% do PIB (o dobro do previsto pelo governo para o mesmo período); o consumo privado irá diminuir 3.6%; o investimento cairá 8,5% e as exportações diminuirão 2,4%. Haverá ainda uma diminuição do emprego (perca real de 88.000 postos de trabalho) e a economia não deve descolar antes de 2014, a uma taxa que não deve ultrapassar 1%.
Ou seja, tudo a correr mal e com fortes possibilidades de vir a correr pior, como de resto qualquer observador, minimamente informado da realidade, podia prever. A “espiral recessiva” veio para ficar e ninguém sabe quando sairemos dela.
Por coincidência, ou talvez não, o governo anuncia com pompa e circunstância, uma conferência sobre a “Reforma do Estado”, a decorrer por estes dias no Palácio Foz, onde falarão diversos especialistas.
E o que dizem os convidados nessa ilustre conferência? Não sabemos. Para além da comunicação de abertura, lida pelo secretário de estado Carlos Moedas e transmitida por todos os canais televisivos, a comunicação social está impedida de transmitir o que vai passar-se nas salas do extinto SNI, à excepção da comunicação final, reservada a Passos Coelho que, obviamente, terá honras de “prime-time”.
Entretanto, o governo pela voz dos seus representantes, chama a atenção para a importância desta reforma e apela a todos os cidadãos para participarem e discutirem, pois dela depende o futuro do pais (!?). Mas, como, se nem sequer as propostas dos especialistas podem ser transmitidas?
Ouve-se, vê-se e não se acredita.
Contrariado por uma realidade que não se compadece com as previsões de Victor Gaspar e os elogios de instituições internacionais, apenas interessadas no pagamento dos juros aos credores, o governo lança mão de todos os estratagemas e mentiras para prolongar esta agonia que só pode conduzir o pais a um ponto de não retorno, com um inevitável pedido de um “segundo resgate”.
Provavelmente, é esta a sua real intenção: destruir as funções sociais do estado para liberalizar depois as suas principais funções e deixar ao glorioso “mercado” impor as suas leis.
Estamos pois, a aproximar-nos perigosamente da situação grega, onde os cidadãos sem possibilidade de pagar a electricidade, abatem árvores para fazerem fogueiras e, dessa forma, poderem aquecer-se. Talvez por isso, o gabinete do primeiro-ministro grego foi ontem alvo de um atentado a tiro, o segundo em poucos dias. Se a moda pega...
E o que diz o Boletim do BdP?
Entre outras coisas importantes, que haverá uma contracção em 2013, de 1,9% do PIB (o dobro do previsto pelo governo para o mesmo período); o consumo privado irá diminuir 3.6%; o investimento cairá 8,5% e as exportações diminuirão 2,4%. Haverá ainda uma diminuição do emprego (perca real de 88.000 postos de trabalho) e a economia não deve descolar antes de 2014, a uma taxa que não deve ultrapassar 1%.
Ou seja, tudo a correr mal e com fortes possibilidades de vir a correr pior, como de resto qualquer observador, minimamente informado da realidade, podia prever. A “espiral recessiva” veio para ficar e ninguém sabe quando sairemos dela.
Por coincidência, ou talvez não, o governo anuncia com pompa e circunstância, uma conferência sobre a “Reforma do Estado”, a decorrer por estes dias no Palácio Foz, onde falarão diversos especialistas.
E o que dizem os convidados nessa ilustre conferência? Não sabemos. Para além da comunicação de abertura, lida pelo secretário de estado Carlos Moedas e transmitida por todos os canais televisivos, a comunicação social está impedida de transmitir o que vai passar-se nas salas do extinto SNI, à excepção da comunicação final, reservada a Passos Coelho que, obviamente, terá honras de “prime-time”.
Entretanto, o governo pela voz dos seus representantes, chama a atenção para a importância desta reforma e apela a todos os cidadãos para participarem e discutirem, pois dela depende o futuro do pais (!?). Mas, como, se nem sequer as propostas dos especialistas podem ser transmitidas?
Ouve-se, vê-se e não se acredita.
Contrariado por uma realidade que não se compadece com as previsões de Victor Gaspar e os elogios de instituições internacionais, apenas interessadas no pagamento dos juros aos credores, o governo lança mão de todos os estratagemas e mentiras para prolongar esta agonia que só pode conduzir o pais a um ponto de não retorno, com um inevitável pedido de um “segundo resgate”.
