O governo insiste no prosseguimento das obras faraónicas que estavam planeadas: TGV, aeroporto, auto-estradas, terceira travessia do Tejo, etc. É uma posição reveladora de um voluntarismo totalmente irresponsável.
A oposição em bloco, rejeita. O PR aconselha a "reponderar". O governo, como disse, coerentemente insiste, embora se perceba que a questão também não deve ser ser consensual e pode abrir brechas na muralha socrática.
A verdade é que, à semelhança do que se passa com questões como a avaliação do impacto orçamental da redução do subsídio do desemprego, o governo deve conhecer tanto do impacto destas obras, como um burro sabe tocar lira (*).
Na dúvida, pensa o governo, é preferível a fuga para a frente.
O que já não parece, de todo, correcto é que a oposição e o PR não levem a sua crítica até às últimas consequências. E, assim, as razões da sua discordância morrem com essa inconsequência. Porque se limitam a criticar se podem, afinal, agir em função dessa crítica? Estamos ou não estamos a falar de coisas sérias? Estas obras vão ou não vão de facto deixar-nos ainda mais de tanga por muito tempo?
Se as obras são boas o governo tem razão, mas se as obras são más e o governo teima em executá-las vão deixar?! Serão co-responsáveis inevitavelmente.
Se é criticável que, no quadro de restrições orçamentais actuais, o governo decida reiteradamente avançar com obras cujo benefício suscita dúvidas, penso que ainda é mais criticável que a oposição, por um lado e o PR, por outro, manifestem publica e veementemente essas dúvidas, critiquem esta estratégia e não levem a sua crítica até ao extremo da sua acção. Parece a velha história do "agarrem-me senão eu mato-o"!
O governo propiciou aqui um confronto real de posições que conduz a uma oportunidade única para os partidos da oposição e o PR exercerem de forma coerente as suas prerrogativas. Mais retórica é que não!
(*) Como dizia a Morte do Lavrador da Boémia.
2010/05/01
Indústrias criativas
Estamos a viver uma situação verdadeiramente sui generis em Portugal. O governo quer fazer o que quer. Tem a legitimidade governativa para o fazer. Mas a oposição não quer que o governo faça o que quer. Quer que o governo faça o que ela quer. Mas sem a legitimidade governativa. Embora com outra legitimidade para assim proceder, por ser maioria. O governo divide-se. Uma parte anuncia que quer fazer o que quer. Outra parte anuncia que quer fazer o que a oposição quer. Assim, a oposição faz o que quer, sem querer e sem ter legitimidade para o fazer, e o governo faz de oposição a si próprio já que vemos a oposição a limitar-se a querer fazer de governo. Sem poder.
Nem tudo o que o governo quer e faz, nem tudo o que a oposição quer ou pode fazer, porém, interessam minimamente ao País.
Mas governo, oposição, presidente da república, presidente do supremo, procuradores, procurados e demais individualidades, excelências, lá teimam em ir fazendo o que querem e o que não devem. Sem pudor.
O País vai assistindo a tudo isto, atónito e exaurido, com os seus horizontes cada vez mais acanhados. Iminentemente teso, vai ouvindo dizer que cada português deve não sei quantos milhões ao estrangeiro. Iminentemente aterrado, vai assistindo aos "ataques" dos "mercados" --que fazem o que querem e querem o que fazem, com ou sem legitimidade, pouco importa. Iminentemente incrédulo, vai ouvindo falar, de uma crise sem precedentes e de uma situação excepcional, que requer medidas excepcionais.
O País ouve falar da crise, observa a proeminente curva abdominal dos seus anafados arautos, repara no anel brilhante que reluz nos seus dedos, olha para a sua própria barriga encolhida, para os seus dedos desanelados, e deduz, com sabedoria, que a excepção das medidas excepcionais vai pesar sobre as costas dos clientes habituais.
Enquanto, olha para tudo isto, teso, aterrado e incrédulo, o País vai vendo o desfile carnavalesco das inacreditáveis comissões de inquérito e suas inúteis inquirições. Vai-se dando conta de que a máquina de produção de escândalos os cospe a uma cadência incomensuravelmente maior do que a capacidade das ditas comissões para os investigar. Vai-se dando conta de que a máquina judiciária não pode nisto ajudar porque gripou. Vai olhando para os gestores da massa falida pagos a peso de ouro, que conduzem grandes carros puxados por juntas de boys. Vai ouvindo falar das viagens da Medeiros e das incríveis justificações inventadas para as pagar. Vai ouvindo falar de uns submarinos que assentam que nem luvas nos desígnios de não se sabe bem ainda quem, embora se suspeite. Submarinos que, à falta de batalha naval, serão preciosos --as excelências têm disso a certeza-- para vigiar um mar cuja exploração o senhor presidente da república acha que pode no futuro --quando os submarinos já estiverem, quiçá, a precisar de peças novas-- ajudar a evitar que a economia meta ainda mais água. O País vai sendo seduzido, tele-guiado, conduzido a aceitar uns megaprojectos absurdos, de méritos e propósitos duvidosos ou mesmo estruturantemente inúteis. Projectos que lhe são enfiados pela goela abaixo, à força e sem dó, e lhe custarão um dinheirão, que o País não tem, mas que as agências de rating vão cuidando que lhe saia a um preço que os grandes especuladores farão o favor, sem preço, de o obrigar a pagar. Se não pagarem desce-lhe o rating para ter de pagar mais! Assim o País já tem objectivos pelos quais pode lutar. Luta para pagar o preço dos olhos da cara que tudo isto lhe vai custar, pelos séculos dos séculos que aí hão-de vir, amen, amen!, que o País vai afinal poder parar porque o Papa vai cá estar e que jeito que vai dar.
Certamente por tudo isto se fala hoje tanto --e mais uma vez com a ajuda preciosa do senhor presidente da república-- de "indústrias criativas."
Porque tudo o que aqui se passa hoje, em matéria de orientação e actuação política, é de facto o produto de uma pujante, dinâmica, eficiente e nunca como hoje tão espantosamente delirante, indústria criativa. Qual música, qual pintura, qual literatura, qual teatro! A criatividade mudou-se hoje para a política. De S. Bento a Belém está estendida uma linha de montagem que cria fa(c)tos às riscas, à medida destes artistas, moda radical com casaco de banda larga, gravata bordada a ponto-crise e PEC à tiracolo.
A pachorra para aturar tudo isto é que já há muito se esgotou. Trata-se de uma linha de montagem cujo turno era urgente substituir.
Nem tudo o que o governo quer e faz, nem tudo o que a oposição quer ou pode fazer, porém, interessam minimamente ao País.
Mas governo, oposição, presidente da república, presidente do supremo, procuradores, procurados e demais individualidades, excelências, lá teimam em ir fazendo o que querem e o que não devem. Sem pudor.
O País vai assistindo a tudo isto, atónito e exaurido, com os seus horizontes cada vez mais acanhados. Iminentemente teso, vai ouvindo dizer que cada português deve não sei quantos milhões ao estrangeiro. Iminentemente aterrado, vai assistindo aos "ataques" dos "mercados" --que fazem o que querem e querem o que fazem, com ou sem legitimidade, pouco importa. Iminentemente incrédulo, vai ouvindo falar, de uma crise sem precedentes e de uma situação excepcional, que requer medidas excepcionais.
O País ouve falar da crise, observa a proeminente curva abdominal dos seus anafados arautos, repara no anel brilhante que reluz nos seus dedos, olha para a sua própria barriga encolhida, para os seus dedos desanelados, e deduz, com sabedoria, que a excepção das medidas excepcionais vai pesar sobre as costas dos clientes habituais.
Enquanto, olha para tudo isto, teso, aterrado e incrédulo, o País vai vendo o desfile carnavalesco das inacreditáveis comissões de inquérito e suas inúteis inquirições. Vai-se dando conta de que a máquina de produção de escândalos os cospe a uma cadência incomensuravelmente maior do que a capacidade das ditas comissões para os investigar. Vai-se dando conta de que a máquina judiciária não pode nisto ajudar porque gripou. Vai olhando para os gestores da massa falida pagos a peso de ouro, que conduzem grandes carros puxados por juntas de boys. Vai ouvindo falar das viagens da Medeiros e das incríveis justificações inventadas para as pagar. Vai ouvindo falar de uns submarinos que assentam que nem luvas nos desígnios de não se sabe bem ainda quem, embora se suspeite. Submarinos que, à falta de batalha naval, serão preciosos --as excelências têm disso a certeza-- para vigiar um mar cuja exploração o senhor presidente da república acha que pode no futuro --quando os submarinos já estiverem, quiçá, a precisar de peças novas-- ajudar a evitar que a economia meta ainda mais água. O País vai sendo seduzido, tele-guiado, conduzido a aceitar uns megaprojectos absurdos, de méritos e propósitos duvidosos ou mesmo estruturantemente inúteis. Projectos que lhe são enfiados pela goela abaixo, à força e sem dó, e lhe custarão um dinheirão, que o País não tem, mas que as agências de rating vão cuidando que lhe saia a um preço que os grandes especuladores farão o favor, sem preço, de o obrigar a pagar. Se não pagarem desce-lhe o rating para ter de pagar mais! Assim o País já tem objectivos pelos quais pode lutar. Luta para pagar o preço dos olhos da cara que tudo isto lhe vai custar, pelos séculos dos séculos que aí hão-de vir, amen, amen!, que o País vai afinal poder parar porque o Papa vai cá estar e que jeito que vai dar.
Certamente por tudo isto se fala hoje tanto --e mais uma vez com a ajuda preciosa do senhor presidente da república-- de "indústrias criativas."
Porque tudo o que aqui se passa hoje, em matéria de orientação e actuação política, é de facto o produto de uma pujante, dinâmica, eficiente e nunca como hoje tão espantosamente delirante, indústria criativa. Qual música, qual pintura, qual literatura, qual teatro! A criatividade mudou-se hoje para a política. De S. Bento a Belém está estendida uma linha de montagem que cria fa(c)tos às riscas, à medida destes artistas, moda radical com casaco de banda larga, gravata bordada a ponto-crise e PEC à tiracolo.
A pachorra para aturar tudo isto é que já há muito se esgotou. Trata-se de uma linha de montagem cujo turno era urgente substituir.
2010/04/29
Tão amigos que eles são...
A reunião de S. Bento, entre os líderes dos partidos responsáveis pelo estado a que isto tudo chegou, trouxe - como era previsível - mais do mesmo: uma mão cheia de nada.
Não foram anunciadas quaisquer medidas de fundo, destinadas a conter o actual descalabro financeiro em que se encontra o país; não foi anunciada qualquer redução nas despesas com as obras faraónicas anunciadas; não foi pedida qualquer contenção salarial a administradores do estado, políticos no activo ou funcionários com mordomias acima de qualquer relação com a realidade; não foram anunciadas quaisquer tributações fiscais especiais aos bancos, especuladores ou capitais colocados em "off-shores".
Ao contrário, as únicas medidas explicitamente anunciadas, foram as reduções nas prestações sociais. A partir de agora, quem estiver desempregado, não poderá receber mais do que 75% do último salário líquido recebido. Para não se habituar a estar desempregado, dizem-nos...
Por alguma razão, o "pai da democracia" já veio apadrinhar este acordo do bloco central de interesses e a reafirmar o seu apreço pelo líder da oposição "que é suficientemente inteligente para não querer agora o poder, mas que soube compreender o difícil momento que atravessa a nação".
Uns queridos, estes "padrinhos".
Não foram anunciadas quaisquer medidas de fundo, destinadas a conter o actual descalabro financeiro em que se encontra o país; não foi anunciada qualquer redução nas despesas com as obras faraónicas anunciadas; não foi pedida qualquer contenção salarial a administradores do estado, políticos no activo ou funcionários com mordomias acima de qualquer relação com a realidade; não foram anunciadas quaisquer tributações fiscais especiais aos bancos, especuladores ou capitais colocados em "off-shores".
Ao contrário, as únicas medidas explicitamente anunciadas, foram as reduções nas prestações sociais. A partir de agora, quem estiver desempregado, não poderá receber mais do que 75% do último salário líquido recebido. Para não se habituar a estar desempregado, dizem-nos...
Por alguma razão, o "pai da democracia" já veio apadrinhar este acordo do bloco central de interesses e a reafirmar o seu apreço pelo líder da oposição "que é suficientemente inteligente para não querer agora o poder, mas que soube compreender o difícil momento que atravessa a nação".
Uns queridos, estes "padrinhos".
2010/04/27
Estão todos bem uns para os outros
A Standard & Poor’s (que raio de nome para uma agência que lida com questões da alta finança...) acaba de baixar ainda mais a classificação da dívida grega e portuguesa. O NYT fala num "receio de que a crise da dívida pública na Europa tenha entrado numa espiral de descontrolo."
O NYT dizia noutro ponto que este abaixamento do rating da Grécia e de Portugal "chega no fim de outro dia mau para a zona euro." Um cenário que vai sendo montado a pouco e pouco para justificar as reacções dos "mercados" que todos parecem obedientemente esperar.
Mesmo que não estivesse numa "espiral de descontrolo", instituições criminosas com a S&P velam para que isso aconteça e assim, quem está em dificuldades, vê as dificuldades aumentar porque o dinheiro fica mais caro. São coisas que os "pensadores" da economia do século XXI e instituições como a S&P hão-de ter de me explicar: como é que a solução para as dificuldades de uma economia é aumentar-lhe as dificuldades...? E, como é que é possível justificar e aceitar que os "mercados" destruam... o mercado?
Enquanto isso, o governo alemão continua a "brincar com o fogo," como refere Isabel Arriaga e Cunha no Público de hoje. Numa manifestação de senso de humor como não se lhe via desde a década de 40 do século passado, o governo alemão parece estar a fazer depender a sua resposta ao problema que a zona euro enfrenta da sua estratégia para umas eleições internas, enquanto, inexplicavelmente, vem protelando ou boicotando a tomada de medidas para uma "maior vigilância da situação económica e orçamental dos membros do euro," como refere ainda Isabel Arriaga e Cunha.
Os "mercados" aproveitam para actuar e vão tratando de escaqueirar o euro. É bem feita! Mas, o que é que a Alemanha ganha com tudo isto?!
O NYT dizia noutro ponto que este abaixamento do rating da Grécia e de Portugal "chega no fim de outro dia mau para a zona euro." Um cenário que vai sendo montado a pouco e pouco para justificar as reacções dos "mercados" que todos parecem obedientemente esperar.
Mesmo que não estivesse numa "espiral de descontrolo", instituições criminosas com a S&P velam para que isso aconteça e assim, quem está em dificuldades, vê as dificuldades aumentar porque o dinheiro fica mais caro. São coisas que os "pensadores" da economia do século XXI e instituições como a S&P hão-de ter de me explicar: como é que a solução para as dificuldades de uma economia é aumentar-lhe as dificuldades...? E, como é que é possível justificar e aceitar que os "mercados" destruam... o mercado?