Provavelmente, é esta a sua real intenção: destruir as funções sociais do estado para liberalizar depois as suas principais funções e deixar ao glorioso “mercado” impor as suas leis.
Estamos pois, a aproximar-nos perigosamente da situação grega, onde os cidadãos sem possibilidade de pagar a electricidade, abatem árvores para fazerem fogueiras e, dessa forma, poderem aquecer-se. Talvez por isso, o gabinete do primeiro-ministro grego foi ontem alvo de um atentado a tiro, o segundo em poucos dias. Se a moda pega...
2013/01/13
Um euro
Está no ar há já algum tempo uma campanha do BES para atrair os mais novos à poupança. Para o efeito, os miúdos são convidados a abrir uma conta com 100 €. Cem euros. Em troca o pequeno aforrador recebe um mealheiro —concebido por uma estilista de nome sonante, de cujo significativo e diversificado empório comercial faz parte uma linha de vestuário para criança— e, contente, canta "Tostão a tostão vou juntar um dinheirão!" Por sua vez, o BES oferece, por cada conta aberta, 1 € à Cáritas "para ajudar os meninos que mais precisam."
Cristiano Ronaldo dá crédito à alforria perguntando, em jeito de remate, ao tenro aforrador potencial qualquer coisa como "E tu? Já tens o teu novo mealheiro...?"
O anúncio está, como disse, há tempo no ar sem ter provocado, que eu saiba, uma palavra de indignação a qualquer alma dessas pias e sensíveis que por aí pulula, uma dessas que seja mais dada a contas.
Na aritmética publicitária do BES, criança + tostão + dinheirão + porquinhos de la Prada = um euro para a Cáritas... E depois perguntam-me por que razão resmungo tanto.
Cristiano Ronaldo dá crédito à alforria perguntando, em jeito de remate, ao tenro aforrador potencial qualquer coisa como "E tu? Já tens o teu novo mealheiro...?"
O anúncio está, como disse, há tempo no ar sem ter provocado, que eu saiba, uma palavra de indignação a qualquer alma dessas pias e sensíveis que por aí pulula, uma dessas que seja mais dada a contas.
Na aritmética publicitária do BES, criança + tostão + dinheirão + porquinhos de la Prada = um euro para a Cáritas... E depois perguntam-me por que razão resmungo tanto.
2013/01/11
Portugal em 3D
Conta-se que, quando tiveram lugar as primeiras projecções públicas de cinema, os espectadores fugiam quando viam a imagem de um comboio aproximar-se no ecrã, em "direcção" à plateia. A pouco e pouco a habituação apagou o efeito de surpresa. Com o 3D dos anos 50 procurou-se de novo chocar o espectador. Hoje esta tecnologia, muito mais apurada, permite um efeito ainda mais realista.
Apesar das reacções, as imagens produzidas com a velha tecnologia não passavam de ilusão, mas também o era o 3D dos anos 50 e o poderoso 3D de hoje também não é a realidade. Em qualquer dos casos ilusão é o efeito que se pretende criar. Os Na'vi, de facto, não existem...
Com uma simples câmara movida a corda ou com um sofisticado sistema de objectivas duplas, digital, a filmar em alta resolução, o objectivo é sempre o mesmo: produzir um universo virtual que leve o espectador a criar a ilusão de que está mesmo lá dentro e lhe permite povoá-lo com as ficções que o autor induz.
Em Portugal vivemos neste momento em plena era 3D. O governo e os restantes agentes do poder (todos os agentes das diversas formas de poder!) não precisaram sequer de distribuir óculos especiais à população. Tenta-se fazer os Portugueses comer por bom um universo totalmente artificial, criado com perícia e eficácia é certo, mas que não deixa por isso de ser o que é: uma enorme, uma monumental pantominice.
Repare-se, por exemplo, nisto. Aqui há dias foi dito (e não foi desmentido por ninguém!) que o "negócio do resgate" a Portugal permitiu um rendimento de 57% aos investidores. Uma personalidade qualquer alemã (já não me lembro se do governo ou do BCE) chegou mesmo a confessar que a própria Alemanha tinha lucrado bastante com o tal "resgate". As notícias correram os blogs, as páginas do Facebook e foram "tweetadas" até à exaustão. Quando digo "negócio do resgate" refiro-me àquilo que Passos Coelho e o ministro Gaspar classificaram como uma inevitabilidade, o tal "custe o que custar" que obrigou Portugal inteiro a vergar-se à sua lógica e à sua tirania, provocando uma das maiores catástrofes sociais de que há memória em Portugal.
O negócio foi correndo de vento em popa, mas agora, a malta agita-se... As mentiras destes vigaristas, comissionistas locais da finança agiota que tenta tomar conta dos nossos destinos, são cada vez mais evidentes para o comum dos cidadãos, mesmo daqueles para quem a "política" é tabu. A leviandade e a má fé são cada vez mais evidentes e o cataclismo social está cada vez mais iminente. Passos Coelho perde manifestamente o pé. As comadres zangam-se, as fissuras começam a ver-se. O esquema liberal, neoliberal ou como lhe queiram chamar estala por todo o lado, apesaar dos retoques. O arranjinho está em perigo.
Os "mercados" decidem então desapertar a tarraxa e baixar a taxa de juro das "maturidades" (este jargão é impagável!) a 5 e 10 anos para valores semelhantes aos que tínhamos "no final de 2010". São as novidades de hoje.
Em breve (querem uma aposta?), Coelho virá à televisão ou aproveitará um momento em que lhe estendam pressurosamente os microfones e as câmaras para anunciar, sem contradita, que está mau mas estamos no caminho certo e que os "mercados" reconhecem o esforço de Portugal. E irá dizer que vamos finalmente poder reentrar nos "mercados", graças ao esforço feito. Serão estes "mercados" —onde não estamos, mas onde vamos poder reentrar— os mesmos que acham que estamos no bom caminho e que provocam a baixa do juro do mercado secundário? Ou serão os que lucraram 57% com o resgate português? Mistérios...
Este tipo de contradições multiplica-se ad nauseum. Não parece contraditório, por exemplo, o destino que está a ser dado a este resgate se tivermos em conta as razões que motivaram o seu pedido? Não parecem contraditórias as opções estratégicas tomadas face aos problemas estruturais de que o país padece, tão repetidamente apontados? Não parece contraditório apontar esses problemas, não tomar uma única medida para os solucionar e usar o "resgate" para continuar a promover as causas que levaram ao seu aparecimento?
Os deuses não sorriem a Passos Coelho e parece claro que são cada vez mais os que topam a mentira. O negócio parece pois estar em perigo. Há que, pensarão os mercados, dar alguma folga para não o perder. O governo esclarece-nos que é tudo consequência do nosso bom comportamento. Mas, a verdade é que tudo isto não passa de um escandaloso acto de prestidigitação, ao lado do qual aquele truque do desaparecimento do Boeing parece brincadeira de amadores.
Os portugueses olham atónitos e horrorizados para tudo isto. E muitos vêem um ministro exibir o bronze de Copacabana enquanto procuram a marmita há muito esquecida no fundo da despensa e recolhem cartão para fazer a cama.
Portugal. Em 3D. Sem óculos e sem vaselina.
Apesar das reacções, as imagens produzidas com a velha tecnologia não passavam de ilusão, mas também o era o 3D dos anos 50 e o poderoso 3D de hoje também não é a realidade. Em qualquer dos casos ilusão é o efeito que se pretende criar. Os Na'vi, de facto, não existem...
Com uma simples câmara movida a corda ou com um sofisticado sistema de objectivas duplas, digital, a filmar em alta resolução, o objectivo é sempre o mesmo: produzir um universo virtual que leve o espectador a criar a ilusão de que está mesmo lá dentro e lhe permite povoá-lo com as ficções que o autor induz.
Em Portugal vivemos neste momento em plena era 3D. O governo e os restantes agentes do poder (todos os agentes das diversas formas de poder!) não precisaram sequer de distribuir óculos especiais à população. Tenta-se fazer os Portugueses comer por bom um universo totalmente artificial, criado com perícia e eficácia é certo, mas que não deixa por isso de ser o que é: uma enorme, uma monumental pantominice.
Repare-se, por exemplo, nisto. Aqui há dias foi dito (e não foi desmentido por ninguém!) que o "negócio do resgate" a Portugal permitiu um rendimento de 57% aos investidores. Uma personalidade qualquer alemã (já não me lembro se do governo ou do BCE) chegou mesmo a confessar que a própria Alemanha tinha lucrado bastante com o tal "resgate". As notícias correram os blogs, as páginas do Facebook e foram "tweetadas" até à exaustão. Quando digo "negócio do resgate" refiro-me àquilo que Passos Coelho e o ministro Gaspar classificaram como uma inevitabilidade, o tal "custe o que custar" que obrigou Portugal inteiro a vergar-se à sua lógica e à sua tirania, provocando uma das maiores catástrofes sociais de que há memória em Portugal.