Enquanto isso, o governo alemão continua a "brincar com o fogo," como refere Isabel Arriaga e Cunha no Público de hoje. Numa manifestação de senso de humor como não se lhe via desde a década de 40 do século passado, o governo alemão parece estar a fazer depender a sua resposta ao problema que a zona euro enfrenta da sua estratégia para umas eleições internas, enquanto, inexplicavelmente, vem protelando ou boicotando a tomada de medidas para uma "maior vigilância da situação económica e orçamental dos membros do euro," como refere ainda Isabel Arriaga e Cunha.
Os "mercados" aproveitam para actuar e vão tratando de escaqueirar o euro. É bem feita! Mas, o que é que a Alemanha ganha com tudo isto?!
Os extraterrestres já aí estão
O professor Stephen Hawking acha que os seres extraterrrestres existem quase certamente e que admitir a sua existência é uma coisa perfeitamente racional. Paul Davies no seu livro“The Eerie Silence: Renewing Our Search for Alien Intelligence,” cita J. B. S. Haldane, que adverte que “o universo não é só mais estranho do que nós supomos, mas ainda mais estranho do que nós conseguimos supôr." Davies acha que a eventual vida extraterrestre será quase certamente pós-biológica e que deveríamos tentar procurar sinais de inteligência, não a inteligência "biológica", mas a real, aquela inteligência "poderosa, superior e imortal que é característica do universo das máquinas."
Concordo parcialmente.
Há uma evidência clara de que os seres extraterrestres existem, sim. E encontramo-los em Portugal. Estão cá e em força. As zonas de S. Bento, Belém, Terreiro do Paço, etc, etc, etc, estão cheias deles... Têm vindo a reunir-se, não sei se viram, na AR, onde dizem coisas. Ao contrário do que a gente pensava, não são verdes, nem anões com gandes cabeças e não têm antenas em vez de orelhas. Vestem fatos de bom corte, alguns preferem tirar a gravata para dar um ar mais informal à coisa. Usam sapatos. Fazem jogging e aparentam traços humanos, quando, usando os nossos veículos em vez dos seus discos voadores para disfarçar, se deslocam a outros pontos do planeta. Controlam ou tentam controlar tudo. Alguns foram apanhados pelo Grande Telescópio em grandes poses e conversas uns com os outros, mas dizem que as partículas detectadas não passavam de poeira sideral.
Mas, chamar a isto inteligência é fazer de nós burros e isso, desculpem, não aceito!
Concordo parcialmente.
Há uma evidência clara de que os seres extraterrestres existem, sim. E encontramo-los em Portugal. Estão cá e em força. As zonas de S. Bento, Belém, Terreiro do Paço, etc, etc, etc, estão cheias deles... Têm vindo a reunir-se, não sei se viram, na AR, onde dizem coisas. Ao contrário do que a gente pensava, não são verdes, nem anões com gandes cabeças e não têm antenas em vez de orelhas. Vestem fatos de bom corte, alguns preferem tirar a gravata para dar um ar mais informal à coisa. Usam sapatos. Fazem jogging e aparentam traços humanos, quando, usando os nossos veículos em vez dos seus discos voadores para disfarçar, se deslocam a outros pontos do planeta. Controlam ou tentam controlar tudo. Alguns foram apanhados pelo Grande Telescópio em grandes poses e conversas uns com os outros, mas dizem que as partículas detectadas não passavam de poeira sideral.
Mas, chamar a isto inteligência é fazer de nós burros e isso, desculpem, não aceito!
2010/04/25
2010/04/23
A agenda de Soares
Em entrevista, a passar hoje numa rádio nacional, o venerando Mário Soares aborda algumas das questões em debate na sociedade portuguesa. Entre as inúmeras pérolas escutadas, algumas são mesmo preciosas. Por exemplo, aquela onde ele diz que se fosse primeiro-ministro nunca iria a uma Comissão de Inquérito (com o argumento de que o prestígio do cargo deve ser defendido). Ou, outra, onde concorda que Manuel Alegre faz parte da família socialista (ainda que diga coisas muitas duras sobre o PS) e que, nas próximas eleições, ele votará naquele que considerar o melhor candidato...
"En passant", não deixa de considerar que este PS é o melhor garante do regime democrático (!?), de elogiar Passos Coelho (pela sua inteligência) e lá voltou a dizer que a Europa não tem líderes. Também reconheceu que a sociedade portuguesa tem cada vez mais desigualdades (porque será?) e que o futuro da sociedade só pode ser o socialismo...
Há muito tempo que Soares não é para levar a sério e, como os iogurtes, também já passou o seu prazo de validade. Acontece que estas figuras, que alguns apelidam de "pais da democracia", crêem poder continuar a influenciar "ad eternum" o curso dos acontecimentos e a comportarem-se como se o país fosse uma coutada pessoal.
Soares não se lembrou de Bill Clinton ou Tony Blair, chefes de governos de democracias consolidadas que, ainda não há muito tempo, tiveram de responder em Comissões de Inquérito Parlamentares nos respectivos países.
Sobre Alegre (goste-se ou não do político) foi um dos poucos membros do PS que ousou criticar a política neo-liberal de Sócrates e, nesse sentido, estar à esquerda da actual direcção do PS. Isto para não falar do estafado argumento de que não há líderes europeus como no seu tempo...
Percebe-se o incómodo: Soares sempre gostou de estar no centro das atenções e nunca perdoou as humilhantes derrotas para a Presidência do Parlamento Europeu ou, mais recentemente, a das últimas eleições presidenciais. Desde então, tudo tem feito para evitar que o PS apoie a candidatura daquele que o derrotou de forma inequívoca.
O seu comportamento revela, afinal, aquilo que sempre foi: um "egotripper", para quem o país está subordinado aos interesses do partido que fundou, enquanto mantém uma agenda paralela de influências, através das quais procura destabilizar as opiniões daqueles que o afrontam.
O "pai da democracia" tornou-se um personagem patético.
"En passant", não deixa de considerar que este PS é o melhor garante do regime democrático (!?), de elogiar Passos Coelho (pela sua inteligência) e lá voltou a dizer que a Europa não tem líderes. Também reconheceu que a sociedade portuguesa tem cada vez mais desigualdades (porque será?) e que o futuro da sociedade só pode ser o socialismo...
Há muito tempo que Soares não é para levar a sério e, como os iogurtes, também já passou o seu prazo de validade. Acontece que estas figuras, que alguns apelidam de "pais da democracia", crêem poder continuar a influenciar "ad eternum" o curso dos acontecimentos e a comportarem-se como se o país fosse uma coutada pessoal.
Soares não se lembrou de Bill Clinton ou Tony Blair, chefes de governos de democracias consolidadas que, ainda não há muito tempo, tiveram de responder em Comissões de Inquérito Parlamentares nos respectivos países.
Sobre Alegre (goste-se ou não do político) foi um dos poucos membros do PS que ousou criticar a política neo-liberal de Sócrates e, nesse sentido, estar à esquerda da actual direcção do PS. Isto para não falar do estafado argumento de que não há líderes europeus como no seu tempo...
Percebe-se o incómodo: Soares sempre gostou de estar no centro das atenções e nunca perdoou as humilhantes derrotas para a Presidência do Parlamento Europeu ou, mais recentemente, a das últimas eleições presidenciais. Desde então, tudo tem feito para evitar que o PS apoie a candidatura daquele que o derrotou de forma inequívoca.
O seu comportamento revela, afinal, aquilo que sempre foi: um "egotripper", para quem o país está subordinado aos interesses do partido que fundou, enquanto mantém uma agenda paralela de influências, através das quais procura destabilizar as opiniões daqueles que o afrontam.