O negócio foi correndo de vento em popa, mas agora, a malta agita-se... As mentiras destes vigaristas, comissionistas locais da finança agiota que tenta tomar conta dos nossos destinos, são cada vez mais evidentes para o comum dos cidadãos, mesmo daqueles para quem a "política" é tabu. A leviandade e a má fé são cada vez mais evidentes e o cataclismo social está cada vez mais iminente. Passos Coelho perde manifestamente o pé. As comadres zangam-se, as fissuras começam a ver-se. O esquema liberal, neoliberal ou como lhe queiram chamar estala por todo o lado, apesaar dos retoques. O arranjinho está em perigo.
Os "mercados" decidem então desapertar a tarraxa e baixar a taxa de juro das "maturidades" (este jargão é impagável!) a 5 e 10 anos para valores semelhantes aos que tínhamos "no final de 2010". São as novidades de hoje.
Em breve (querem uma aposta?), Coelho virá à televisão ou aproveitará um momento em que lhe estendam pressurosamente os microfones e as câmaras para anunciar, sem contradita, que está mau mas estamos no caminho certo e que os "mercados" reconhecem o esforço de Portugal. E irá dizer que vamos finalmente poder reentrar nos "mercados", graças ao esforço feito. Serão estes "mercados" —onde não estamos, mas onde vamos poder reentrar— os mesmos que acham que estamos no bom caminho e que provocam a baixa do juro do mercado secundário? Ou serão os que lucraram 57% com o resgate português? Mistérios...
Este tipo de contradições multiplica-se ad nauseum. Não parece contraditório, por exemplo, o destino que está a ser dado a este resgate se tivermos em conta as razões que motivaram o seu pedido? Não parecem contraditórias as opções estratégicas tomadas face aos problemas estruturais de que o país padece, tão repetidamente apontados? Não parece contraditório apontar esses problemas, não tomar uma única medida para os solucionar e usar o "resgate" para continuar a promover as causas que levaram ao seu aparecimento?
Os deuses não sorriem a Passos Coelho e parece claro que são cada vez mais os que topam a mentira. O negócio parece pois estar em perigo. Há que, pensarão os mercados, dar alguma folga para não o perder. O governo esclarece-nos que é tudo consequência do nosso bom comportamento. Mas, a verdade é que tudo isto não passa de um escandaloso acto de prestidigitação, ao lado do qual aquele truque do desaparecimento do Boeing parece brincadeira de amadores.
Os portugueses olham atónitos e horrorizados para tudo isto. E muitos vêem um ministro exibir o bronze de Copacabana enquanto procuram a marmita há muito esquecida no fundo da despensa e recolhem cartão para fazer a cama.
Portugal. Em 3D. Sem óculos e sem vaselina.
2013/01/10
Here we go again...
Desenganem-se aqueles que pensam que a economia portuguesa vai voltar a crescer nos tempos mais próximos ou que haverá aumento de emprego por via de investimento feito no nosso pais, única forma de criar riqueza para sair da recessão actual.
Como se não bastassem as medidas de austeridade aplicadas no último ano e meio, que deixaram o cidadão comum a “pão e laranja”, veio ontem o governo anunciar mais um “pacote” de medidas de “ajustamento” (gosto desta palavra) sugeridas pela Troika. As sugestões são de tal modo gravosas que, a serem aplicadas, nos conduzirão à idade das trevas. Provavelmente, é esse o desejo do governo, ainda que não seja de descartar a hipótese de tudo isto não passar de um balão de ensaio para avaliar a reacção da população. Outra hipótese, é a coligação governamental estar a fazer um “tour de force” preparando desta forma uma “demissão honrosa”, caso o Tribunal Constitucional venha a chumbar o OE para 2013. A probabilidade de que, em seu lugar, surja um governo de inspiração presidencial (tecnocrático ou partidário), para prosseguir esta politica suicida, como foi tentado na Grécia (com Papademos) ou em Itália (com Monti), não deve tão pouco ser descartada, quando conhecemos o histórico do FMI em situações semelhantes.
Obviamente que, eleições antecipadas, poderiam, teoricamente, dar a possibilidade aos eleitores de se pronunciarem sobre a justeza e a lógica da actual austeridade. Poderia, inclusive, dar a vitória ao maior partido da oposição, o que não significa que este possa obter uma maioria confortável para governar e, eventualmente, renegociar as condições da “dívida soberana”. Essa força só poderia surgir de um governo de coligação que estivesse verdadeiramente interessado em defender os interesses de Portugal, sem se vergar ao “diktat” da Alemanha e do FMI, coisas que o actual PS não parece estar em condições de fazer, muito menos se não fizer uma aliança à esquerda.
Estamos pois, perante um dilema, para o qual não se vislumbram soluções fáceis ou de curto prazo, agora que a população foi de tal forma aterrorizada que parece aceitar todas as medidas impostas por este governo. Quando terminar o “ajustamento”, o pais não estará melhor, mas pior, como todos os índices o provam. Ora um pais pior, será um pais mais vulnerável e sujeito a pressões inaceitáveis por parte daqueles de quem dependemos: os credores e as instituições bancárias que nos financiam para pagarmos as dívidas aos primeiros. Um ciclo vicioso que, conduzirá a mais recessão e a um eventual segundo resgate para pôr as contas em dia...Mas, alguém acredita ser esta é a receita para sair desta crise? Obviamente que não e, mesmo dentro da coligação, as primeiras fissuras são já visíveis. Provavelmente, vamos assistir a mais vozes discordantes, vindas agora de notáveis de ambos os partidos, o que pode originar uma nova realidade: a da implosão do governo, provocada pela insatisfação dos seus próprios membros. Que seja amanhã!
Como se não bastassem as medidas de austeridade aplicadas no último ano e meio, que deixaram o cidadão comum a “pão e laranja”, veio ontem o governo anunciar mais um “pacote” de medidas de “ajustamento” (gosto desta palavra) sugeridas pela Troika. As sugestões são de tal modo gravosas que, a serem aplicadas, nos conduzirão à idade das trevas. Provavelmente, é esse o desejo do governo, ainda que não seja de descartar a hipótese de tudo isto não passar de um balão de ensaio para avaliar a reacção da população. Outra hipótese, é a coligação governamental estar a fazer um “tour de force” preparando desta forma uma “demissão honrosa”, caso o Tribunal Constitucional venha a chumbar o OE para 2013. A probabilidade de que, em seu lugar, surja um governo de inspiração presidencial (tecnocrático ou partidário), para prosseguir esta politica suicida, como foi tentado na Grécia (com Papademos) ou em Itália (com Monti), não deve tão pouco ser descartada, quando conhecemos o histórico do FMI em situações semelhantes.
Obviamente que, eleições antecipadas, poderiam, teoricamente, dar a possibilidade aos eleitores de se pronunciarem sobre a justeza e a lógica da actual austeridade. Poderia, inclusive, dar a vitória ao maior partido da oposição, o que não significa que este possa obter uma maioria confortável para governar e, eventualmente, renegociar as condições da “dívida soberana”. Essa força só poderia surgir de um governo de coligação que estivesse verdadeiramente interessado em defender os interesses de Portugal, sem se vergar ao “diktat” da Alemanha e do FMI, coisas que o actual PS não parece estar em condições de fazer, muito menos se não fizer uma aliança à esquerda.
Estamos pois, perante um dilema, para o qual não se vislumbram soluções fáceis ou de curto prazo, agora que a população foi de tal forma aterrorizada que parece aceitar todas as medidas impostas por este governo. Quando terminar o “ajustamento”, o pais não estará melhor, mas pior, como todos os índices o provam. Ora um pais pior, será um pais mais vulnerável e sujeito a pressões inaceitáveis por parte daqueles de quem dependemos: os credores e as instituições bancárias que nos financiam para pagarmos as dívidas aos primeiros. Um ciclo vicioso que, conduzirá a mais recessão e a um eventual segundo resgate para pôr as contas em dia...Mas, alguém acredita ser esta é a receita para sair desta crise? Obviamente que não e, mesmo dentro da coligação, as primeiras fissuras são já visíveis. Provavelmente, vamos assistir a mais vozes discordantes, vindas agora de notáveis de ambos os partidos, o que pode originar uma nova realidade: a da implosão do governo, provocada pela insatisfação dos seus próprios membros. Que seja amanhã!