O "pai da democracia" tornou-se um personagem patético.
Da justiça na República da Pera Rocha
Ironicamente, no mesmo dia em que a Assembleia da República discutia as propostas-lei do combate à corrupção apresentadas pelos partidos à esquerda do hemiciclo, um juíz do Tribunal da Relação de Lisboa ilibava Domingos Névoa da tentativa de corrupção sobre um vereador da Câmara de Lisboa. Lembremos que Névoa, presidente da BragaParques, foi apanhado em pleno acto de corrupção activa pelo advogado Ricardo Sá Fernandes, a quem ofereceu 200.000euros para que o irmão deste (José Sá Fernandes) deixasse de interferir no negócio dos terrenos da Feira Popular.
Este acórdão, que não é passível de recurso, abre um precedente gravíssimo na já de si débil credibilidade da justiça portuguesa e confirma o que sempre se soube: Portugal é um país de corruptos e a justiça é cumplice desta bagunça geral.
Moral desta (triste) história: tivesse Sá Fernandes aceite os duzentos mil euros e nada disto se sabia. Estão a ver como a vida pode ser fácil? Deixem-se corromper que o crime compensa, é a mensagem.
Este acórdão, que não é passível de recurso, abre um precedente gravíssimo na já de si débil credibilidade da justiça portuguesa e confirma o que sempre se soube: Portugal é um país de corruptos e a justiça é cumplice desta bagunça geral.
Moral desta (triste) história: tivesse Sá Fernandes aceite os duzentos mil euros e nada disto se sabia. Estão a ver como a vida pode ser fácil? Deixem-se corromper que o crime compensa, é a mensagem.
2010/04/22
O "Brunch" (2)
Rui Pedro Soares, o "boy" do PS na administração da PT e do Taguspark, implicado na tentativa de compra da TVI pela PT, recusou-se hoje a prestar depoimentos na Comissão de Inquérito da AR criada para averiguar este caso.
Ao recusar testemunhar - refugiando-se na argumentação genérica do silêncio ao qual disse ter direito - perante uma Comissão com a qual se dispôs a colaborar, Pedro Soares incorre num processo por desobediência civil e a ser condenado por essa atitude. Isto sem saber sequer quais as perguntas a que iria ter de responder na Comissão.
Pior, este procedimento abre um precedente grave e põe em risco trabalhos futuros desta ou qualquer outra Comissão de Inquérito criada para efeitos similares.
Vergonhosa, foi igualmente a posição dos representantes do PS em todo este processo, ao recusarem condenar a atitude de Pedro Soares e a absterem-se na votação final que aprovou uma condenação e nova chamada ao Parlamento do ex-administrador do Taguspark. Sai mais um "brunch" matinal para a mesa do canto!
Ao recusar testemunhar - refugiando-se na argumentação genérica do silêncio ao qual disse ter direito - perante uma Comissão com a qual se dispôs a colaborar, Pedro Soares incorre num processo por desobediência civil e a ser condenado por essa atitude. Isto sem saber sequer quais as perguntas a que iria ter de responder na Comissão.
Pior, este procedimento abre um precedente grave e põe em risco trabalhos futuros desta ou qualquer outra Comissão de Inquérito criada para efeitos similares.
Vergonhosa, foi igualmente a posição dos representantes do PS em todo este processo, ao recusarem condenar a atitude de Pedro Soares e a absterem-se na votação final que aprovou uma condenação e nova chamada ao Parlamento do ex-administrador do Taguspark. Sai mais um "brunch" matinal para a mesa do canto!
2010/04/21
"As alterações climáticas não são a causa, mas o efeito do sistema capitalista"
Decorre até amanhã, em Cochabamba, na Bolívia, a "Conferência Mundial dos Povos sobre as Alterações Climatéricas e os Direitos da Mãe Terra". Cochabamba é o local daquilo que foi designado como a primeira "rebelião do século XXI", a chamada "Guerra da Água", contra a privatização do sistema público de fornecimento de água da cidade.
Passados 10 anos é este o local onde 15 000 pessoas de 120 países, entre "aqueles que já sofrem com o aquecimento global", se reunem para "expressarem as suas opiniões" e "dar aos pobres e ao Sul a oportunidade de responder às conversações falhadas que tiveram lugar em Copenhaga", onde, como se lê no programa da conferência, "as nações erradamente consideradas 'desenvolvidas' demonstraram a sua enorme irresponsabilidade e a sua real falta de compromisso para lidar com o problema (das alterações climáticas)."
A conferência vai incluir debates sobre a "dívida ecológica" dos países do Norte, e serão apresentadas propostas para a criação de um tribunal de justiça climático e para a realização de um referendo mundial sobre estratégias de preservação do planeta.
O facto de os povos do Sul tomarem nas suas mãos esta iniciativa parece suscitar reacções nervosas por parte de alguns responsáveis, certamente porque o programa define, sem "rodriguinhos" de linguagem, como causas das alterações ambientais, não um "problema ambiental, tecnológico ou mesmo financeiro, mas antes o modelo de vida, o modelo ocidental, e a ambição e cobiça capitalista."
Os olhos estão pois postos em Cochabamba.
(Foto: infelizmente desconheço a sua origem.)
Passados 10 anos é este o local onde 15 000 pessoas de 120 países, entre "aqueles que já sofrem com o aquecimento global", se reunem para "expressarem as suas opiniões" e "dar aos pobres e ao Sul a oportunidade de responder às conversações falhadas que tiveram lugar em Copenhaga", onde, como se lê no programa da conferência, "as nações erradamente consideradas 'desenvolvidas' demonstraram a sua enorme irresponsabilidade e a sua real falta de compromisso para lidar com o problema (das alterações climáticas)."
A conferência vai incluir debates sobre a "dívida ecológica" dos países do Norte, e serão apresentadas propostas para a criação de um tribunal de justiça climático e para a realização de um referendo mundial sobre estratégias de preservação do planeta.
O facto de os povos do Sul tomarem nas suas mãos esta iniciativa parece suscitar reacções nervosas por parte de alguns responsáveis, certamente porque o programa define, sem "rodriguinhos" de linguagem, como causas das alterações ambientais, não um "problema ambiental, tecnológico ou mesmo financeiro, mas antes o modelo de vida, o modelo ocidental, e a ambição e cobiça capitalista."
Os olhos estão pois postos em Cochabamba.
(Foto: infelizmente desconheço a sua origem.)
O "Brunch"
A fim de dissipar quaisquer dúvidas relativamente às suas declarações, o advogado (ou será jurista?) Paulo Penedos dizia hoje na Comissão de Inquérito, onde foi chamado a depôr, que só responderia àquilo que o seu sigilo profissional permitisse. Declarações que, de resto, já tinha proferido aquando da sua passagem pela Comissão de Ética há dois meses atrás.
Perante tal desconchavo, alguém lhe chamou a atenção para o facto de, nesta Comissão, ele encontrar-se sob juramento e ter de responder a todas as questões, mesmo que isso implicasse haver audições à porta fechada.
Resposta do jurista (ou será advogado?) Penedos: "não estou aqui para responder a ameaças veladas".
Ora, como muito bem lembrou um deputado presente, a Comissão de Inquérito - criada para averiguar da tentativa de compra da TVI pela PT, com conhecimento do governo - está mandatada pelo Parlamento para averiguar esta questão e dispõe de meios legais para fazê-lo. Mais, os deputados ali presentes, são os representantes escolhidos pela Assembleia da República e, nesse sentido, uma recusa de esclarecimentos será interpretada como uma recusa de colaboração no inquérito e poderá ter consequências disciplinares. Ou seja, citando ainda o mesmo deputado, esta Comissão não foi propriamente criada para fazer um qualquer "brunch" matinal.