2013/01/04
As boas almas comovem-me
Curioso ver as boas almas da política portuguesa virem agora lançar apelos angustiados sobre o perigo de o TC ser transformado num órgão "político". Chega a ser comovedor ouvi-los!
Esquecem-se que o TC "fez" política quando infelizmente produziu o meio acórdão de Junho do ano passado. Nessa altura estas almas emudeceram.
Se no ano passado o TC tivesse obrigado o governo a cumprir totalmente a Lei nº 1 tínhamos evitado estes meses de massacre coelheiro e a Constituição não tinha sido desrespeitda...
Isso sim, foi um mau serviço, é um mau princípio, um péssimo exemplo e um perigosíssimo precendente.
Em democracia não há nada a temer da judicialização da política, mas sim da politização da justiça!
Esquecem-se que o TC "fez" política quando infelizmente produziu o meio acórdão de Junho do ano passado. Nessa altura estas almas emudeceram.
Se no ano passado o TC tivesse obrigado o governo a cumprir totalmente a Lei nº 1 tínhamos evitado estes meses de massacre coelheiro e a Constituição não tinha sido desrespeitda...
Isso sim, foi um mau serviço, é um mau princípio, um péssimo exemplo e um perigosíssimo precendente.
Em democracia não há nada a temer da judicialização da política, mas sim da politização da justiça!
2012/12/31
Entre Belém e Copacabana, venha o diabo e escolha
No final de mais um ano, há sinais que não enganam.
O primeiro e mais significativo é, sem dúvida, a aprovação do Orçamento de Estado por essa figura que ainda dá pelo nome de presidente da república. Não que se esperasse outra coisa, mas determinados actos dizem mais dos seus autores de que tudo que sobre eles se possa escrever. Com o pífio argumento de que “mais vale um orçamento mau do que não ter orçamento” (não vão os “mercados” desconfiar...), o inquilino de Belém manteve o pais num patético “suspense”, para acabar por fazer o que sempre desejou: o frete ao governo que legitima, apesar de todos os sinais nos dizerem que esta politica é profundamente errada e este orçamento impraticável.
O segundo sinal, não menos simbólico, foi a ida em bando (os “good fellas” nunca andam sozinhos) de Miguel Relvas, Dias Loureiro e José Luís Arnaud, para o Rio de Janeiro onde, alojados no Copacabana Palace, vão assistir à passagem do ano. Certamente de consciência tranquila, após as lucrativas operações comerciais em que estiveram envolvidos (ANA, BPN e REN), os “rapazes bons” não deixarão de beber o merecido “champagne” na cidade maravilhosa.
É esta a “família” que nos governa e se governa. Foi assim durante o ano que hoje acaba e é assim há muitos anos. Provavelmente, continuará por muito mais tempo, pois, a acreditar na profecia, “a tradição ainda é o que era”. Ou não?
O primeiro e mais significativo é, sem dúvida, a aprovação do Orçamento de Estado por essa figura que ainda dá pelo nome de presidente da república. Não que se esperasse outra coisa, mas determinados actos dizem mais dos seus autores de que tudo que sobre eles se possa escrever. Com o pífio argumento de que “mais vale um orçamento mau do que não ter orçamento” (não vão os “mercados” desconfiar...), o inquilino de Belém manteve o pais num patético “suspense”, para acabar por fazer o que sempre desejou: o frete ao governo que legitima, apesar de todos os sinais nos dizerem que esta politica é profundamente errada e este orçamento impraticável.
O segundo sinal, não menos simbólico, foi a ida em bando (os “good fellas” nunca andam sozinhos) de Miguel Relvas, Dias Loureiro e José Luís Arnaud, para o Rio de Janeiro onde, alojados no Copacabana Palace, vão assistir à passagem do ano. Certamente de consciência tranquila, após as lucrativas operações comerciais em que estiveram envolvidos (ANA, BPN e REN), os “rapazes bons” não deixarão de beber o merecido “champagne” na cidade maravilhosa.
É esta a “família” que nos governa e se governa. Foi assim durante o ano que hoje acaba e é assim há muitos anos. Provavelmente, continuará por muito mais tempo, pois, a acreditar na profecia, “a tradição ainda é o que era”. Ou não?
Subscrever:
Mensagens (Atom)