Nem mais.
Perante tal desconchavo, alguém lhe chamou a atenção para o facto de, nesta Comissão, ele encontrar-se sob juramento e ter de responder a todas as questões, mesmo que isso implicasse haver audições à porta fechada.
Resposta do jurista (ou será advogado?) Penedos: "não estou aqui para responder a ameaças veladas".
Ora, como muito bem lembrou um deputado presente, a Comissão de Inquérito - criada para averiguar da tentativa de compra da TVI pela PT, com conhecimento do governo - está mandatada pelo Parlamento para averiguar esta questão e dispõe de meios legais para fazê-lo. Mais, os deputados ali presentes, são os representantes escolhidos pela Assembleia da República e, nesse sentido, uma recusa de esclarecimentos será interpretada como uma recusa de colaboração no inquérito e poderá ter consequências disciplinares. Ou seja, citando ainda o mesmo deputado, esta Comissão não foi propriamente criada para fazer um qualquer "brunch" matinal.
Nem mais.
2010/04/19
O Estado de Negação
Simon Johnson, ex-economista-chefe do FMI e autor do polémico artigo do NYT, onde comparava a economia de Portugal à da Argentina de 2001, foi esta semana entrevistado pelo "Jornal de Negócios" para repetir o aviso e afirmar que o "governo português está em estado de negação".
Não tardou a resposta pela voz do Secretário de Estado do Orçamento (Emanuel dos Santos), a considerar as declarações do americano sem fundamento e acusando-o de desconhecer os mecanismos do Euro. Segundo Santos, a nossa situação financeira é muito diferente da da Grécia e, caso não estivéssemos no Euro, estaríamos provavelmente como a Islândia...
Acontece que a Grécia, estando no Euro, não deixou de entrar em falência técnica, enquanto a Islândia (ainda que na bancarrota) não faz parte do Euro. Estaria o Secretário de Estado a referir-se aos efeitos do vulcão?
Também não é preciso ser americano para fazer um diagnóstico negro sobre o estado da nossa economia: Medina Carreira, de há anos a esta parte e, mais recentemente, economistas como Silva Lopes, João Salgueiro, Nogueira Leite ou João Duque, afinam pelo mesmo diapasão.
Já sobre o estado de negação é uma característica portuguesa e não é monopólio dos governantes (mentirosos por definição). O estado de negação (ou a não-inscripção) também foi dissecado por José Gil e, ao que conste, este não é economista e muito menos do FMI...
Não tardou a resposta pela voz do Secretário de Estado do Orçamento (Emanuel dos Santos), a considerar as declarações do americano sem fundamento e acusando-o de desconhecer os mecanismos do Euro. Segundo Santos, a nossa situação financeira é muito diferente da da Grécia e, caso não estivéssemos no Euro, estaríamos provavelmente como a Islândia...
Acontece que a Grécia, estando no Euro, não deixou de entrar em falência técnica, enquanto a Islândia (ainda que na bancarrota) não faz parte do Euro. Estaria o Secretário de Estado a referir-se aos efeitos do vulcão?
Também não é preciso ser americano para fazer um diagnóstico negro sobre o estado da nossa economia: Medina Carreira, de há anos a esta parte e, mais recentemente, economistas como Silva Lopes, João Salgueiro, Nogueira Leite ou João Duque, afinam pelo mesmo diapasão.
Já sobre o estado de negação é uma característica portuguesa e não é monopólio dos governantes (mentirosos por definição). O estado de negação (ou a não-inscripção) também foi dissecado por José Gil e, ao que conste, este não é economista e muito menos do FMI...
2010/04/16
Cosa Nostra
Quando, no pico da crise, o petróleo estava a 150 dólares o barril, o preço médio de um litro de gasolina em Portugal era de €1.40. Agora, que o barril está a menos de 90 dólares, o preço médio do litro de gasolina é de €1,40...
Bem se esforçou hoje, no Parlamento, o cada vez menos convincente ministro Vieira da Silva, a explicar que o governo está atento à cartelização dos preços e que por isso existe uma entidade reguladora.
Convinha que o ministro explicasse que o estado arrecada 60% de impostos por cada litro de gasolina vendido e que, por essa razão, quanto mais caro for o combustível, mais receita arrecada o governo.
Esta é a razão porque Portugal, um dos países com os salários mais baixos da União Europeia, paga uma das gasolinas mais caras da União. Estão a perceber o negócio?
Pensarão estes governantes que as pessoas são estúpidas?
Bem se esforçou hoje, no Parlamento, o cada vez menos convincente ministro Vieira da Silva, a explicar que o governo está atento à cartelização dos preços e que por isso existe uma entidade reguladora.
Convinha que o ministro explicasse que o estado arrecada 60% de impostos por cada litro de gasolina vendido e que, por essa razão, quanto mais caro for o combustível, mais receita arrecada o governo.
Esta é a razão porque Portugal, um dos países com os salários mais baixos da União Europeia, paga uma das gasolinas mais caras da União. Estão a perceber o negócio?
Pensarão estes governantes que as pessoas são estúpidas?
Pobres povos que têm tais presidentes
Já não faltava termos de viver internamente, impotentes, sob a tirania do discurso do défice. Já não faltava que fossemos tratados como se existisse um "português genérico" capaz, por si só, de ser o causador de todas as catástrofes financeiras de que Portugal é vítima. Já não faltava que fossemos tratados como se depois de termos provocado a derradeira catátrofe financeira nos tivessemos todos pirado para um qualquer paraíso tropical, para beber água de côco e dançar o hula-hula, deixando os virtuosos do sistema aqui a pagar as nossas contas.
Agora tinha de vir o palerma do presidente checo manifestar, no papel de anfitrião, em cerimónia pública e de forma grosseira, a sua "apreensão" pelo défice português.
O Presidente da República Portuguesa ouviu e calou. Devia-lhe ter respondido que isto é um insulto ao povo português, mas que nós não vamos julgar o povo checo por ter dado o poder a um imbecil como o senhor Václav Klaus demonstra ser.
Agora tinha de vir o palerma do presidente checo manifestar, no papel de anfitrião, em cerimónia pública e de forma grosseira, a sua "apreensão" pelo défice português.
O Presidente da República Portuguesa ouviu e calou. Devia-lhe ter respondido que isto é um insulto ao povo português, mas que nós não vamos julgar o povo checo por ter dado o poder a um imbecil como o senhor Václav Klaus demonstra ser.
2010/04/14
O fordismo está de volta... pela mão da PSP!
O fordismo foi aquela ferramenta do capitalismo, tão bem retratado por Charlie Chaplin no seu aterrador filme "Modern Times", que consistia no uso de mão de obra desqualificada para produzir mais e mais barato. Colapsou em toda a linha. Este colapso explica aliás muitos dos problemas com os quais as sociedades contemporâneas se debateram ao longo dos últimos 30 anos e é um dos factores que contribui para a explicação da presente "crise".
Ora, numa altura em que o fordismo se transforma, mais e mais, numa relíquia da história dos povos, ei-lo que parece renascer por via da acção de uma entidade totalmente supreeendente: o Ministério da Administração Interna português!
Segundo o DN de hoje, "a Direcção Nacional da PSP estabeleceu números mínimos de multas, detenções, viaturas a bloquear e a rebocar, operações Stop, entre outras actividades, que devem ser atingidos pelos comandos de todo o País (...)
Um documento oficial do Comando Metropolitano do Porto, a que o DN teve acesso, define objectivos à exaustão. Cada divisão, Gondomar, Maia, Vila do Conde, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, a 1.ª, 2.ª e 3.ª, e as divisões de trânsito, investigação criminal e aeroportuária, receberam as ordens escritas do intendente Abílio Pinto Vieira dos valores que devem atingir em 2010 na sua actividade operacional.
Tudo ao mínimo detalhe, desde o número de armas que deverão ser apreendidas - e que implica, obrigatoriamente detenções - ao número de arrumadores que devem ser autuados, passando, pelo número de testes de álcool, multas de trânsito e empresas de segurança privada que devem ser fiscalizadas."
Seria, como se costuma dizer, risível se não se tratasse de uma tragédia total.
Compreendem-se os objectivos. Trata-se de criar mecanismos para proceder à avaliação desta força policial. Até aí ainda se percebe.
O que já é mais difícil engolir é que os critérios de avaliação da actuação da polícia sejam determinados, não pela qualidade da sua intervenção (acções preventivas, por exemplo, com a proximidade e empenho que permitiriam diminuir actos e comportamentos que deveriam ser excepcionais e raros, puníveis com raro e excepcional rigor; a avaliação do grau de eficência da actuação das forças policiais quando são solicitadas a intervir; ou ainda a avaliação e a correcção das causas que levam a uma actuação ineficiente, por exemplo), mas por um desempenho desqualificado, de cariz marketing-contabilístico, em torno de factores cujo surgimento revela, ele próprio, amadorismo, e a total inépcia do seu papel e o das outras entidades que devem agir sobre estas matérias.
Digamo-lo com clareza: quanto mais armas, mais as multas de trânsito, ou mais testes de álcool a PSP efectuar mais se revela que não estão, nem eles nem as outras autoridades e organismos públicos, a actuar da forma e no momento mais adequados, parecendo antes quererem-se alimentar antropofagicamente dos podres da sociedade para justificarem o seu salário. Só fazendo previamente vista grossa a estes podres se pode depois vir pedir para actuar desta forma sobre eles.
Prevenir e não remediar, deveria ser este o lema da actuação da Polícia.
Há contudo uma avaliação urgente e necessária que esta medida, vá ela para a frente ou não, vem revelar como possível e absolutamente desejável: os "génios" que se lembraram disto deviam levar nota zero na sua própria avaliação!
Se o Ministro da Administração Interna não fizer já esta avaliação nós, cidadãos, cá estaremos para o avaliar a ele...
Ora, numa altura em que o fordismo se transforma, mais e mais, numa relíquia da história dos povos, ei-lo que parece renascer por via da acção de uma entidade totalmente supreeendente: o Ministério da Administração Interna português!
Segundo o DN de hoje, "a Direcção Nacional da PSP estabeleceu números mínimos de multas, detenções, viaturas a bloquear e a rebocar, operações Stop, entre outras actividades, que devem ser atingidos pelos comandos de todo o País (...)
Um documento oficial do Comando Metropolitano do Porto, a que o DN teve acesso, define objectivos à exaustão. Cada divisão, Gondomar, Maia, Vila do Conde, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, a 1.ª, 2.ª e 3.ª, e as divisões de trânsito, investigação criminal e aeroportuária, receberam as ordens escritas do intendente Abílio Pinto Vieira dos valores que devem atingir em 2010 na sua actividade operacional.
Tudo ao mínimo detalhe, desde o número de armas que deverão ser apreendidas - e que implica, obrigatoriamente detenções - ao número de arrumadores que devem ser autuados, passando, pelo número de testes de álcool, multas de trânsito e empresas de segurança privada que devem ser fiscalizadas."
Seria, como se costuma dizer, risível se não se tratasse de uma tragédia total.
Compreendem-se os objectivos. Trata-se de criar mecanismos para proceder à avaliação desta força policial. Até aí ainda se percebe.
O que já é mais difícil engolir é que os critérios de avaliação da actuação da polícia sejam determinados, não pela qualidade da sua intervenção (acções preventivas, por exemplo, com a proximidade e empenho que permitiriam diminuir actos e comportamentos que deveriam ser excepcionais e raros, puníveis com raro e excepcional rigor; a avaliação do grau de eficência da actuação das forças policiais quando são solicitadas a intervir; ou ainda a avaliação e a correcção das causas que levam a uma actuação ineficiente, por exemplo), mas por um desempenho desqualificado, de cariz marketing-contabilístico, em torno de factores cujo surgimento revela, ele próprio, amadorismo, e a total inépcia do seu papel e o das outras entidades que devem agir sobre estas matérias.
Digamo-lo com clareza: quanto mais armas, mais as multas de trânsito, ou mais testes de álcool a PSP efectuar mais se revela que não estão, nem eles nem as outras autoridades e organismos públicos, a actuar da forma e no momento mais adequados, parecendo antes quererem-se alimentar antropofagicamente dos podres da sociedade para justificarem o seu salário. Só fazendo previamente vista grossa a estes podres se pode depois vir pedir para actuar desta forma sobre eles.
Prevenir e não remediar, deveria ser este o lema da actuação da Polícia.
Há contudo uma avaliação urgente e necessária que esta medida, vá ela para a frente ou não, vem revelar como possível e absolutamente desejável: os "génios" que se lembraram disto deviam levar nota zero na sua própria avaliação!
Se o Ministro da Administração Interna não fizer já esta avaliação nós, cidadãos, cá estaremos para o avaliar a ele...
2010/04/13
Notícias do Taguspark
Afinal, parece que houve mesmo corrupção passiva. Pelo menos, foi essa acusação que o MP deduziu contra Rui Pedro Soares (o jovem quadro promissor da PT, lembram-se?), Américo Thomati e João Carlos Silva. Vá lá, ilibaram o Figo, pois ser "pesetero" não é necessariamente sinónimo de corrupção. Acontece cada coisa...
2010/04/11
2010/04/10
Porque não?
O Deco, o Pepe e depois o Liedson puderam alinhar por Portugal por razões mais fúteis. Não me digam que a Cidinha não era mais útil... Ia ter e dar imenso trabalho aqui na AR e de certeza que ficava mais barata que os "craques" da bola.
2010/04/01
Os instalados do regime
Alguém dizia hoje que o facto do BPP ser o primeiro banco a falir depois de reinstaurada a democracia era uma elucidativa indicação do estado em que estava a democracia. Talvez se pudesse, e fosse mesmo mais conveniente, colocar as coisas ao contrário: a falência desta democracia diz bem do estado a que chegou o BPP.
A falência desta democracia diz igualmente bem do estado em que estão as empresas públicas, a imprensa, as autarquias, a justiça e tantas outras das suas instituições. A falência da democracia diz bem do estado a que chegou... o povo! Sim, o povo vulgar, que cai na tentação de entrar neste samba. Hoje mesmo, numa operação da PSP e da GNR, foram detidas ou autoadas 130 pessoas, apanhadas a conduzir sem carta, alcoolizadas, com armas, droga, etc, etc. 130 pessoas numa noite de pescaria é obra!
Não me interpretem mal: sou partidário da democracia. Mas, por muito que não se queira, o problema de Portugal é mesmo um problema de regime. A democracia, esta democracia, não está de boa saúde e as causas não serão difíceis de encontrar.
Dá uma enorme vontade de rir quando nos lembramos da conversa dos bonzos da democracia actual, falando, então como agora, dos excessos do PREC para justificar as suas investidas contra os partidos e forças que rotulavam --e rotulam!-- de radicais, e os vemos neste momento dengosamente refastelados nesta "democracia" que contrapuseram ao PREC, sobre a qual o Carlucci e seus acólitos verteram la sauce diabolique dos seus dólares, francos, deutsch marks e coroas. Foi contra o "radicalismo" de Abril que se ergueu esta "democracia" que agora temos, tão sóbria, contida, equilibrada, espartana e moralmente inatacável, como todos podemos observar... E foi nela que se instalaram os "anti-radicais" de antanho que hoje comandam, lambareiros e chocalheiros, todos os sectores da vida nacional.
Creio que a democracia não tem arcaboiço para uma média tão elevada de escândalos por dia. Creio que nenhuma democracia, digna desse nome, pode acolher tanta desigualdade e tanta injustiça.
Creio também que nenhuma democracia se dá bem com tanto "deixa-andarismo" e indiferença. Está pois na hora de correr o "desinstalador"...
A falência desta democracia diz igualmente bem do estado em que estão as empresas públicas, a imprensa, as autarquias, a justiça e tantas outras das suas instituições. A falência da democracia diz bem do estado a que chegou... o povo! Sim, o povo vulgar, que cai na tentação de entrar neste samba. Hoje mesmo, numa operação da PSP e da GNR, foram detidas ou autoadas 130 pessoas, apanhadas a conduzir sem carta, alcoolizadas, com armas, droga, etc, etc. 130 pessoas numa noite de pescaria é obra!
Não me interpretem mal: sou partidário da democracia. Mas, por muito que não se queira, o problema de Portugal é mesmo um problema de regime. A democracia, esta democracia, não está de boa saúde e as causas não serão difíceis de encontrar.
Dá uma enorme vontade de rir quando nos lembramos da conversa dos bonzos da democracia actual, falando, então como agora, dos excessos do PREC para justificar as suas investidas contra os partidos e forças que rotulavam --e rotulam!-- de radicais, e os vemos neste momento dengosamente refastelados nesta "democracia" que contrapuseram ao PREC, sobre a qual o Carlucci e seus acólitos verteram la sauce diabolique dos seus dólares, francos, deutsch marks e coroas. Foi contra o "radicalismo" de Abril que se ergueu esta "democracia" que agora temos, tão sóbria, contida, equilibrada, espartana e moralmente inatacável, como todos podemos observar... E foi nela que se instalaram os "anti-radicais" de antanho que hoje comandam, lambareiros e chocalheiros, todos os sectores da vida nacional.
Creio que a democracia não tem arcaboiço para uma média tão elevada de escândalos por dia. Creio que nenhuma democracia, digna desse nome, pode acolher tanta desigualdade e tanta injustiça.
Creio também que nenhuma democracia se dá bem com tanto "deixa-andarismo" e indiferença. Está pois na hora de correr o "desinstalador"...
2010/03/31
yellow submarines
De acordo com o "Der Spiegel" o montante pago em subornos no negócio dos submarinos poderá atingir os 36 milhões de euros. Imagino a inveja dos pescadores portugueses: Quantas toneladas de robalos não poderiam ser comprados com tal maquia?
2010/03/25
O crime compensa
Lê-se e não se acredita.
Ricardo Sá Fernandes (advogado) foi condenado a pagar 13.000 euros a Domingos Névoa (empresário) por ter chamado corruptor ao presidente da Bragaparques.
Névoa, que tentou corromper o irmão de Sá Fernandes, a troco de dezenas de milhares de euros (está gravado), teve de pagar pelo seu crime 5.000 euros. Grande negócio.
Digam lá se isto não dá vontade de rir?
Ricardo Sá Fernandes (advogado) foi condenado a pagar 13.000 euros a Domingos Névoa (empresário) por ter chamado corruptor ao presidente da Bragaparques.
Névoa, que tentou corromper o irmão de Sá Fernandes, a troco de dezenas de milhares de euros (está gravado), teve de pagar pelo seu crime 5.000 euros. Grande negócio.
Digam lá se isto não dá vontade de rir?
2010/03/24
Sabem o que eu desejo às agências de rating?
O Rui Tavares chama a atenção hoje no Público sobre a nova emigração para o Brasil. É verdade, conheço alguns casos como os que ele descreve. Mais perturbante é a sua afirmação de que esta emigração vai ter novas tonalidades. Mais portugueses vão descobrir o Brasil. Serão mais e, sobretudo, mais cérebros e mais gente de iniciativa. Mais mulheres também, pelo que indicam outros dados disponíveis.
Uma dessas associações de indigentes a que chamam pomposamente "agência de rating" emitiu hoje um qualquer parecer sobre a economia portuguesa, baixando a nossa classificação. Os termos desse parecer são um insulto a todos os portugueses! A todos nós que trabalhamos e vivemos neste país, a todos nós que sentimos esta impotência que nos impede de fazer o que tem de ser feito, a todos nós que nos sentimos de mãos e pés atados para ultrapassar as nossas dificuldades, mas que teimamos em resolver os nossos próprios problemas, a todos nós que lutamos contra um sem número de dificuldades ridículas e espíritos tacanhos, a todos nós, em especial, os jovens, cujas esperanças são, tão depressa, levianamente levantadas, como, logo de seguida, levianamente destruídas, a todos nós, incluindo aqueles novos emigrantes que voltam a ter de colocar a mochila às costas e a calcorrear caminhos que julgávamos definitivamente intransitáveis.
Ouço e leio as "sentenças" dessas agências e não posso reprimir um sentimento de enorme revolta.
O governo toma, perante o nosso olhar quase (ou já?) complacente, medidas consideradas indispensáveis, com aquele ar de depois-de-mim-o-dilúvio --medidas que exigem o nosso sacrifício brutal, sem contrapartidas nenhumas--, para logo a seguir vermos o rating descer porque essas medidas são consideradas insuficientes. O PEC, dizem eles, não se debruça suficientemente sobre o crescimento da economia. Um PEC sem pica, dir-se-ia...
Aqui há dias, alguém cujo nome não consigo recordar, dizia, com razão, que mesmo que conseguíssemos cumprir todas as metas de correcção dos défices e reordenamento das contas públicas, era preciso que a nossa economia crescesse, porque há o "depois". Se, depois de tudo estar corrigido e saneado, continuarmos sem crescimento, voltamos ao mesmo. E para haver crescimento tem de haver trabalho, inovação, empenhamento e mobilização de todos.
No meio de tudo isto, olho à minha volta e vejo a esmagadora maioria dos meus concidadãos a derreter por aqui, inutilmente, a sua energia, à espera de um qualquer sinal, de um qualquer pretexto mobilizador para dar sentido a essa energia. "Just say the word" parecem dizer os portugueses...
Em contrapartida, constato que conseguimos o pleno: um governo surdo, capitulante e totalmente incapaz, uma oposição sem dimensão, entretida consigo própria e o olhar das agências de rating que preparam o terreno para sermos comidos vivos, ainda com mais voracidade. É este o preço irónico da condição de economia periférica: abrimos o apetite das economias centrais...
E metidos nesta embrulhada toda, estamos nós, os portugueses, vulgares, entalados entre uma indesejada delegação de competências e o garrote do usurário.
O PEC que os pariu a todos!
Uma dessas associações de indigentes a que chamam pomposamente "agência de rating" emitiu hoje um qualquer parecer sobre a economia portuguesa, baixando a nossa classificação. Os termos desse parecer são um insulto a todos os portugueses! A todos nós que trabalhamos e vivemos neste país, a todos nós que sentimos esta impotência que nos impede de fazer o que tem de ser feito, a todos nós que nos sentimos de mãos e pés atados para ultrapassar as nossas dificuldades, mas que teimamos em resolver os nossos próprios problemas, a todos nós que lutamos contra um sem número de dificuldades ridículas e espíritos tacanhos, a todos nós, em especial, os jovens, cujas esperanças são, tão depressa, levianamente levantadas, como, logo de seguida, levianamente destruídas, a todos nós, incluindo aqueles novos emigrantes que voltam a ter de colocar a mochila às costas e a calcorrear caminhos que julgávamos definitivamente intransitáveis.
Ouço e leio as "sentenças" dessas agências e não posso reprimir um sentimento de enorme revolta.
O governo toma, perante o nosso olhar quase (ou já?) complacente, medidas consideradas indispensáveis, com aquele ar de depois-de-mim-o-dilúvio --medidas que exigem o nosso sacrifício brutal, sem contrapartidas nenhumas--, para logo a seguir vermos o rating descer porque essas medidas são consideradas insuficientes. O PEC, dizem eles, não se debruça suficientemente sobre o crescimento da economia. Um PEC sem pica, dir-se-ia...
Aqui há dias, alguém cujo nome não consigo recordar, dizia, com razão, que mesmo que conseguíssemos cumprir todas as metas de correcção dos défices e reordenamento das contas públicas, era preciso que a nossa economia crescesse, porque há o "depois". Se, depois de tudo estar corrigido e saneado, continuarmos sem crescimento, voltamos ao mesmo. E para haver crescimento tem de haver trabalho, inovação, empenhamento e mobilização de todos.
No meio de tudo isto, olho à minha volta e vejo a esmagadora maioria dos meus concidadãos a derreter por aqui, inutilmente, a sua energia, à espera de um qualquer sinal, de um qualquer pretexto mobilizador para dar sentido a essa energia. "Just say the word" parecem dizer os portugueses...
Em contrapartida, constato que conseguimos o pleno: um governo surdo, capitulante e totalmente incapaz, uma oposição sem dimensão, entretida consigo própria e o olhar das agências de rating que preparam o terreno para sermos comidos vivos, ainda com mais voracidade. É este o preço irónico da condição de economia periférica: abrimos o apetite das economias centrais...
E metidos nesta embrulhada toda, estamos nós, os portugueses, vulgares, entalados entre uma indesejada delegação de competências e o garrote do usurário.
O PEC que os pariu a todos!
2010/03/22
Dignidades e recursos
Verdadeiramente insólito é o facto do Primeiro Ministro não ir à comissão de inquérito parlamentar sobre o negócio da compra da TVI, invocando, segundo o Público, a "defesa da dignidade do cargo" e fazendo acusações de tentativa de transformação do "Parlamento numa instância de recurso."
O senhor primeiro ministro está perante um duplo desafio, um desafio sério, perfeitamente à sua altura. Em primeiro lugar, ao recusar-se a falar perante um orgão de soberania no pleno exercício das suas competências, vai ter de desfazer perante os portugueses uma contradição: como é que concilia, ao exigir respeito pelo seu cargo, o respeito que é devido à AR, outro orgão de soberania. Em segundo lugar, como é que contraria a sensação, que todos nós passamos a ter, de que desta forma parece querer transformar-se, ele próprio, numa instância de recurso em relação à matéria que aquela comissão pretende legitimamente apreciar.
O senhor primeiro ministro está perante um duplo desafio, um desafio sério, perfeitamente à sua altura. Em primeiro lugar, ao recusar-se a falar perante um orgão de soberania no pleno exercício das suas competências, vai ter de desfazer perante os portugueses uma contradição: como é que concilia, ao exigir respeito pelo seu cargo, o respeito que é devido à AR, outro orgão de soberania. Em segundo lugar, como é que contraria a sensação, que todos nós passamos a ter, de que desta forma parece querer transformar-se, ele próprio, numa instância de recurso em relação à matéria que aquela comissão pretende legitimamente apreciar.
2010/03/19
Desculpem o atraso...
Foi anteontem lançado o Sidereus Nuncius, O Mensageiro das Estrelas, o clássico livro onde de Galileu dá conta das suas observações astronómicas, publicado há 400 anos. Uma edição magnífica da Fundação Calouste Gulbenkian.
A tradução portuguesa demorou 400 anos... Mais ainda do que o tempo que levou à Igreja Católica a pedir desculpa pelo tratamento miserável que deu ao ilustre e, seguramente, mais inovador representante da Revolução Científica dos séculos XVI-XVII.
Este atraso de 400 anos explicará, quiçá, o nosso estado actual e a dificuldade com que se debatem as nossas tentativas de recuperação, quase sempre baseadas em pressupostos obsoletos e ideias tacanhas.
Já agora, para quem gosta da figura, recomendo a leitura de um livro chamado Galileo's Dream de Kim Stanley Robinson. Ficção à volta da figura de Galileo.
O que não é ficção é o Sidereus Nuncius. O centro do Universo não é afinal a Terra... Quem havia de dizer, ao fim de todo este tempo!? Eppur si muove...
A tradução portuguesa demorou 400 anos... Mais ainda do que o tempo que levou à Igreja Católica a pedir desculpa pelo tratamento miserável que deu ao ilustre e, seguramente, mais inovador representante da Revolução Científica dos séculos XVI-XVII.
Este atraso de 400 anos explicará, quiçá, o nosso estado actual e a dificuldade com que se debatem as nossas tentativas de recuperação, quase sempre baseadas em pressupostos obsoletos e ideias tacanhas.
Já agora, para quem gosta da figura, recomendo a leitura de um livro chamado Galileo's Dream de Kim Stanley Robinson. Ficção à volta da figura de Galileo.
O que não é ficção é o Sidereus Nuncius. O centro do Universo não é afinal a Terra... Quem havia de dizer, ao fim de todo este tempo!? Eppur si muove...
2010/03/18
Rolhas, Tenazes, Purgas e Exclusões
Desde o passado domingo que a célebre "lei da rolha" vem animando os espaços de opinião daqueles que defendem a plena liberdade de expressão. Como não podia deixar de ser, o PS julgou ver aqui uma oportunidade para desviar as atenções das acusações que são feitas ao governo neste capítulo, acusando o PSD de falta de espírito democrático. Acontece que estes partidos - todos - têm telhados de vidro e, ainda mal os "campeões da democracia" tinham começado os ataques, já um excluido autarca de Matosinhos vinha denunciar práticas internas que tão bem conhece. No PS, a "Lei da Rolha" chama-se "Tenaz" e os militantes críticos são purgados à boa maneira estalinista. Narciso Miranda, pois é dele que se trata, prometeu mais revelações e a coisa promete não ficar por aqui. Pelos vistos, ele não foi a única vítima e a lista de "purgados" é extensa.
Já tinhamos as vítimas do fascismo e do comunismo. Temos agora os "excluídos" dos partidos do centrão, "impolutos" campeões da liberdade e da democracia. Desta forma, ficam todos na mesma fotografia. A fotografia da "rolha" e da "tenaz", da "purga" e da "exclusão", da intolerância e da censura, da hipocrisia e da mentalidade fascista e totalitária que sempre os caracterizou. Todos diferentes, mas todos iguais, afinal.
Já tinhamos as vítimas do fascismo e do comunismo. Temos agora os "excluídos" dos partidos do centrão, "impolutos" campeões da liberdade e da democracia. Desta forma, ficam todos na mesma fotografia. A fotografia da "rolha" e da "tenaz", da "purga" e da "exclusão", da intolerância e da censura, da hipocrisia e da mentalidade fascista e totalitária que sempre os caracterizou. Todos diferentes, mas todos iguais, afinal.
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